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sexta-feira, agosto 12, 2022
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Brix e alta produtividade

Autores

Herika Paula Pessoa
herika.paula@ufv.br
Françoise Dalprá Dariva
fran_dariva@hotmail.com
Engenheiras agrônomas, mestras e doutorandas em Fitotecnia – Universidade Federal de Viçosa (UFV)
Ronaldo Machado Junior
Engenheiro agrônomo, mestre em Fitotecnia e doutorando em Genética e Melhoramento – UFV
ronaldo.juniior@ufv.br

Créditos Shutterstock

A busca por variedades de tomate diferenciadas e de alto valor agregado pode trazer resultados ainda mais satisfatórios aos horticultores, tanto em campo quanto na hora da comercialização. Agora, o ºbrix e a alta produtividade são o foco buscado pelos produtores, demarcando uma das tendências futuras para o mercado da horticultura.

Mais sabor

Nos últimos 20 anos, o Brasil apresentou aumento de 41% na produtividade na cultura do tomate. Em 2017, ocupou o 10° lugar no ranking mundial dos países produtores de tomate, com produtividade de 68,7 t.ha-1 (Faostat, 2019). Essa produtividade se deve, principalmente, à comercialização em larga escala de sementes híbridas portadoras do gene rin (denominado “longa vida”). Entretanto, além de plantas mais produtivas, o mercado consumidor passa a exigir também tomates mais saborosos e de melhor qualidade.

Os híbridos lançados recentemente, além de apresentarem altas produtividades, seguem uma nova tendência de mercado, com frutos com melhores características visuais e sensoriais, entre as quais se destaca o alto teor de sólidos solúveis totais (SST), medido em ˚Brix, uma das mais importantes em termos de comercialização do produto.

Tomates com altos teores de SST apresentam sabor mais adocicado, o que aumenta sua aceitação pelo público consumidor. No que se refere ao processamento industrial, quanto maior o teor de SST no fruto de tomate, menor é a quantidade de energia gasta no processo de concentração (retirada de água) da polpa, o que reduz o custo de produção de molhos e extratos.

Estima-se que o rendimento industrial aumenta de 10-20% a cada ºBrix incorporado ao fruto. Assim, observa-se hoje uma demanda crescente por cultivares que sejam altamente produtivas e que, ao mesmo tempo, apresentem frutos com alto ºBrix.

Realidade

Várias pesquisas estão sendo desenvolvidas nos programas de melhoramento da cultura, por empresas públicas e privadas, para a obtenção de novas cultivares. Os híbridos de tomate de mesa disponíveis no mercado, atualmente, possuem em média 3,6 a 5,0 ºBrix.

Os tomates da linha gourmet, tipo “cereja”, se destacam por serem muito produtivos e pelo seu elevado ºBrix, cerca de 12%. Pesquisas mostram que cultivares desta linha possuem ótimos atributos sensoriais (textura, cor e sabor), de conservação pós-colheita e de produtividade. Para os produtores que visam o segmento de produtos diferenciados, esses materiais se destacam como promissores.

Manejo

Para obter lavouras altamente produtivas e com frutos de alto °Brix, o produtor dispõe de duas alternativas principais – a utilização de cultivares geneticamente melhoradas para essas características e o manejo adequado da lavoura desde a sua implantação.

Contudo, a adoção simultânea das duas alternativas produz resultados ainda mais satisfatórios. Isso acontece porque tanto o potencial produtivo da planta como a alta acumulação de açúcares solúveis nos frutos (medida em °Brix) são características geneticamente determinadas, mas também altamente influenciadas pelo ambiente de cultivo ao qual a planta é submetido.

A condição essencial para que uma planta de tomateiro produza muitos frutos com alto ºBrix é a alta taxa fotossintética. Essa característica, por sua vez, é dependente não só do suprimento adequado de água para a planta, mas que ela esteja bem nutrida para expressar todo seu potencial de produção de área foliar fotossintetizante. Ainda, que essa área foliar não seja lesionada pelo ataque de pragas e doenças.

Além disso, a fotossíntese também é influenciada pela temperatura. Dessa forma, o ideal é que o produtor escolha cultivares não somente melhoradas para as características de interesse, mas que também sejam recomendadas para a região e época de plantio em que o produtor deseja implantar a lavoura.

Características peculiares

O tomateiro, por ser uma cultura de origem andina, não é completamente adaptado às condições climáticas de todas as regiões do Brasil e épocas do ano. O tomate tem preferência por clima seco, alta luminosidade e temperaturas amenas.

Além disso, a cultura é muito suscetível a doenças e pragas. Dessa forma, é de extrema importância que os produtores escolham as cultivares que melhor se encaixem às características do mercado que deseja atender, considerando as condições edafoclimáticas da região e as técnicas de manejo disponíveis na propriedade, visando assim maximizar os lucros.

Das condições climáticas, a temperatura e a umidade são os fatores mais limitantes para o desenvolvimento da cultura. A amplitude da temperatura para o cultivo de tomate é larga, no entanto, são estreitas para desenvolver um tomate com boas características visuais e sensoriais e não são encontradas em todas as regiões brasileiras e estações do ano.

Problemas fisiológicos podem ser observados nos meses mais frios do ano, entre junho e julho, que prejudicam o crescimento vegetativo. Ademais, as épocas mais quentes e úmidas, quando a temperatura noturna média é superior a 20ºC, podem comprometer o pegamento dos frutos.

Na tentativa de reverter essa situação, recomenda-se utilizar o período de frio para a produção das mudas, uma vez que este não afeta a fase de germinação das sementes. Essa estratégia permite diminuir o tempo que o tomate fica no campo, o que reduz os custos nas outras etapas do processo produtivo.

O suprimento hídrico adequado para a cultura também é um fator de grande importância. A necessidade hídrica do tomate é em torno de 400 a 600 mm por ciclo, considerando ciclo de 90 a 120 dias. Esse problema por muito tempo foi solucionado com a utilização da irrigação, no entanto, com as condições atuais de agravamento da seca e do aquecimento global novas pesquisas precisão ser desenvolvidas, principalmente para o desenvolvimento de cultivares tolerantes ao déficit hídrico, para solucionar esse impasse.

Além das condições de climáticas para se obter alta produtividade e melhor sabor dos frutos, é necessário utilizar técnicas de manejo adequadas para cada segmento. No sistema de produção do tomateiro já são conhecidas diversas técnicas de manejo que os produtores precisam seguir para obter êxito na produção. Ademais, quando uma nova cultivar é lançada, algumas técnicas de manejo já são recomendadas para se obter bons resultados.

Entretanto, muitos produtores negligenciam essas práticas, o que acarreta em redução na produtividade e na qualidade do produto colhido.

Fitossanidade

Os problemas com pragas doenças nas lavouras de tomate são recorrentes e se agravam com o desenvolvimento de novos patógenos e com a quebra da resistência dada pelas cultivares melhoradas.

Dessa forma, é necessário maior investimento em tecnologias no sistema de produção. A produção em ambiente protegido é uma excelente estratégia que, além de reduzir os problemas com o ataque de pragas e doenças e das intemperes climáticas, ajuda na obtenção de frutos com melhores qualidades sensoriais.

Na produção em ambiente protegido pode-se investir também na utilização de telas antiafídeos, mudas enxertadas, sistema de irrigação por gotejamento, uso de substratos inertes, sistemas de condução que favorecem a polinização e soluções nutritivas balanceadas que garantam a nutrição adequada para o melhor desempenho da planta.

Custo envolvido

As empresas de sementes, primeiro elo da cadeia produtiva, são responsáveis por altos investimentos em projetos de melhoramento e desenvolvimento genético das cultivares, o que garante ao tomaticultor brasileiro um portfólio diverso de materiais que atendem suas mais variadas necessidades.

Contudo, essas sementes geneticamente melhoradas, especialmente as híbridas, possuem um alto valor, sendo responsáveis por grande parte dos custos de produção. Além disso, o manejo da lavoura, envolvendo todos os fatores anteriormente mencionados, também adicionam custos para o produtor.

Entretanto, de maneira geral, os custos envolvidos na implantação de uma lavoura de tomate, tais como gastos com irrigação, nutrição e defesa das plantas, são muito similares, mesmo que o produtor opte por um sistema em que alta produtividade e °Brix não sejam alvos.

O diferencial para que esse manejo seja realizado de forma adequada para esses alvos é a contratação de engenheiro agrônomo capacitado para tal.


Investimento x retorno

O aumento no custo de produção ocasionado pela utilização de sementes geneticamente melhoradas e contratação de profissional capacitado é facilmente recompensado pelos ganhos em quantidade de frutos produzidos e qualidade dos mesmos.

Dessa forma, a adoção dessa prática garante ao produtor um alto retorno financeiro, uma vez que o volume de frutos será maior, e frutos com alto °Brix são muito mais valorizados pelo mercado, garantindo um bom preço de venda para seu produto.

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