Atenção para a podridão floral dos citros

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Arlindo de Salvo Filho
Engenheiro agrônomo e consultor em citros desde 1977

Foto: Fundecitrus

A podridão floral dos citros (PFC) é uma doença causada pelo fungo Colletotrichum acutatum que afeta as flores de citros, sendo uma das mais importantes doenças da cultura, devido ao enorme potencial de reduzir a safra. A doença também é chamada de “queda prematura de frutos cítricos” ou “estrelinha”.

Esta doença afeta praticamente todas as variedades comerciais de citros. As flores de laranja doce, independentemente da variedade, apresentaram suscetibilidade semelhante ao patógeno. Entretanto, a doença tem causado danos mais severos em laranja ‘Natal’ e em laranjas que apresentam vários surtos de florescimento, como ‘Pera’, ‘Bahia’ e ‘Baianinha’.

Danos

Grandes prejuízos também têm sido reportados em limões e limas ácidas. A laranja ‘Valência’ apresenta danos moderados, enquanto a laranja ‘Hamlin’ e outras precoces, bem como os pomelos e tangerinas, em geral apresentam menos problemas relacionados à podridão floral.

Dependendo do porta-enxerto e das condições ambientais, o período de florescimento de uma mesma variedade copa pode ser antecipado ou retardado, interferindo na intensidade da doença.

Este fungo infecta as flores das plantas que ficam com manchas de coloração marrom ou rósea-alaranjado. A infecção também pode ocorrer antes mesmo da abertura dos botões florais, provocando a completa podridão das flores.

Os frutos recém-formados caem, e os discos basais, cálices e pedúnculos ficam fortemente aderidos aos ramos e recebem o nome de “estrelinhas”. Estas “estrelinhas” podem permanecer nas plantas por um longo período, sendo fonte de inóculo para futuras safras. Muitos dos ramos que apresentam estas estruturas, geralmente não florescem, e isto compromete a florada seguinte.

Causas

A doença PFC está associada à alta umidade. Períodos prolongados de chuvas, orvalho e neblina favorecem o desenvolvimento de epidemias, fazendo com que os conídios produzidos nas inflorescências se disseminem rapidamente por toda a planta e, ou, para as plantas vizinhas.

As chuvas com ventos carregam as gotas de água juntamente com os conídios, aumentando assim a dispersão lateral. Dados de literatura indicam que a faixa ótima de temperatura para o crescimento de C. acutatum está entre 23ºC e 27ºC.

Apesar das baixas temperaturas reduzirem o desenvolvimento da doença em campo, estas diminuem também o desenvolvimento da florada, podendo prolongar o período em que as flores estão suscetíveis às infecções.

Controle

A adoção de algumas práticas de manejo podem auxiliar no controle da doença, destacando-se: eliminação de plantas doentes ou debilitadas, com declínio, gomose, rubelose, greening etc. que podem induzir um florescimento fora de época, devido ao estado precário das plantas; fazer adubação equilibrada; realizar tratamentos nutricionais de pré-florada com extratos de algas, aminoácidos diversos e nutrientes específicos com o objetivo de homogeneizar a floração e facilitar o controle químico; monitorar as condições climáticas (temperatura e umidade) e evitar irrigação por aspersão, no período de florescimento. Além disto, a irrigação, quando possível, também pode ser utilizada para antecipar o florescimento, para antes da época de chuvas mais intensas.

O controle químico deve ser realizado, monitorando-se o desenvolvimento das flores, uma vez que todos os tecidos florais são suscetíveis, desde o início até a queda do estigma, ou seja, até o pegamento dos frutos jovens.

Assim, o número de aplicações dependerá da duração do florescimento, além das condições ambientais de umidade e temperatura. Em regiões mais frias e de florada mais longa, haverá necessidade de um controle mais prolongado, do que em regiões mais quentes, onde em geral, o florescimento é mais curto.

Os fungicidas recomendados são pertencentes aos grupos das estrobilurinas e dos triazóis. As misturas formuladas dos dois grupos de fungicidas são as mais eficientes no controle da doença. Os fungicidas carbendazim, mancozebe e tiofanato-metílico, que eram utilizados no controle da doença, foram retirados da lista Protecitrus (Produtos para a Proteção da Citricultura) e não devem ser utilizados.

Os tratamentos químicos podem ser associados a nutrientes como cálcio, boro, molibdênio, entre outros, além de bioestimulantes (algas e aminoácidos) para auxiliar no pegamento dos frutos jovens.

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