Banana da terra garante lucro e renda

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Gustavo Cesar Dias Silveira Engenheiro agrônomo, mestre e doutorando em Fitotecnia – Universidade Federal de Lavras (UFLA)gcsagro@gmail.com

Banana – Foto: Humberto Carvalho

A banana da terra, ou plátano, cujo nome cientifico é Musa sapientum, é a espécie que tem os maiores frutos, com cada um pesando em média 0,5 kg e comprimento de 30 cm. É achatada em um dos lados, tem casca amarela escura, sua polpa é bem consistente, de cor rosada, textura macia e compacta.

Por ser uma fruta que acumula muito amido, é consumida cozida, assada ou frita. São cultivadas principalmente nas regiões norte e nordeste, geralmente por pequenos produtores, como fonte adicional de renda, sem utilizar tecnologia e insumos modernos para aumentar a produtividade e melhorar a qualidade do produto.

Oferta x demanda

Por não ser uma espécie muito plantada no Brasil, existe uma demanda maior da banana da terra do que a oferta. Sendo assim, pequenos produtores familiares podem entrar nesse negócio e receber um valor muitas vezes acima das bananas convencionais (prata, nanica, etc.).

Segundo a Embrapa (2012), a banana da terra possui variedades que se destacam pela resistência ao mal-do-panamá e à sigatoka-amarela. Outras características que compreendem cultivares desse subgrupo são plantas mais tolerantes a solos de baixa fertilidade natural e a condições climáticas adversas.

Com isso, pode-se dizer que é uma cultura rústica, porém, não pode ser descartado o bom manejo para que se tenha produtividade e qualidade.

Manejo

A instalação de um bananal da terra é semelhante aos bananais tradicionais. A densidade de plantio pode variar de 1.100 a 2.600 plantas por hectare, sendo essa última mais adensada, uma tendência para o aumento da produtividade em pequenas propriedades. Por ser uma bananeira de porte alto, a colheita deve ser efetuada por dois operários.

Para uma boa produtividade, é necessário que não falte água, e que antes da implantação tenha-se feito uma boa correção do solo e adubações equilibradas de base e cobertura, para que a bananeira se devolva bem e produza frutos de qualidade elevada, atingindo assim padrões exigidos pelo mercado consumidor.

Em campo

Como exemplos práticos de campo, Almeida et al., (2019), cujo trabalho foi avaliar as características agronômicas de bananeira terra, cv. D’angola, em monocultivo e consorciada com açaizeiro em Rio Branco-AC, chegou à conclusão de que a produtividade é maior em plantios mais adensados, independentemente do sistema de cultivo (monocultivo ou consórcio).

Segundo Cavalcanti et al.  (2014), em Rio Branco (AC) as plantas de banana da terra cv. D`Angola cultivadas no espaçamento 3,0 x 3,0 m, sombreadas com seringueira, apresentaram menor severidade da sigatoka-negra. Porém, as maiores produtividades foram obtidas quando se adotaram maiores densidades de plantio (2,0 x 2,0 m), chegando a 29,49 t/ha.

Obstáculos

O grande problema da bananicultura brasileira, no que se refere à qualidade da fruta, reside no manejo do produto a partir da colheita. Nessa fase ocorrem vários danos que prejudicam a aparência do produto.

A falta de cuidados no manejo pós-colheita é responsável pela desvalorização da banana no mercado interno e pela perda de oportunidades de exportação da fruta brasileira. Como a banana da terra, de maneira geral, é cultivada por pequenos produtores como fonte adicional de renda, não há investimentos em técnicas e insumos para aumentar a produtividade e melhorar a qualidade do produto.

Com pouca infraestrutura de produção e pós-colheita, alguns produtores não têm condições de classificar e vender seu produto a preços baixos para atacadistas sem a presença de um intermediário.

Os agricultores devem investir em qualidade na hora da colheita, buscando proporcionar um produto final melhor, afinal, fazendo o manejo de forma correta, ele terá bons resultados.

Além disso, seria recomendável a organização dos produtores em cooperativas ou grupos de vendas, para acabar com a necessidade de atravessadores. Com isso, poderão garantir preços superiores, consequentemente, serão mais bem remunerados e poderão investir cada vez mais na própria infraestrutura e insumos.

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