Beterraba: A raiz forte da terra

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Beterraba – Crédito: shutterstock

A área plantada de beterraba no Brasil é de aproximadamente 18 mil hectares. São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia e Goiás respondem por cerca de 87% da comercialização de beterraba nas Ceasas nacionais. Os três primeiros Estados têm maior produção, favorecidos pelo clima frio.

Somente no Estado de São Paulo, a área de produção de beterraba em 2018 foi de 5.207,23 ha, de acordo com levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA)/Coordenadoria de Assistência Técnica Integrada (CATI), com produção de 7.451.582,18 caixas de 23 kg, equivalente a 171.386,39 ton, graças ao cultivo elevado de híbridas.

Entre os anos de 2007 a 2019, o volume comercializado em toneladas de beterraba não oscilou expressivamente, partindo de 29.722 ton, atingindo máximo de 33.451 ton em 2012, finalizando com baixa de 24.938 ton em 2019. Quanto ao valor por quilo comercializado, houve aumento crescente neste período, partindo de R$ 0,89 para R$ 1,73 kg-1.

Gráfico 1. Volume em toneladas de beterraba comercializada entre 2007 a 2019.

Fonte: Ceagesp (SEDES – Seção de Economia e Desenvolvimento).

Gráfico 2. Preço médio em reais por quilo de beterraba comercializada entre 2007 a 2019.

Fonte: Ceagesp (SEDES – Seção de Economia e Desenvolvimento).

Oferta e demanda

Na CEAGESP, a quantidade comercializada apresentou volume mais elevado entre os meses de agosto a janeiro em todos os anos, 2013 a 2019, e praticamente se manteve constante ao longo destes anos.

 Do ano de 2018 a 2019 houve aumento de 5,2% na produção brasileira de beterraba, refletindo de forma positiva no índice de exportação da hortaliça.

Precificação

Em levantamento da CEASA-MG, em 2015, a média dos preços do quilo dessa hortaliça foi de R$ 1,15, e em 2019 esse valor chegou a R$ 2,04, com picos mais elevados nos meses de fevereiro a junho, chegando até R$ 2,88, indicando menor oferta deste produto no mercado, e portanto, preços mais elevados, atendendo a lei da oferta e da demanda.

Além disso, o custo de produção normalmente é mais elevado nesta época devido à maior dificuldade de controle de pragas e doenças, somando ao maior custo das sementes melhoradas adaptadas ao cultivo nesta entressafra.

Produtividade

A produtividade média no Brasil varia de 15.000 a 20.000 kg ha-1 para as variedades e de 28.000 a 33.000 kg/ha para os híbridos. Normalmente, a produtividade é maior no inverno que no verão, devido a falhas na população de plantas pelas chuvas e ocorrência de tombamento (“damping off”) e pela maior incidência de doenças foliares, principalmente mancha de cercóspora ou cercosporiose.

Portanto, o híbrido, apesar de todas as vantagens citadas, somente será vantajoso para o produtor se resultar em aumento de produtividade. Considerando-se o preço médio de venda (R$ 25,00 por caixa de 23 kg) e a diferença no preço das sementes (R$ 440,00 para híbrido e R$ 210,00 para variedade) de R$ 230,00 por hectare, o híbrido será vantajoso se proporcionar aumento de pelo menos nove caixas (207 kg) por hectare.

Também deve-se levar em consideração que o preço de venda das raízes do híbrido poder ser maior, pois, em média, tem-se raízes mais arredondadas e com melhor coloração (externa e interna) nos híbridos que podem valorizar o produto na hora de vender.

Rentabilidade

Para um preço de venda inferior a R$ 15,00 por caixa o produtor terá prejuízo, considerando-se esta produtividade e este custo. O preço varia em função da época do ano, sendo maior, geralmente, no verão, com semeaduras de outubro a janeiro e colheitas de janeiro a abril.

Os preços aumentam nos meses em que há maior temperatura, precipitação e umidade relativa, isso por conta do cultivo nessa época se tornar mais difícil, devido à maior incidência de doenças pelas condições propícias ao desenvolvimento e da própria fisiologia da planta que necessita de climas mais frios.

No ano de 2019 o custo de produção ficou, em média, em R$ 15.000,00, sendo R$ 5.300,00 relacionados à parte de adubação, R$ 1.800,00 para defensivos agrícolas, R$ 1.900,00 na compra de sementes e R$ 1.300,00 no preparo de solo, enquanto os outros R$ 4.500,00 relacionados a outros tratos culturais.

Em geral, levando o custo de produção da beterraba em torno de R$ 15.000,00, e considerando o preço da caixa de 23 kg em R$ 25,00 e uma produção por hectare de 1.000 caixas, tem-se um lucro líquido de R$ 10.000,00.

Tendência para 2020

Assim como no ano de 2019, para o ano de 2020 tem-se como tendência a maior utilização de híbridos, já que esses são adeptos a diferentes climas e também ao aumento de incidências de doenças como a cercóspora causada pelo fungo Cercospora beticola devido às mudanças climáticas. Também é levado em conta a maior produtividade por hectare, considerando que as plantas originárias de sementes híbridas alcançam aproximadamente o dobro em relação às de polinização aberta.

Diversas cultivares híbridas estão disponíveis no mercado e todas as informações são encontradas nos catálogos das empresas detentoras desses materiais, levando em conta que a tolerância e/ou resistência a doenças pode depender das raças do patógeno e das condições ambientais.

Ainda como um atrativo novo e diferencial no mercado, as beterrabas coloridas vêm ganhando mais espaço entre os amantes da culinária. Há poucas cultivares dessa nova beterraba apresentando as cores amarela e branca, as quais prometem alta produtividade, padronização das raízes e de sabor doce.

Autoria:

César Augusto Santoscesar_augustto_15@hotmail.com

Alan Bordim de Oliveirabordimalan@gmail.com

Isabella Alves da Rochaisabellaalves2015@outlook.comGraduandos em Engenharia Agronômica – UNESP/ FCAT

Pâmela Gomes Nakada FreitasEngenheira agrônoma, doutora e professora assistente – UNESP/ FCATpamela.nakada@unesp.br

– A área plantada de beterraba no Brasil é 18 mil hectares

A produtividade média no Brasil varia de 15.000 a 20.000 kg ha-1 para as variedades e de 28.000 a 33.000 kg/ha para os híbridos

– O custo de produção da beterraba em torno de R$ 15.000,00, e considerando o preço da caixa de 23 kg em R$ 25,00 e uma produção por hectare de 1.000 caixas, tem-se um lucro líquido de R$ 10.000,00.