Bicudo-do-algodoeiro

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Herika Paula Pessoaherika.paula@ufv.br 

Françoise Dalprá Darivafran_dariva@hotmail.com

Felipe de Oliveira Dias felipedeoliveiradias@gmail.com

Engenheiros agrônomos, mestres e doutorandos em Fitotecnia – Universidade Federal de Viçosa (UFV)

Bicudo-do-algodoeiro – Crédito: Sebastião Araújo

Anthonomus grandis é um besouro que atualmente é uma das pragas mais importantes na cotonicultura brasileira. Conhecido popularmente como bicudo-do-algodoeiro, o manejo eficaz dessa praga depende de técnicas que vão além da aplicação de inseticidas específicos. Isso se deve às particularidades do modo de vida desse inseto.

Pertencente à família dos curculionídeos, ordem coleóptera, o inseto adulto deposita seus ovos nas maçãs do algodoeiro e as larvas, quando eclodem, ficam protegidas pelo botão floral, reduzindo a eficiência das pulverizações.

Por possuir rápida capacidade reprodutiva, ao longo do ciclo cultural podem ocorrer entre quatro e seis gerações do besouro. Em final de safra os bicudos migram para outras áreas de algodão e/ou para áreas de refúgio, entrando na diapausa e voltando a colonizar a safra seguinte.

O ataque

O ataque do bicudo se inicia nas bordaduras das lavouras de produção de algodão. A redução da produção da pluma é o principal prejuízo causado pelo ataque dessa praga. O ataque do bicudo ocorre no período reprodutivo do algodoeiro devido às estruturas reprodutivas serem seu alvo principal.

Ao se alimentar ou ovipositar nos botões florais, as flores atacadas ficam com aspecto característico de “flor em balão” em decorrência da abertura anormal das pétalas. Para diferenciar os orifícios de oviposição e alimentação do bicudo, os primeiros são recobertos por cera e menores que os orifícios de alimentação. Preferem as maçãs mais jovens, por serem mais tenras, facilitando a alimentação.

O ataque pode levar ao amarelecimento e queda dos botões florais que, mesmo destacados da planta, ainda podem ser fonte de alimento e abrigo ao besouro.

Incidência

Altas infestações dessa praga são observadas durante períodos chuvosos e com temperaturas mais amenas. Isso porque uma maior umidade conserva os botões florais atacados por mais tempo, garantindo maior reprodução do inseto.

Por outro lado, períodos secos aliados a temperaturas elevadas provocam a dessecação dos botões florais atacados presentes na superfície do solo, ocasionando maior taxa de mortalidade de larvas.

Apesar de o bicudo-do-algodoeiro também ser considerado uma importante praga dos cultivos de algodão no Cerrado, as características ambientais desse local, tais como baixa umidade relativa do ar, temperaturas altas, falta de refúgios e alimentos alternativos na entressafra, são fatores que desfavorecem a sobrevivência do inseto adulto e, consequentemente, a severidade da infestação na safra seguinte.

Controle

As principais formas de controle do bicudo-do-algodoeiro consistem no manejo cultural dos campos de produção, como o plantio na época recomendada, preparo antecipado do solo (cerca de 40 dias antes da semeadura), utilização de variedades precoces, catação e destruição de botões florais atacados e caídos ao solo, aplicação de reguladores de crescimento para aumentar a eficiência da aplicação de inseticidas, e destruição de restos culturais em até 30 dias após a colheita.

O controle químico é ainda considerado a forma mais eficiente de combate. Atualmente são realizadas, em média, cerca de 15 a 20 aplicações de inseticidas por safra para controle do bicudo-do-algodoeiro nas lavouras de algodão pelo Brasil.

O emprego das diferentes estratégias de manejo da praga já citadas, contudo, reduzem significativamente o número de aplicações de inseticidas nas safras seguintes.

Questão e iniciativa

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