Bioestimulantes: prevenção de estresses em plantas cultivadas

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Foto: Shutterstock

Rudiane Larissa Dutra Ferreira
Engenheira agrônoma, técnica de pesquisa e desenvolvimento – Grupo Agro
rudianedutra@hotmail.com
Maria Elisângela Ferreira de Oliveira
Engenheira agrônoma, mestre em Produção Vegetal, técnica de pesquisa e desenvolvimento – Grupo Agro
mariaelisangela94@hotmail.com

Várias tecnologias são empregadas no setor agronômico com intuito de incrementar a produção. Sendo assim, os bioestimulantes têm sido utilizados com o intuito de estimular os processos metabólicos e nutrição vegetal.

Portanto, são técnicas que ajudam a dar estabilidade aos sistemas de produção, aumento à produtividade, além de minimizar os impactos ambientais do uso no solo.

Quem são eles

Os bioestimulantes são substâncias, microrganismos e/ou mistura deste dois que estimulam os processos de nutrição das plantas, resistência a patógenos e estresse hídrico. Estas substâncias podem ser reguladores vegetais ou de natureza bioquímica (aminoácidos, vitaminas e nutrientes).

Ainda, os extratos de algas vêm ganhado importância devido à relevância de potencializar a fertilidade do solo (aumenta a disponibilidade de nutrientes retidos no solo ou rizosfera), melhora o desempenho fisiológico e tolerância ao estresse abiótico das plantas, e consequentemente aumenta a produtividade das culturas.

Sistema de defesa

As plantas já apresentam naturalmente mecanismos de defesa múltiplos e eficientes contra estresses e organismos fitopatogênicos, incluindo fungos, oomicetos e bactérias.

Alguns mecanismos de defesas das plantas atuam como barreira física, por meio do aumento da espessura da parede celular, tricomas e presença de cera na cutícula, dificultando a infecção por doenças ou ataques de pragas, ou a química, por meio de compostos fenólicos, alcaloides, fitoalexinas, proteínas relacionadas à patogênese e espécies reativas de oxigênio.

A indução de resistência em plantas se expressa após a exposição a elicitores bióticos ou abióticos e, quando ficam expostas, suas células e tecidos reagem mais rapidamente às tentativas de colonização por um patógeno, que são reconhecidos por receptores de reconhecimento de padrões (PRRs).

Efeito cascata

Essa interação resulta em uma sinalização conhecida como cascata, que geralmente percorre o espaço intracelular até o núcleo ou diretamente no espaço intercelular. De acordo com a literatura, há várias rotas metabólicas que podem ser ativadas, sendo uma delas a rota via ácido salicílico, quando a infecção for causada por patógenos biotróficos ou hemibiotróficos.

Já para patógenos necrotróficos são ativadas rotas que dependem dos hormônios etileno ou ácido jasmônico. A imunidade ativada por moléculas dos microrganismos ou dos patógenos é a primeira linha de defesa local, chamada de PTI (Pathogens Triggered Immunity).

Essa reação de defesa restringe o crescimento do patógeno e pode levar à resistência adquirida (SAR), que se desenvolve de forma sistêmica e a resistência sistêmica induzida (ISR), por meio de aplicação de indutores de resistência, ativando os genes responsáveis pela resistência.

Os patógenos que passam pela primeira linha de defesa penetram nas células por meio do sistema de secreção tipo III, sendo injetada proteínas de avirulência. Consequentemente, ocorre a morte celular, pois os nucleotídeos ligados a repetições ricas em leucina desencadeiam a reposta hipersensitiva. Desse modo, forma-se a segunda camada de imunidade ativa da planta, chamada de imunidade desencadeada por efetores (ETI).

Dentro do núcleo da célula ocorre a transição de genes de resistência, sendo codificadas proteínas relacionadas à patogênese, o que, consequentemente, aumenta a atividade de enzimas antioxidantes e de defesa, como a fenilalanina amônia liase, lipoxigenases, peroxidases, quitinases e β-1,3-glucanases.

Aliados aos bioestimulantes, os indutores de resistência usados via foliar atuam como bactericidas e fungicidas naturais que, associados com uma adubação equilibrada, potencializam a sanidade das plantas.

Dentre os fitohormônios que são utilizados para a indução de resistência de plantas, temos o ácido salicílico, o ácido jasmônico, o fosfito e quitosana.

Crescimento e produtividade das plantas

O uso destes produtos propicia a expressão do potencial genético das plantas, por meio dos processos vitais e estruturais que dão o equilíbrio hormonal e estimulam o crescimento radicular.

A aplicação destes produtos pode ser via solo, sementes e foliar, potencializando a absorção e eficiência dos nutrientes. Os produtos trazem aumento da biomassa seca, número de frutos e maior resistência a estresses abióticos.

Os bioestimuantes são importantes no desenvolvimento das plantas, pois ao serem aplicados, têm a função de modificar e aumentar os processos metabólicos e fisiológicos das plantas, como divisão celular, alongamento foliar, síntese de clorofila, maior taxa fotossintética, diferenciação das gemas florais, fixação e tamanho de frutos, absorção de nutrientes e, consequentemente, maiores produtividades.

Além disso, por meio da aplicação de certos bioestimulantes pode ocorrer a redução na produção de etileno, que retarda a senescência das folhas, aumentando o período que a planta permanece com a fotossíntese ativa, repercutindo, consequentemente, em aumentos significativos na produtividade.

Um a um

Certos bioestimulantes contêm hormônios vegetais, como a auxina, que é responsável por promover o crescimento radicular e o desenvolvimento vegetal. Este hormônio ainda é responsável por regular processos como alongamento celular, fototropismo, geotropismo, dominância apical e desenvolvimento dos frutos.

A citocinina é responsável pelo crescimento e diferenciação, incluindo divisão celular, formação de órgãos, retardamento da degradação de clorofila, desenvolvimento dos cloroplastos e desenvolvimento das gemas e brotações.

Já a giberelina está ligada à regulação da germinação das sementes e expansão foliar, mobilização de reservas armazenadas no endosperma, florescimento e frutificação.

Os microrganismos podem atuar também como bioestimulantes através de bactérias promotoras de crescimento, fixadoras de nitrogênio e fungos benéficos como os micorrízicos arbusculares que formam simbiose mutualística com as raízes de algumas plantas.

Substâncias húmicas também são consideradas bioestimulantes, que são extraídos da matéria orgânica e têm como principais componentes os ácidos húmicos e fúlvicos. Seus efeitos estão associados principalmente ao aumento na absorção de nutrientes, devido à influência na permeabilidade da membrana celular.

Por isso, aplicações de substâncias húmicas aumentam o crescimento de raízes, folhas e ramos e também estimulam a germinação de sementes de várias espécies vegetais. 

Vale a pena?

A partir do exposto, é possível concluir que o uso dos bioestimulantes favorece a produção agrícola em diversos aspectos, ao participar na eficiência de processos fisiológicos vegetais, apresentando resultados positivos sobre a produtividade e qualidade das culturas.

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