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Brasil aumenta em 1.200% os testes para eficiência alimentar na pecuária

Divulgação

Importante instrumento para selecionar animais de alto desempenho, as provas nacionais aumentaram a base de dados para eficiência alimentar em 1.200% desde 2011. Este importante avanço acontece, justamente, em um momento de forte pressão para redução dos custos de produção, em especial o da nutrição, e a necessidade de redução nas emissões de gases na atmosfera, e a eficiência na utilização dos alimentos se coloca como um caminho viável para atender a estas duas questões.

Eficiência alimentar, em linhas gerais, é uma característica genética transferida dos pais para a progênie e tem sido observado herdabilidades moderada a alta. As provas surgem, então, como um importante instrumento de verificação e têm como objetivo selecionar, em um rebanho de contemporâneos, animais de alto desempenho que sejam mais eficientes na utilização de alimentos e, portanto, mais baratos de manter e de produzir.  

No Brasil, 96% dessas provas de eficiência alimentar são realizadas com a tecnologia da Intergado, empresa de gestão da informação especializada em pecuária de precisão e detentora da patente da solução da Intergado Efficiency. A solução é composta por um sistema robusto de IoT que integra hardware (cochos eletrônicos, plataformas de pesagem e componentes), software (Intergado Efficiency) e inteligência analítica com o tratamento e interpretação dos dados (Robô MAX). A GA + Intergado atua em parceria com centros de pesquisa público/privados e programas de melhoramento genético fornecendo, em tempo real, dados associados ao comportamento de ingestão de alimentos, além do ganho de peso diário de cada animal, necessários para o cálculo da eficiência alimentar. A coleta se dá de forma voluntária e automática, sem a necessidade de contenção e manejo dos animais. E todas as informações podem ser acessadas remotamente.

A capacidade de baixo consumo gera, basicamente, dois impactos. O primeiro deles é a redução do custo de manutenção e de produção do animal, tendo em vista que a nutrição é o maior custo do sistema produtivo — pesquisa da GA+Intergado mostra que o custo alimentar tem representado parcela cada vez maior do custo total de produção (82%, em 2019; 83%, em 2020; e 87%, em 2021). Colocar no sistema produtivo animais que consomem menos, mantendo a produtividade, reduz custo e aumenta a rentabilidade do produtor. O segundo é a redução da emissão de metano, já que, ingerindo menos alimentos, o animal emite menos gases de efeito estufa.  

Nesse sentido, a seleção para essa característica genética torna-se especialmente fundamental para se chegar a uma pecuária mais sustentável. Em novembro do ano passado, o Brasil assumiu a responsabilidade de reduzir em 30% a emissão de metano na atmosfera, compromisso firmado junto a outros cerca de 100 países durante a Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP26). Com animais eficientes no sistema produtivo, a meta de redução de emissão pode ser mais facilmente atingida. 

Isso é fundamental, especialmente porque não há perspectiva no mercado de redução de custo da alimentação animal nos próximos anos. Nesse sentido, a característica de eficiência alimentar deixou de ser um diferencial e se tornou um pré-requisito para a seleção genética do rebanho. A substituição do rebanho comum por animais eficientes no aproveitamento de alimentos é um importante caminho para atingirmos a meta.

“Eficiência alimentar é fundamental para a sustentabilidade de toda a cadeia da pecuária, porque ela vai ao encontro da necessidade do mercado produtor por alta produtividade e baixo custo. Por isso, nos dedicamos a difundir a característica no Brasil e no mundo, além de oferecer aos criadores tecnologia de ponta mais acessível. Isso permitiu que mais entidades e criadores adotassem a eficiência alimentar na seleção genética do rebanho. Depois de 10 anos de muito trabalho das entidades, programas de melhoramento e dos criadores, 2022 representa um marco no qual já foram testadas três gerações de animais no Brasil, ampliando o acesso da pecuária comercial ao sêmen e a animais que carregam esta característica genética”, afirma Marcelo Ribas, fundador da Intergado e vice-presidente da GA + Intergado.

Antes da Intergado, as avaliações eram feitas em baias individuais, por processos manuais e muito trabalhosos, ou por meio de equipamentos importados, que se tornavam inacessíveis pelo custo. Por isso, até então, poucos centros de pesquisa e propriedades rurais realizavam provas para avaliação de eficiência alimentar. Com uma tecnologia nacional robusta, adaptada às condições das fazendas brasileiras, o que se viu foi a difusão do conceito e do uso da eficiência alimentar na seleção genética com consequente popularização do acesso às provas de avaliação para esta característica. Muitos criadores estão se dedicando a avaliar toda a safra de bezerros (machos e fêmeas) e, portanto, adotam a tecnologia necessária para realizar suas próprias provas.

“Hoje, felizmente, mercado, pecuaristas e selecionadores entendem a importância do parâmetro para a evolução da pecuária no Brasil. E vamos seguir testando e evoluindo para oferecer o melhor rebanho ao país e ao mundo”, sintetiza Ribas.

De acordo com Luigi Cavalcanti, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da GA+Intergado, na última década, houve um crescimento exponencial do número de indivíduos avaliados para a eficiência, com destaque para o Nelore, e já há ampla oferta de animais melhoradores para essa característica, bem como acurácia. “Temos, agora, de passar a usá-los mais intensivamente nos rebanhos, e isso será favorecido pela popularização dos novos índices que contemplam a eficiência alimentar, a exemplo do que vem acontecendo no Angus Americano”, explica o médico veterinário e doutor em zootecnia.

Durante estes 10 anos, foram testados mais de 45 mil animais de diversas raças. Foi um trabalho coletivo, uma vez que as tecnologias Intergado foram utilizadas por diversos programas de melhoramento genético, casos da Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP), do Programa Embrapa de Melhoramento Genético de Bovinos de Corte (Geneplus), do Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos desenvolvido pela ABCZ (PMGZ), da Cia de Melhoramento, do Programa de melhoramento Nelore Qualitas e do Programa de melhoramento Delta Gen, assim como de grandes empresas do ramo, como ABS e Alta Genetics. E para reconhecer o empenho dos criadores que mais avaliaram fenótipos para a eficiência alimentar desde 2011, a Intergado entregou, durante a ExpoGenética 2022, o Prêmio “Criadores de Eficiência”. A honraria é inédita e será distribuída anualmente a pecuaristas que oferecem ao mercado animais de alto desempenho e mais eficientes.

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