26.6 C
Uberlândia
terça-feira, abril 23, 2024
- Publicidade -
InícioPecuáriaBovinosBrasil perdeu 96 milhões de hectares desde 1985

Brasil perdeu 96 milhões de hectares desde 1985

Rede aponta Cerrado e Pampa como biomas que mais perderam vegetação nativa proporcionalmente; área de pastagens aumentou 60%.

Cerca de 96 milhões de hectares foram desmatados no Brasil entre 1985 e 2022. Durante o período, a área de pastagens brasileiras aumentou 60%, ganhando 61,4 milhões de hectares, área mais de duas vezes maior que a Alemanha ou quase quatro vezes o estado de São Paulo. Levantamento do MapBiomas, rede da qual o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) faz parte, também aponta a consolidação de duas fronteiras do desmatamento: Matopiba e Amacro.

O avanço do desmatamento no Cerrado foi ainda mais acelerado: metade dele já foi desmatado. A região do Matopiba, principal arco do desmatamento no bioma, ainda concentra 49% de toda a sua vegetação nativa remanescente, mas perdeu 23,6% de suas matas desde 1985. Além disso, a área de agricultura na região, que compreende partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, aumentou 220 vezes no período, enquanto as pastagens subiram 252%.

“A conversão das áreas naturais no Cerrado para usos antrópicos têm seguido um padrão territorial bem definido. Antes de 1985, a maior parte desses usos, como agricultura e pastagens, era concentrada no sul do Cerrado. No entanto, nos últimos 38 anos, notamos que essa perda de vegetação nativa avançou para o interior e o norte do Cerrado, especialmente nas regiões do Bananal e nos estados do Matopiba. Essas regiões são uma das mais ameaçadas do bioma, pois abriga grande parte da vegetação nativa e tem grande importância hídrica para o Brasil”, destaca Bárbara Costa, pesquisadora do IPAM.
 

A pesquisadora também destaca a importância de políticas públicas contundentes para o Cerrado e a proteção de suas áreas remanescentes. Apesar de ocupar 24% de todo o território nacional, desempenhar um papel fundamental na segurança hídrica e ser um hotspot da biodiversidade mundial, apenas 1,7% do Cerrado está protegido por parques e áreas de conservação.

“Precisamos olhar para a região do Matopiba com foco na preservação e conservação do Cerrado. Precisamos fortalecer políticas e metas para reduzir o desmatamento, como o PPCerrado, e repensar o uso do solo. Isso inclui a recuperação de áreas degradadas ou abandonadas e a adoção de práticas agropecuárias mais sustentáveis, que estejam alinhadas com os nossos compromissos para mitigação das mudanças climáticas e que considerem as particularidades regionais, territoriais, sociais e ambientais do Cerrado”, completa.

Os dados foram apresentados durante a cerimônia de lançamento da oitava coleção de mapas de uso e cobertura do MapBiomas. O evento marcou a implementação de novas ferramentas no site da rede, assim como uma apresentação dos dados levantados pelas organizações que fazem parte da rede. A partir de imagens de satélite de alta resolução, pesquisadores são capazes de dividir toda a área do país em 29 categorias de uso.
 

Código Florestal Brasileiro

A perda de vegetação nativa no Brasil se acentuou a partir de 2012, ano da aprovação do Código Florestal Brasileiro. Entre 2008 e 2012, o desmatamento atingiu 5,8 milhões de hectares, mas entre 2012 e 2017, foram derrubados 8 milhões. A tendência fica ainda mais alarmante tendo em vista os dados para o período dos últimos 5 anos, quando foram derrubados cerca de 12,8 milhões de hectares.
 

“Analisando a perda de cobertura de vegetação nativa agrupada em períodos de 5 anos desde 1992, o período de maior perda foi aquele imediatamente antes da aprovação do Código Florestal em 2012. Mas apesar da redução nos anos que seguem o Código, a perda de vegetação nativa se acelerou muito. Estamos nos distanciando do objetivo de zerar o desmatamento até o final desta década”, explica Tasso Azevedo, coordenador geral do MapBiomas.

Atualmente, um terço da área do país é ocupado por pastagens ou lavouras, enquanto 64% do território ainda preserva sua vegetação nativa. Apenas a soja, principal monocultura brasileira, já ocupa 4,63% do território nacional, cerca de 10 vezes a área ocupada por todas as cidades brasileiras.

Agropecuária
 

Entre 1985 e 2022, é evidente o avanço da agropecuária em todos os biomas brasileiros, com exceção da Mata Atlântica. Na Amazônia, a expansão agrícola e pecuária saltou de 3% para 16% de todo o bioma e, no Cerrado, as atividades agropecuárias agora dominam metade dele. Especificamente, as pastagens expandiram-se em 61,4 milhões de hectares durante o período de 1985 a 2022, enquanto a agricultura ocupou mais 41,9 milhões de hectares.

Além do Matopiba, no Nordeste, o oeste da Amazônia, na região das fronteiras entre Amazonas, Rondônia e Acre, batizada de Amacro, também se estabelece como um dos polos da perda de vegetação nativa no Brasil. A área utilizada pela agropecuária na região saltou 10 vezes nos últimos 38 anos, chegando a 5,3 milhões de hectares. Motivados principalmente pela expansão da agropecuária, 25 estados brasileiros perderam área de vegetação nativa nos últimos 37 anos. Em São Paulo, a área se manteve estável, mas o estado segue como uma das unidades com menor área preservada, com apenas 21% das suas matas originais conservadas. No Rio de Janeiro, houve uma leve recuperação da vegetação: de 31% em 1985 para 32% em 2022.

ARTIGOS RELACIONADOS

Ceplac: 65 anos de pesquisa e tecnologia para o cacau brasileiro

Há três anos, em uma área inicial de cultivo de bananas em Barreiras, na Bahia, o produtor Moisés ...

Dia Mundial da água

Água de reúso não representa nem 1% da oferta de água no País. Mas, em Hidrolândia ...

Ubyfol marca presença no Congresso Brasileiro de Soja

Maior produtor de soja do mundo, o Brasil se dedica à produção do grão com muita tecnologia e inovação.

Fazendas de cria: suplementação mineral

Corrigir as deficiências nutricionais, comuns no regime de pastagem, permite exprimir maior potencial produtivo aos animais

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!