Controle de tripes do feijoeiro com Beauveriabassiana

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Nilton Gomes Jaime

Engenheiro agrônomo, M.Sc. e consultor da Cerrado Consultoria Agronômica

ngjconsultor@yahoo.com.br

NiltonCezarBellizzi

Engenheiro agrônomo, doutor e professor da Universidade Estadual de Goiás

 

Beauveria se mostra eficiente no controle de tripes - Crédito Nilton Gomes Jaime
Beauveria se mostra eficiente no controle de tripes – Crédito Nilton Gomes Jaime

O tripes é um dos insetos mais silenciosos das lavouras de soja, feijão, algodão, tomate, videira, hortaliças e outras culturas. Sua ordem nos insetos é chamada Thysanoptera, que tem como principal característica a presença de franja nas asas com cerdas ou cílios longos em uma ou ambas as margens das asas dos adultos.

Estima-se que existam no mundo cerca de 10 mil espécies de tripes, porém, no Brasil calcula-se que existam cerca de duas mil espécies. Os Thysanoptera são divididos em duas subordens: Tubulifera, com uma família (Phlaeothripidae), com cerca de 353espécies conhecidas no Brasil, e a subordem Terebrantia, com cerca de seis famílias conhecidas no Brasil, sendo a mais importante a família Thripidae (132 espécies no Brasil), que detém a maior parte das espécies pragas das culturas.

Os danos causados por tripes são de duas formas. A direta acontecepor meio do aparelho bucal sugador labial triqueta (com três estiletes), que faz uma perfuração no tecido vegetal e dilacera a região para que possa sugar a seiva extravasada. Além disso, defeca pequenas gotas.

O tecido atacado fica exposto e forma pontuações bancas, oriundas da alimentação do inseto. Dependendo da toxicidade da saliva do tripes, este local pode desenvolver uma galha ou apresentar as lesões pontuadas prateadas. O segundo dano é o indireto, que se caracteriza pela transmissão de viroses, que tem maior importância que o dano direto. Duas são as famílias mais importantes no desenvolvimento de danos nas culturas:Phlaeothripidae e Thripidae.

Nilton Jaime, consultor da Cerrado Consultoria Agronômica
Nilton Jaime, consultor da Cerrado Consultoria Agronômica

Conheça melhor

Os tripes da família Phlaeothripidae é a maior família de Thysanoptera, e se caracteriza por apresentar ausência de venação nas asas anteriores nas formas aladas e a porção final do abdômen de forma tubular, sendo que nas fêmeas o ovipositor é reduzido e em forma de uma calha.

A maioria das espécies alimenta-se de esporos e micélios de fungos, outros de substratos vegetais e alguns são predadores de pequenos insetos, porém, nenhuma espécie desta família foi identificada transmitindo viroses (Tospovírus). Os fitófagos são relacionados à formação de galhas, que são respostas fisiológicas das plantas ao processo lesional que esses tripes causam à planta durante a alimentação.

A espécie mais conhecida é a Gynaikothripsficorum, conhecida como lacerdinhas, que se alimenta de folhas de figueira (Ficusspp).Já a família Thripidae apresenta veias longitudinais nas asas anteriores, a porção final do abdômen de forma cônica.

Nilton Cezar Bellizzi - professor da Universidade Estadual de Goiás Créditos -Arquivo pessoal
Nilton Cezar Bellizzi – professor da Universidade Estadual de Goiás Créditos -Arquivo pessoal

Transmissores de vírus

Cerca de dez espécies de Thripidae são comprovadamente transmissores de viroses do tipoTospovirus.NoBrasil, foi registrada a presença de cinco das dez espécies de tripesvetoras de Tospovirus, três do gênero Frankliniella (F. occidentalis, F. schultzei e F. zucchini) e duas do gênero Thrips (T. palmi e T. tabaci) e a grande diversidade de tospovirus: TSWV (Tomatospottedwiltvirus), GRSV (Groundnutringspot virus), TCSV (Tomatochlorotic spot virus), IYSV (Íris yellow spot virus), CSNV (Chrysanthemumstemnecrosisvirus) e ZLCV (Zucchinilethalchlorosisvirus).

Controle

Há, basicamente, três métodos de controle desse inseto praga: o controle químico, o MIP e o controle biológico. No primeiro, são utilizados apenas inseticidas químicos disponíveis hoje no mercado dentro dos três grupos químicos atualmente comercializados, os organofosforados, carbamatos e piretroides.

No MIP (manejo integrado de praga) há a associação dos métodos químico e biológico, utilizando-se concomitantemente inseticidas químicos associados ao controle biológico. No controle biológico utiliza-se unicamente o controle natural e biológico desses insetos, por meio dos inimigos naturais como insetos e fungos entomopatogênicos.

Em todos esses casos, a tomada de decisão é baseada em resultados de monitoramentos da lavoura e deve obedecer aos níveis de danos ou de controle.

O tripes é um dos insetos mais silenciosos das lavouras de feijão - Crédito Nilton Jaime
O tripes é um dos insetos mais silenciosos das lavouras de feijão – Crédito Nilton Jaime

Manejo biológico

Os estudos com fungos entomopatogênicos no Brasil começaram em 1923, quando foram identificadas duas espécies de cigarrinhas infectadas pelo fungo Metarhiziumanisopliae. Esse fungo foi utilizado para combater a cigarrinha Tomaspisliturata, no primeiro trabalho de pulverização realizado no País.

O controle biológico apresenta um efeito mais lento do que o químico, sendo necessárias, portanto, mudanças na política de manejo de insetos-praga. O combate com defensivos químicos normalmente é feito em momentos em que o dano já está consolidado e é preciso uma resposta rápida.

Caliothripsphaseoli
Caliothripsphaseoli

No controle biológico procura-se manter os insetos-praga em baixa população, exigindo ações preventivas e aplicações constantes para manter uma epizootia dos entomopatógenos.

Dentre as interações entre microrganismos e insetos, o parasitismo é amplamente explorado no controle aplicado de pragas na agricultura. Caracteriza-se pela obrigatoriedade da presença do microrganismo, desencadeando um processo de doença e levando o inseto à morte.

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