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quarta-feira, julho 6, 2022
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A importância do fósforo no processo da cafeicultura

 

Cássio Pereira Honda Filho

Engenheiro agrônomo, mestrando em Fisiologia Vegetal ” Universidade Federal de Lavras e membro do Núcleo de Estudos em Melhoramento e Clonagem da UFLA(NEMEC)

cassiop.hondafv@gmail.com

CyntiaStephânia dos Santos

Tecnóloga em Cafeicultura, engenheira agrônoma, mestre e doutoranda em Agronomia/Fitotecnia ” UFLA e membro do NEMEC

cyntia.s.santos@hotmail.com

Fernanda Aparecida Castro Pereira

Engenheira agrônoma, doutora em Genética e Melhoramento de Plantas, Bolsista do Consórcio Pesquisa Café ” UFLA e membro do NEMEC

fernandacpereira01@gmail.com

Mariana Thereza Rodrigues Viana

Engenheira agrônoma, mestre e doutoranda em Agronomia/Fitotecnia ” UFLA e membro do NEMEC

marianatrv@gmail.com

Crédito Daniel Vieira
Crédito Daniel Vieira

“O crescimento e a produção das lavouras são limitados pelo nutriente que se encontra em menor quantidade no solo“. Essa lei, proposta por Liebig em 1843, também conhecida por Lei do Mínimo, é um princípio utilizado bastante na área de agrárias.

Segundo essa lei, a falta de um elemento (nutriente) essencial para o desenvolvimento da planta, seja ele macro (N, P, K, Mg, Ca, S) ou micronutriente (Mn, Zn, Fe, Cu, B, Mo, Cl) é capaz de limitar o desenvolvimento e/ou produção da planta. Resumindo, os nutrientes devem estar disponíveis em quantidades adequadas e no momento certo no solo.

Essencialidade

O fósforo (P) é o terceiro nutriente mais exigido pelo cafeeiro. É um componente de nucleotídeos fundamentais para a planta armazenar e transferir energia em seus processos metabólicos e compõe os chamados elementos ricos em energia, sendo o exemplo mais comum a adenosina trifosfato (ATP), que é utilizada em todas as reações do metabolismo que exijam energia.

Neste sentido, o P influencia o teor de açúcar, gordura e proteína, cuja biossíntese necessita de energia do ATP, promovendo assim a rápida formação e crescimento das raízes, a melhora na qualidade dos frutos, o pegamento da florada, a regulação da maturação e a formação da semente. Além do que foi citado, o fósforo também cumpre um papel fundamental na estrutura de ácidos nucleicos – o DNA e o RNA.

A adubação fosfatada melhora qualidade dos frutos - Crédito Shutterstock
A adubação fosfatada melhora qualidade dos frutos – Crédito Shutterstock

Acúmulo

As plantas acumulam P principalmente de duas formas – uma inativa ou P inorgânico (Pi), denominada de fração não-metabólica, quando ocorre armazenamento do nutriente no vacúolo das células e como P orgânico (Po), fração metabólica localizada no citoplasma de suas células.

A alta eficiência de uso do nutriente é atribuída à capacidade da planta na reciclagem do Pi atendendo às demandas do compartimento metabolizável em momentos de estresse ou quando há maior demanda por P. A compreensão da dinâmica dessas frações fosfatadas na planta auxiliam no entendimento do comportamento da planta em função das adversidades presentes no meio de cultivo.

Disponibilidade de P

De maneira geral, são encontrados baixos teores de P nos solos brasileiros, valores abaixo de 10 mg dm-3, o que implica na limitação da produção.Além disso, este elemento tem adsorção com compostos de Fe, Al e Ca, que são compostos de pouca solubilidade, tornando-se indisponível para as plantas, chamado fósforo não-lábil.

A textura do solo também influencia a fixação do P em solos de textura argilosa, que geralmente têm presença de óxidos de Fe e Al.As plantas absorvem o fósforo presente na solução do solo, chamado fósforo lábil. Este elemento é pouco móvel no solo e absorvido por difusão, processo lento que ocorre próximo à superfície radicular (0 – 10 mm).O elemento passa do meio mais concentrado para o menos concentrado.

O fósforo contribui para maior pegamento da florada - Crédito Shutterstock
O fósforo contribui para maior pegamento da florada – Crédito Shutterstock

Critérios

Para o manejo da adubação fosfatada é necessário ter alguns critérios, dentre eles realizaranualmente a análise do solo, e quando necessário a correção do pH, por meio de calagem.

O pH ideal para a disponibilidade de fósforo às plantas está entre 6,0 e 6,5. A correção prévia dos solos ácidos é de suma importância para o maior aproveitamento do P aplicado às plantas, pois promove a neutralização do Al e de grande parte do Fe, reduzindo sua precipitação.

A recomendação de P pode variar em função da região de cultivo, observando características como tipo do solo, textura, teor do nutriente, carga pendente e idade da planta.

Além disso, cada Estado segue uma recomendação, como por exemplo, Minas Gerais segue as recomendações para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais – 5ª Aproximação.Já São Paulo segue as recomendações de adubação e calagem para o Estado de São Paulo (Boletim 100). Dessa forma, é necessário a consulta ao profissional da área para uma correta interpretação da análise de solo e posterior recomendação de adubação.

Adubação fosfatada aumenta produtividade - Crédito Shutterstock
Adubação fosfatada aumenta produtividade – Crédito Shutterstock

Fornecimento

Conforme descrito anteriormente, o P é pouco móvel no solo, além de ser absorvido por difusão. Por este motivo, é importante o fornecimento próximo à raiz, sob a “saia do cafeeiro“, onde há maior atividade radicular, favorecendo uma maior disponibilidade desse elemento à planta.

A aplicação no cultivo de café em sequeiro ocorre com o início do período chuvoso, para que haja maior solubilidade do nutriente, já que a água é o veículo de transporte desse elemento.

Benefícios para o cafeeiro

O cafeeiro vem se mostrando responsivo à adubação fosfatada, aliado à irrigação. Nas condições de Cerrado do Planalto Central do Brasil, foi observado maior pegamento na florada, taxa de crescimento e vigor de plantas em cafeeiros que receberam doses elevadas de P2O5.

Essa matéria completa você encontra na edição de agosto de 2018 da Revista Campo & Negócios Grãos. Adquira o seu exemplar para leitura completa.

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