Cultivo de coco

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Humberto Rollemberg Fontes humberto.fontes@embrapa.br

Maria Urbana Corrêa Nunes maria-urbana.nunes@embrapa.br

Emiliano Nassau Costa emiliano.costa@embrapa.br

Francisco Elias Ribeiro elias.ribeiro@embrapa.br

Engenheiros agrônomos e pesquisadores da Embrapa Tabuleiros Costeiros

Coco – Fotos: Saulo Coelho

No cenário mundial, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) de 2019, o Brasil ocupa a quinta colocação entre os maiores produtores de coco, com uma fatia de 3,9% da produção total, com 2,33 milhões de toneladas produzidas, atrás apenas de Indonésia, Filipinas, Índia e Sri Lanka. O nosso país, entretanto, possui a mais elevada produtividade comparada aos principais produtores, rendendo mais de 8 mil frutos por hectare.

Em âmbito nacional, o Nordeste é o grande destaque na produção, com 1,13 bilhão de frutos colhidos do total de 1,55 bilhão de todo o país em 2019, segundo dados do IBGE. O Sudeste e o Norte ocupam o segundo e terceiro lugares, respectivamente, com 216 milhões e 185 milhões de frutos colhidos. Em termos de produtividade, o Sudeste está à frente, com 15 mil frutos por hectare, seguido pelo Centro-Oeste, com 11,8 mil e Norte, com 9,9 mil.

Os Estados que mais se destacaram na produção em 2019 foram Bahia, com 333,7 milhões de frutos colhidos, Ceará, com 302,7 milhões, Pará, com 175,2 milhões, Sergipe, com 152,8 milhões, Espírito Santo, com146 milhões e Pernambuco, com 143,5 milhões.

Apesar de ter apresentado redução na área cultivada e na produção nos últimos cinco anos, devido a diversos fatores nos cenários nacional e global – clima, aumento de concorrência internacional e outros –, a cocoicultura brasileira gerou perto de R$ 1 bilhão em valor da produção em 2019, com 188 mil hectares de área plantada.

Em termos de empregos gerados, estudos na área estimam que cada hectare de coco ocupa, em média, três pessoas em emprego direto e que cada emprego direto gera quatro empregos indiretos. Considerando a área colhida, chega-se a mais de 560 mil empregos diretos e mais de 2,25 milhões de empregos indiretos gerados ao longo da cadeia produtiva do coco.

O coco verde pode ser colhido a cada 20-35 dias. As estações climáticas definem apenas a intensidade do consumo de água de coco, sendo de 56% no verão; 19% no outono, 19% na primavera e apenas 6% no inverno. A oferta e a demanda são maiores no período de maior afluência de turismo no litoral brasileiro e de férias escolares. Neste último, o aumento do consumo parece estar associado à substituição do refrigerante e de isotônicos pela água de coco.

Custos envolvidos

Levando em conta o custo estimado de produção de 35 centavos por fruto, os custos iniciais de implantação de um plantio de coqueiro anão são projetados em torno de R$ 10 mil por hectare, com cerca de 205 plantas, mais R$ 5 mil por hectare para implantação de sistema de irrigação automatizado. O retorno do investimento vem a partir do quarto ano da plantação, e a estabilização da produção se dá de cinco a seis anos.

É importante ressaltar que o produtor tem possibilidade de incremento de ganhos nos primeiros anos de cultivo por meio de plantio de culturas consorciadas nas linhas do coqueiro, aproveitando o sistema de irrigação, a exemplo de fruteiras semi-perenes como banana e mamão, ou cucurbitáceas como abóbora e melão.

Nas entrelinhas é possível plantar culturas de ciclo curto, como milho e feijão, em sequeiro, ou até mesmo a mandioca irrigada. A depender do rendimento da produção, essas culturas consorciadas nos primeiros anos podem chegar a cobrir completamente os custos de produção do coqueiro.

Destino

No Brasil, os cultivos destinam-se à produção de coco seco in natura, coco ralado, leite de coco, óleo de coco e outros, derivados do coco seco, e água de coco, a partir do coco verde. As variedades de coqueiro mais utilizadas, conforme suas aptidões, são a Gigante do Brasil da Praia do Forte (GBrPF) para coco seco, e a Anão Verde do Brasil de Jiqui (AVeBrJ) para água de coco.

Plantios com cultivares híbridas, resultantes de cruzamentos das variedades Gigante e Anã, têm apresentado expansão em área plantada no Brasil na última década, pois caracterizam-se pela produção de frutos com dupla aptidão de uso, proporcionando ao produtor a possiblidade de definir a fase de maturação e colheita de acordo com as demandas de mercado.

Ao contrário do que ocorre com a variedade Gigante, cultivada em sequeiro e com baixo nível tecnológico, os plantios com a variedade Anão caracterizam-se, em sua maioria, pela utilização de sistemas intensivos de produção.

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