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Da dialética ao efeito ‘cobertor curto’ na economia

Pensando Estrategicamente, por Antônio Carlos de Oliveira.

Texto publicado originalmente no Diário de Uberlândia

Antônio Carlos de Oliveira/Reprodução

O Presidente da República disse, em evento no último dia (21/03), que “os livros de economia estão superados” ao defender a ação do Estado para diminuir a desigualdade social. Ele disse acreditar que essa “mentalidade” impediu “avanços sociais” durante a história do Brasil. “Toda vez que vamos discutir um avanço social aparece alguém da área econômica para falar que isso é um gasto, que a gente não pode gastar”, disse.

“Quanto custou ao Brasil não fazer as coisas no tempo certo? Quanto custou ao Brasil não cuidar da saúde mais rápido, não alfabetizar o povo na década de 50, não ter feito a reforma agrária antes, não ter acabado com o preconceito racial, não tratar as mulheres com o respeito que elas merecem?”, concluiu.

Antes de entrarmos nessa discussão, é preciso entender um pouco mais sobre Macroeconomia, que é o ramo da Ciência Econômica que estuda o comportamento da Economia como um todo, tendo como focos o Produto, o Emprego, a Inflação, e o Comércio Exterior.

Os principais instrumentos da política macroeconômica são os dispêndios do governo e a tributação (política fiscal), o controle da oferta de moeda e do crédito (política monetária), as intervenções no mercado cambial, a política de comércio exterior e o tratamento dado aos capitais externos de risco (política cambial e as relações econômicas externas) e um conjunto de intervenções diretas nos mecanismos de mercado (política de rendas).

As políticas macroeconômicas são aquelas que visam a objetivos amplos da economia como um todo. Têm a ver com indicadores de bem-estar da sociedade ligados ao crescimento da economia, o pleno emprego, a estabilidade de preços e o controle inflacionário.

Por outro lado, a microeconomia é o estudo do comportamento econômico individual e particular de cada agente dentro de uma economia. Esse tema ignora todos os agentes externos que formam o conjunto geral da economia, focando apenas em mercados específicos e estudando as ações de produtores e consumidores.

Esta narrativa não ameniza nossa falta de planejamento em nível de governo, onde sempre surge alguém com a estrela da sabedoria, tentando “desconstruir” argumentos sobejamente, expostos na extensa literatura já publicada. 

Para ilustrar o que digo, uso a seguinte figura de metáfora – Estamos nos aproximando cada vez mais do inverno. Nesse clima, te convido a fazer uma reflexão: imagine que já está frio, muito frio. É tarde da noite e você se prepara para dormir. Na cama, um cobertor. Você se deita e se cobre. O cobertor esconde seus pés, mas não chega à altura da cintura. Você puxa o cobertor para cima, e ele tampa seu tronco, mas deixa seus pés e pernas de fora. E no vai e vem desse movimento você percebe: o cobertor está curto, e quando se cobrem as orelhas, descobrem-se os pés. É dessa maneira que estamos caminhando com a economia brasileira: descobrindo um lado para cobrir outro.

Estamos requentando o arroz. E o cardápio? O mesmo de sempre. Acabamos reaproveitando as sobras de dias, meses e anos atrás, para matar uma fome que não é de agora. É uma fome antiga, de comida fresca.

É simples: quando a inflação está alta, o juro também aumenta, inibe o crédito, as empresas deixam de produzir e consequentemente começam a demitir os trabalhadores. O desemprego aumenta, cai a renda per capita e automaticamente temos um desaquecimento da economia. Tudo isso impacta no PIB, que diminui significativamente.

O que precisamos refletir é: Diante desse cenário, o que resta ao país é fazer o movimento inverso? Será que simplesmente diminuir os juros, incentivando o crédito, faria com que as empresas começassem a produzir e, por conseguinte, a contratar mão de obra, aumentando a renda? O trabalhador, de forma irracional, não acreditaria que teria aumentado suas possibilidades de compra e começaria a se endividar, dando início novamente a todo esse ciclo vicioso?

Não precisamos, e nem devemos continuar essa luta travada com o cobertor curto, que nos dá a falsa ideia de que estamos aquecidos. Precisamos de medidas econômicas que incentivem nosso crescimento de forma sustentável, para que esse efeito não prevaleça.

De modo geral, os brasileiros não suportam mais a elevação de impostos, pois têm a justificada sensação de que recebem pouco em relação ao que pagam. Então, como melhorar essa conta e aprimorar a nossa economia?

O cerne da questão, e precisamos estar atentos a todos esses fatores, é a baixa competitividade da economia brasileira, por causa dos elevados impostos e encargos trabalhistas, burocracia desanimadora, infraestrutura manca e baixa produtividade devido a uma mão de obra não desenvolvida.

Pensando estrategicamente, cabe ao governo tomar uma medida e atacar esses problemas com coragem, diminuir os gastos públicos e assim reduzir os juros reais sem gerar inflação.

Claro que chegar a essa solução não é algo que acontece do dia para a noite. É só olharmos para trás e observarmos como chegamos até aqui: tivemos um presidente que veio para resolver o problema da inflação, que inclusive aumentou a renda per capita e o salário-mínimo. Depois, com os próximos governos tivemos a criação de programas sociais que foram cada vez mais ampliados. Tudo isso sem que a economia fosse verdadeira e sustentavelmente incentivada. Tudo isso acontecendo sem planejamento.

O que precisamos é que todos os agentes econômicos sofram com o efeito de uma política equilibrada. Não adianta ficar balançando. E para isso, é preciso colocar a teoria em prática. A aritmética não é tão condescendente quanto a eloquência dos palanques. Caso contrário, a conta não fecha, pois, o cobertor é curto.

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