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segunda-feira, julho 4, 2022
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Estudo aperfeiçoa manejo de espécies florestais

Pesquisa contribui com a sustentabilidade na extração do cipó-titica e do óleo de copaíba - Crédito Divulgação
Pesquisa contribui com a sustentabilidade na extração do cipó-titica e do óleo de copaíba – Crédito Divulgação

 

Para sobreviver, uma das alternativas econômicas das populações extrativistas que vivem na região Amazônica é utilizar matérias-primas categorizadas como produtos florestais não madeireiros.

Nessa instância estão inseridas as fibras do cipó-titica (Heteropsis spp.) e o óleo resina de copaíba (Copaifera spp.). “O óleo resina tem potencial medicinal, como destaque o uso como anti-inflamatório e cicatrizante, e a fibra de titica altamente resistente e de fácil trabalhabilidade“, conta a engenheira florestal Carine Klauberg.

No Programa de Pós-graduação em Recursos Florestais, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz“ (USP/SALQ), Carine analisou os fatores (bióticos e abióticos) que afetam o desenvolvimento e produtividade da planta e processos de manejo para que os nativos daquela região possam melhorar a compreensão sobre a ecologia das espécies e auxiliar no aperfeiçoamento das práticas de manejo sob as óticas ambiental, econômica e jurídica.

 “Eles usam esses produtos no próprio consumo ou como moeda de troca por outros produtos ou ganho monetário. Porém, para que as extrações destas matérias-primas ocorram de forma sustentável, ou seja, que ao passar dos anos seja possível a obtenção destes de forma produtiva e de qualidade, o processo de manejo precisa ser adequado para cada situação e espécie“, explica a pesquisadora.

De acordo com o estudo, que foi orientado pelo professor Edson Vidal, do Departamento de Ciências Florestais (LCF) da ESALQ, para estas duas espécies ainda há lacunas que precisam ser entendidas para que o manejo seja melhorado. “Ou mesmo precisamos introduzir novas formas de extração para que a oferta seja contínua e a permanência dessas espécies seja garantida na floresta“, reforça Carine.

Na prática

O projeto foi realizado em área de floresta natural administrada pelo Instituto Floresta Tropical (IFT), no município de Paragominas (PA). “Foram utilizados dados de campo já coletados de 2006 a 2009, assim como uma extensiva coleta de campo de mais informações nos anos de 2011 e 2013“, relata a autora da pesquisa.

No caso do óleo de copaíba, foram selecionadas amostras de 118 copaibeiras e foi avaliada a produtividade física (óleo resina), e monetária (valor presente líquido), ao final de cada ciclo (de um a cinco anos). Já para cipó-titica a pesquisa analisou a produtividade em relação à quantidade e qualidade de suas raízes, após dois anos da extração destes, com intensidades de corte de 50 e 100%, em áreas amostrais de nove hectares.

Como resultado, no caso da copaíba, a probabilidade de produção de óleo resina está relacionada ao diâmetro, à presença de pragas, à qualidade do fuste/copa e às espécies. Segundo Carine, a produção também esteve relacionada com o ciclo e a extração, sendo que os ciclos de três anos mostraram-se mais viáveis, tanto na perspectiva monetária quanto de produção. “Referente às espécies, a Copaifera reticulata proporcionou maiores produções média de óleo resina por árvore, além na menor proporção de árvores mortas ou ocadas, quando comparadas com Copaifera duckei“, complementa.

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