20.6 C
Uberlândia
sábado, abril 20, 2024
- Publicidade -
InícioArtigosExtrato de cebola como bioestimulante

Extrato de cebola como bioestimulante

O extrato de cebola e os resultados na germinação de escleródios de Botrytis squamosa.

Leandro Luiz Marcuzzo
Professor e pesquisador – Instituto Federal Catarinense – IFC/Campus Rio do Sul
leandro.marcuzzo@ifc.edu.br

Leonardo Düsterhöft
Engenheiro agrônomo – IFC/Campus Rio do Sul

A queima-das-pontas da cebola causada por Botrytis squamosa (Walker) é caracterizada como a principal doença foliar na fase de muda da cultura. Os sintomas se manifestam nas folhas por meio de manchas esbranquiçadas, dispostas inicialmente de forma isolada e não esporulante.

Porém, o sintoma característico de maior dano na planta é a queima foliar, ocorrendo do ápice para a base da folha, onde se observa intensa esporulação com aspecto translúcido sobre a parte necrosada da folha.

Lesão de Botritys
Crédito: Sidnei Peres de Souza

Pesquisas

Uma das fontes primárias de inóculo são os escleródios do patógeno e trabalho prévio conduzido in vitro por Marcuzzo & Riscarolli, constatou que os escleródios só germinaram quando foi acrescentado extrato de cebola no meio de cultura.

Para tanto, o conhecimento de novas alternativas de controle é de grande importância em nível de campo para manejo da doença. Diante disso, este trabalho teve como objetivo avaliar em condições de campo o efeito de diferentes concentrações de extrato de cebola como bioestimulante na germinação de escleródios de B. squamosa.

O trabalho foi realizado no Instituto Federal Catarinense – IFC/Campus Rio do Sul de dezembro de 2018 a junho de 2019. Os escleródios foram obtidos pela técnica de raspagem em meio de cultura BDA conforme descrito por Nascimento & Marcuzzo. 

Após a multiplicação, 10 escleródios foram colocados dentro de saquinhos (10 x 4,0 cm) confeccionados de tecido voal e amarrados na extremidade com arame flexível encampado para não haver perdas de escleródios.

Os saquinhos com os escleródios foram depositados a campo protegidos lateralmente em uma armação de madeira de 1,0 x 0,5 m subdivida em três partes com 0,2 m de profundidade contendo solo, onde seis saquinhos foram depositados equidistantes na superfície e seis enterrados a 10 centímetros de profundidade no solo.

O solo utilizado foi um Cambissolo Háplico, com os seguintes atributos químicos: pH em água de 6,0; matéria orgânica de 2,8%; teores de Ca+2, Mg+2, Al+3 e CTC de 4,2; 1,8; 0,0 e 9,54 cmolc.dm-3, respectivamente; saturação por bases de 66,49%, teor de argila de 30 % e teores de P e K de 14 e 134 mg.dm-3, respectivamente.

No dia de implantação do experimento, e mensalmente por mais cinco meses, uma solução foi pulverizada com atomizador manual no volume de 500 L.ha-1, contendo 10% e 20% de extrato de cebola obtida da moagem de escamas de cebola com água destilada em liquidificador por um minuto e comparado com a testemunha, onde foi aplicada somente água destilada.

Detalhes

Em delineamento inteiramente casualizado cada tratamento foi constituído de três repetições (saquinhos) e mensalmente eram coletados em cada posição no solo. Estes foram lavados em água corrente para remoção do solo aderido e, em seguida, foram abertos em bancada, fazendo a avaliação da rigidez do escleródio, por meio da pressão com auxílio de agulha histológica.

Caso não se desintegrasse, era considerado intacto e considerado como viável conforme (3). O percentual de escleródios encontrados em cada tratamentos foram submetidos a análise de variância e se significativos seriam comparados pelo teste de Tukey a 5%.

Constatou-se que em cada mês não houve diferença significativa entre os tratamentos nas duas posições de solo, nos meses em que foram encontrados escleródios (Tabela 1). Na superfície, houve redução significativa a partir do terceiro mês, enquanto que enterrado já no primeiro mês reduziu em mais de 90% os escleródios.

Isso, possivelmente, devido às condições estáveis de temperatura e umidade e da atividade microbiana no solo fez com que degradasse mais rapidamente os escleródios. O percentual de sobrevivência dos escleródios na testemunha ficou inferior ao encontrado por Schelter, no entanto, devido a ter conduzido nas estações mais quentes do ano, ocorreu antecipação da degradação dos escleródios.

Resultados

Na cultura do alho, trabalho realizado por Domingos com extrato aquoso e água residual de indústria de beneficiamento de alho e também a aplicação de pó de alho no solo comprovaram eficiência na germinação de escleródios de Stromatinia cepivora no alho, mas no presente trabalho, o extrato de cebola não apresentou efeito sobre patógeno que ataca a própria cultura.

Mediante os resultados obtidos, o uso do extrato de cebola é ineficaz como bioestimulante na germinação de escleródios de B. squamosa para manejo da doença no campo.

Tabela 1. Porcentagem de sobrevivência de escleródios de Botrytis squamosa submetidos à pulverização com diferentes concentrações de extrato de cebola. IFC/Campus Rio do Sul, 2018-2019

       
TratamentoMês Superfície
123456
10%9 ns4 ns1,33 ns0 ns0 ns0,33 ns
20%8,336,661,660,3310
Testemunha (água)7,6642,6600,661
CV(%)19,1829,7252,9430,0018,7415,00
 Enterrado
10%0,66 ns  0*0 ns 0* 0**0
20%000000
Testemunha (água)0,3300,33000
CV(%)23,61030,0033,3900

ns: não significativo pelo teste de F. * não analisado devido não ter variância.

ARTIGOS RELACIONADOS

Aminoácidos aplicados em grandes culturas

  É importante estudar o efeito isolado de cada aminoácido para o melhor entendimento de seu efeito fisiológico associado a cada fase de crescimento e...

Influência da temperatura e do fotoperíodo na formação de escleródios

Leandro Luiz Marcuzzo Fitopatologista e professor do Instituto Federal Catarinense (IFC) - campus de Rio do Sul marcuzzo@pesquisador.cnpq.br   Pesquisas relacionadas à podridão branca no Brasil ainda são...

Com origem europeia, bioestimulante ajuda a combater danos causados por baixas temperaturas  

Produto utilizado no Brasil desde 2018 pode minimizar os danos do frio intenso em cafezais e hortifrutis

Caquizeiros estressados – Solução para recuperação dos pomares

Os fertilizantes organomineirais são uma opção vantajosa para aumentar a interação entre planta e mineral, reduzindo a adsorção de fósforo e diminuindo a transformação de P2O5 em formas não disponíveis para a planta e ainda ativando o processo de enraizamento precoce. Resultados em campo com o uso de fertilizantes organominerais em fertirrigação mostraram superioridade na produção de frutos e a menor perda de nutrientes por lixiviação.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!