Ferramentas de preparo de solo: Diferencial na silvicultura

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Autores:

Adriana Araujo DinizProfessora Adjunta II – Universidade Estadual do Maranhão (UEMA/CESBA)adrisolos2016@gmail.com

Antonio Santana Batista de Oliveira FilhoMestrando em Agronomia/Produção Vegetal – FCAV/UNESPa15santanafilho@gmail.com

Tarcísio da Silva Vasconcelos Graduando em Engenharia Agronômica – UEMA/CESBAtarcisiovasconcelos589@gmail.com

O manejo de solo é a etapa primordial em diversas áreas da agricultura, dentre as quais a silvicultura, haja vista que na sua fase de desenvolvimento inicial as espécies florestais necessitam de um ambiente propício ao desenvolvimento e fixação das raízes.

O preparo de solo deve, então, ser devidamente planejado afim de evitar prejuízos durante o processo produtivo das espécies. As técnicas de manejo são de extrema importância para o meio ambiente e para a produção florestal, usadas principalmente para evitar a degradação do solo e promover melhorias no estabelecimento e desenvolvimento das florestas plantadas. Sobretudo, estas devem ser também economicamente viáveis (Prevedello, 2008).

Detalhes

O preparo de solo pode ser feito de diferentes formas. Dentre as técnicas utilizadas, há o preparo manual, pouco utilizado, apenas em áreas com baixo nível tecnológico ou de topografia acidentada, baseado em capina e abertura de covas manualmente; preparo semi-mecanizado, em que primeiramente é realizada a abertura, o controle das plantas invasoras e o coveamento com o motocoveador e, por fim, o preparo mecanizado, feito com equipamentos tratorizados, como arado de discos, grades, escarificadores e subsoladores.

Este último é um dos mais utilizados na silvicultura de larga escala, exigindo um preparo eficiente do solo para que se possa descompactar as camadas iniciais do perfil afim de promover a melhor fixação das espécies em cultivo.

Avanços

Nos últimos anos, o cultivo mínimo tem sido incluído como ferramenta de manejo de solos em áreas de silvicultura, principalmente com o avanço da ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) que vem sendo bastante adotada em áreas agrícolas como forma de preservação e melhor utilização dos solos e dos recursos naturais.

O sistema de cultivo mínimo consiste no preparo de solo somente na linha de cultivo, provocando assim uma menor passagem de máquinas sobre a área da plantação, diminuindo a compactação.

Outro princípio desta técnica é a manutenção dos resíduos vegetais, com o uso de herbicidas para o combate das plantas voluntárias, que é um fator crucial no manejo, já que não há a inversão da leiva nesse sistema de cultivo. Esta ferramenta é uma das mais conservacionistas que causam menos impacto ambiental e degradação dos solos.

No entanto, em áreas nas quais várias rotações já foram conduzidas e a presença de tocos dificulta a adoção do cultivo mínimo, preparos de solos mais intensivos são necessários para que a implantação da cultura seja eficiente. Em geral, busca-se um sistema que facilite a absorção de água e de nutrientes, o crescimento satisfatório das raízes e elimine plantas daninhas (Gatto et al., 2003).

Ponto de partida

A implementação de um sistema de manejo de solo começa com um bom planejamento, com um mapa detalhado da área, indicando a localização dos aceiros, carreadores, divisão dos talhões conforme as caraterísticas e histórico do local. Logo após ocorre a limpeza do terreno, que varia de vegetação e topografia e lembrando de sempre respeitar a legislação vigente no local.

Após, deve-se realizar as avaliações químicas e físicas da área. É necessário que seja feita a amostragem do solo, pois é com base na análise química desta que se realiza a interpretação e que são definidas as doses de corretivos e de adubos. Além disso, a avaliação física deve ser realizada para que se possa verificar as condições de compactação, retenção de água, entre outras características, as quais são definidas com base nas análises de granulometria, porosidade, densidade e consistência do solo, entre outras.

A escolha

A escolha do melhor método de manejo deve levar em consideração a estrutura do local e as condições financeiras do produtor. Para a implantação de sistemas mecanizados, o produtor necessitará de máquinas e implementos agrícolas para realizar as operações de descompactação do solo.

Em sistemas de cultivo mínimo, o principal equipamento utilizado é o subsolador na profundidade de até 30 cm e o coveador mecânico.

Além de melhorias no desenvolvimento das plantas, o sistema de preparo do solo escolhido deve possibilitar a reforma do plantio com alteração da direção do alinhamento ou troca do espaçamento. Isso se deve ao mecanismo que possibilita o rebaixamento e corte dos tocos remanescentes e ao afastamento dos resíduos da linha de plantio, permitindo a formação de novas linhas.

Deve-se adotar sistemas que combinem equipamentos de preparo do solo, afastamento dos resíduos, herbicidas e adubação afim de suprir todas as necessidades da planta.

Os solos brasileiros possuem uma composição mineralógica de nutrientes primário pequena, logo, a capacidade de manutenção da fertilidade do solo também é reduzida. Os teores de macro e micronutrientes nesses solos baixos ou muito baixos podem causar grandes perdas no potencial produtivo, como por exemplo, o cultivo sucessivo de várias rotações de espécies florestais causam um grande impacto nas reservas dos solos, resultando em queda da qualidade das áreas produtoras.

Logo, o sistema de manejo deve visar o equilíbrio entre a entrada e saída de nutrientes, e o ciclo que tem com os mesmos é estratégico para a manutenção da produtividade das florestal.

Produtividade

O avanço no manejo de solo na silvicultura provocou aumento significativo da produção, em que, na década de 65, a média do Eucalyptus era de 10 m³ ha-1 ano-1, atingindo atualmente marcas acima de 40 m3 ha-1 ano-1.

Estudos realizados por Prevedello (2008) indicam que o plantio direto de Eucalyptus ocasionou o crescimento inicial em solo com maior resistência e densidade e menor macroporosidade e porosidade total, quando comparado aos preparos com mobilização, especialmente na camada superficial.

Gatto et al. (2003) concluíram que os métodos de preparo do solo interferem nas características físicas e químicas do solo, refletindo na dendrometria e na produção de biomassa, sendo que o preparo mais intensivo do solo contribuiu para o maior crescimento das plantas, disponibilizando mais nutrientes e reduzindo plantas competidoras.

Sem errar

Os erros mais frequentes na implantação do manejo do solo se dão pela não avaliação das características físicas e químicas do local, bem como características topográficas e ambientais.

A não observação desses parâmetros pode levar a erros de recomendações de adubações e ferramentas de manejo, como profundidade de descompactação, o que ocasionará prejuízos para o desenvolvimento da planta.

Para evitar os erros, é necessário que o produtor busque conhecer muito bem as características da área de cultivo e definir o melhor método e equipamentos a serem utilizados. O crescimento das plantas em função do revolvimento do solo deve ser monitorado durante todo o processo produtivo. As características físicas são importantes aliadas na decisão de que manejo empregar na produção.

Custo

O custo de implantação do manejo de solo deve ser observado principalmente no que diz respeito à disponibilidade de maquinários e à implantação de sistemas, como o cultivo mínimo, que visam a manutenção das características químicas e físicas.

Inicialmente, estes possuem custos um pouco mais elevados, mas com a implantação, após alguns anos os custos são reduzidos, pois o perfil do solo, ao longo dos anos, é construído, afim de evitar manejos sucessivos e desgastes constantes do local.

O investimento em ferramentas eficientes de preparo de solo é, então, altamente necessário, sendo o custo-benefício favorável ao produtor, em que, ao longo dos anos, com um manejo adequado o mesmo conseguirá alcançar altas produtividades e um produto com melhor qualidade para o consumidor final.