Transformação digital no agronegócio

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Autores

Djalma Teixeira de Lima Filho – CEO | Partner da Agsus – djalma@agsus.com.br
José Fratari – COO | Partner da Agsus – fratari@agsus.com.br

Tecnologia _ Créditos: Shutterstock

Devido as suas características de grande biodiversidade, condições edafoclimáticas satisfatórias e enorme área agricultável, com solos férteis, e com capacidade de expansão, sem provocar o desmatamento, o Brasil possui uma aptidão inquestionável para o agronegócio.

Aliado a essas características, o agronegócio brasileiro vem incorporando também progressos técnicos sem precedentes ao longo dos anos, tais como, o desenvolvimento de melhores práticas de manejo, melhoria genética vegetal e animal, uso racional de seus recursos naturais, dentre outros, permitindo obter aumentos de produtividade e maior rentabilidade.

Por tudo isso, o setor ocupa um lugar de destaque, não só pela sua capacidade de produção de alimentos, mas também devido à questão econômica, sendo grande responsável pela geração de empregos e por alavancar a economia do país.

E os números comprovam estas afirmativas. Em meio à grande turbulência econômica mundial, provocada pela pandemia do coronavirus, e confirmando as expectativas de vários especialistas, de que o agronegócio deveria sofrer menores perdas, ou até mesmo que deveria ser o único setor a crescer em 2020 no Brasil, o segmento registrou alta no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no 1º trimestre, na comparação com os 3 últimos meses de 2019, de acordo com o divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O crescimento foi de 0,6%, impulsionado pela atividade agropecuária básica, sobretudo pela grande produção de grãos, com destaque para a soja, que deve alcançar uma produção recorde estimada em 120 milhões de toneladas, ganho de 5,1% em relação à safra 2018/19, segundo os dados  do décimo levantamento de acompanhamento da safra brasileira, divulgado pela CONAB, colocando o país como maior produtor mundial deste produto.

Por outro lado, segundo dados compilados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), as exportações do Agro bateram recorde em 2020 no acumulado de janeiro a maio e fecharam em US$ 42 bilhões, representando o maior valor já registrado para os primeiros 5 meses do ano. O resultado apresenta um aumento de 7,9% em relação ao mesmo período do ano passado. O superávit comercial foi de US$ 36,6 bilhões, superando o recorde anterior do ano de 2018. Os principais produtos exportados foram soja em grãos (US$ 16,3 bilhões), a carne bovina in natura (US$ 2,8 bilhões), a celulose (US$ 2,6 bilhões), a carne de frango in natura (US$ 2,6 bilhões) e o farelo de soja (US$ 2,3 bilhões).

No entanto, apesar de toda essa perspectiva otimista para o agronegócio, o campo enfrenta vários desafios que vão desde uma conjuntura política, obstáculos de infraestrutura, logística e distribuição, a fatores econômicos como alta do dólar, que encarecem o custo de alguns insumos, problemas relacionados ao mercado interno e escassez de mão de obra qualificada, sem contar que a crise global ocasionada pelo COVID-19  agravou  os cenários de intensa volatilidade, incertezas, complexidade e ambiguidade que caracterizam o entorno corporativo das empresas do agronegócio.

E então, a questão é, como manter o crescimento em um contexto de desaceleração da economia mundial e ao mesmo tempo promover a sustentabilidade dos negócios?

Através de uma gestão eficiente, que prioriza a redução de custos e maximização de produtividade e rentabilidade e com o desenvolvimento e o emprego de tecnologias inovadoras, capazes de gerar soluções inovadoras e disruptivas.

Automatizar os processos, coletar, consolidar e analisar dados de forma eficiente, precisa e atualizada, permite potencializar a tomada de decisão e obter altas performances de produção e qualidade.

Com o surgimento e emprego da agricultura de precisão, agricultura 4.0 e da internet das coisas, é possível conectar cada vez mais todas as atividades relacionadas ao campo, otimizando também o uso dos recursos naturais e diminuindo ao máximo os impactos ao meio ambiente.

Através do emprego dos conceitos de agricultura de precisão é possível otimizar a aplicação de insumos com tecnologia de Taxa Variável, baseado em zonas de manejo, monitorar as lavouras com a interpretação de imagens diárias obtidas por drones e satélites, gerenciar os dados da propriedade e dados meteorológicos,  tudo isso através de uma plataforma tecnológica.

Assim como na agricultura, a Pecuária 4.0, também já é realidade e permite uma produção mais sustentável. Rastrear a carne que chega ao prato do consumidor e saber de onde e como foi produzida, além de chips eletrônicos para avaliar o ganho de peso dos animais, bebedouros e comedouros automáticos, termografia infravermelha usada para monitorar bem-estar animal, entre outros aparatos tecnológicos, já estão cada vez mais disponíveis e acessíveis aos produtores.

Também, a cada dia novos segmentos, novos conceitos e inovações, são transformados em realidade e passam a fazer parte do nosso cotidiano, transformando os nossos hábitos de consumo, transporte, logística, alimentação e compras. Nesse sentido, as startups do agronegócio, definidas como agtechs, surgem como grandes e promissoras oportunidades de transformação e de interação do homem com o campo, impulsionando ainda mais o setor.

Um bom exemplo disto é o que oferece a startup Optime, que emprega algorítimos e conceitos da Pesquisa Operacional, aliados à computação avançada, para encontrar as melhores soluções de otimização das operações logísticas, aplicadas às mais diversas atividades do agronegócio, otimizando custos e produtividade.

A Embry, outra startup do setor, que está sendo lançada no final de julho, surge no mercado com uma proposta de marketplace, inicialmente para a comercialização de sêmen animal, evoluindo nos próximos meses a toda uma gama de produtos e serviços para pecuária, com o objetivo de facilitar e promover negócios.

Enfim, as inovações no Brasil, sobretudo as que promovem soluções ao agronegócio, têm apresentado um crescimento importante nos últimos anos, ainda que tenhamos formalmente registradas pela ABStartups apenas cerca de 330 agtechs, caracterizando um alto potencial de crescimento em um futuro próximo.A tendência é que cada vez mais surjam projetos que vêm a resolver problemas reais,  favorecendo a geração de empregos, o lucro e a sustentabilidade para aqueles que compram suas soluções. E nesse ambiente, é mister ressaltar a importância e a necessidade de atuação das venture builders, promovendo e estimulando para que mais empreendimentos inovadores prosperem.

Nós da Agsus AgriFunding estamos inseridos neste contexto, implementando a transformação estratégica e digital em empresas da economia tradicional, e em outra vertical, também atuando como Venture Builder, investindo e acelerando startups do agronegócio em estágios iniciais, com o objetivo de desenvolver e viabilizar iniciativas inovadoras e tecnológicas que tragam incrementos substanciais e mudanças disruptivas no agronegócio, gerando impacto positivo nos resultados das empresas e na sociedade.