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Níquel ajuda no controle de doenças fúngicas da soja

Autores

Aldeir Ronaldo Silva Engenheiro agrônomo e doutorando em Fisiologia e Bioquímica de Planta – ESALQ/USPaldeironaldo@usp.br

João Pedro Ramos da Silva Engenheiro agrônomo – Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFPE) – joaopedro_r@outlook.com

Lavoura – Crédito Shutterstock

Há alguns anos atrás o níquel ainda não era considerado um elemento essencial, sendo tido até mesmo como tóxico para algumas plantas. Contudo, nos últimos anos foi comprovado que ele atende aos critérios de essencialidade, pois é componente da enzima uréase e também pelo fato de algumas leguminosas não conseguirem concluir seu ciclo de vida sem ele.

Além disso, por ser componente da enzima uréase, o Ni possui bastante importância no processo de reciclagem de nitrogênio na planta. A aplicação do Ni proporciona mudanças fisiológicas, como o acréscimo da atividade da enzima urease que está diretamente relacionada aos danos causados por patógenos.

Pesquisas têm mostrado o Ni fornecendo uma maior resistência para as plantas de soja em relação à ferrugem asiática, por exemplo. Entretanto, é importante destacar que o Ni não vai substituir um fungicida convencional – ele apenas possui o papel de atenuar os efeitos da ferrugem, podendo variar de acordo com o grau de infestação.

A técnica

O níquel é um importante elemento para a planta, pois auxilia no processo de fixação biológica. Entretanto, para o uso eficiente no controle de doenças fúngicas é necessário a aplicação de dose adequada.

O níquel é um elemento que, em alta dosagem, provoca toxicidade, enquanto sua ausência representa baixas produtividades e maior suscetibilidade ao toque de doenças fúngicas. Dessa forma, o primeiro ponto para implementar a técnica é escolher a dosagem adequada.

Outro fator importante para ser adotado no manejo é quanto à disponibilidade do níquel no solo. A maior disponibilidade do níquel para a planta ocorre em pH baixo, entre 5,1 e 5,6, quando há maior disponibilidade.

Outro fator que deve ser ressaltado é o conteúdo de matéria orgânica no solo, que aumenta a absorção do níquel e diminui as toxicidades.

Produtividade

O uso do níquel promove o incremento da produtividade por causa dos seus efeitos direto e indireto. O efeito direto está relacionado ao controle da incidência de ferrugem, o que possibilita às plantas maior atividade fotossintética por consequência aumento da produção.

No caso do efeito indireto, está o aumento da absorção de nitrogênio a partir do uso do níquel, já que o mesmo participa da regulação do processo de fixação de nitrogênio. A partir do aumento do nitrogênio absorvido pela planta, há aumento da concentração de clorofila, proteínas, aminoácidos e carboidrato. Todo esse aumento resulta no aumento da produtividade.

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Outros processos fisiológicos e bioquímicos também são melhorados, como regulação estomática, aumento da atividade das enzimas redutase e desidrogenase.

Em campo

Pesquisas apontam que cada espécie requer proporções ideais de níquel, balanceadas afim de prevenir a concorrência com outros nutrientes. Experimentos realizados apuraram que os melhores resultados foram obtidos por meio da aplicação feita por pulverização foliar de solução de sulfato de níquel (NiSO4), quando comparados à aplicação diretamente ao solo, mesmo com diferentes espécies.

Outros estudos averiguaram que a aplicação de sais de níquel em baixas concentrações diminui a incidência de doenças causadas por Helminthosporium oryzae e Pyricularia oryzae em plântulas de arroz, e ferrugem no amendoim e soja.

Além disso, é possível verificar um aumento na produtividade de algumas espécies, como no caso da soja, que pode chegar a cerca de 15%, quando pulverizadas com o micronutriente, podendo o Ni atuar no controle das doenças fúngicas que acometem a cultura e, dessa forma, aumentar sua produtividade indiretamente. 

Em suma, pode-se dizer que o níquel é um nutriente que pode contribuir tanto com a sanidade como com a produtividade das culturas.

Erros frequentes

As plantas podem apresentar alguns sintomas após a aplicação em excesso de Ni, como crescimento reduzido das raízes e da parte aérea, deformação de vários órgãos e clorose, sendo o último oriundo da menor absorção de ferro.

Além disso, aplicações de quantidades abaixo do recomendado também podem acarretar em queda na produção. As aplicações foliares em horários ou dias mais quentes comprometem a absorção do micronutriente pelas plantas.

Assim, é importante que sejam realizadas análises químicas e de tecido para verificar o equilíbrio nutricional das plantas. Além disso, cabe destacar que cada espécie possui uma faixa ótima do nutriente para operar, logo, uma planta de soja precisa de uma quantidade de níquel diferente de uma planta de milho, por exemplo. É importante evitar dias quentes e horários de temperaturas elevadas para realização da aplicação via foliar.


Pesquisas

De acordo com pesquisas realizadas em cultivares de soja, foi observado que aplicações de Ni via foliar trouxeram benefícios à cultura. Com a aplicação de 44 g de Ni por hectare, ao custo de R$ 5,00, visualizou-se ganho de dois sacos de soja por hectare, totalizando 85 reais de ganho extra, graças à aplicação do nutriente.

Com a crescente necessidade de aumento na produção e produtividade das culturas, o uso do sulfato de níquel entra como um recurso para fortalecer ainda mais a atividade agrícola. Além disso, é importante ressaltar que calagem é um fator que limita a quantidade de Ni trocável no solo, pois interfere na sua disponibilidade, sendo a sua disponibilidade inversamente relacionada ao pH do solo.

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