Nuvem de gafanhotos: pesquisadores da Epagri preveem que insetos devem chegar ao Uruguai

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Gafanhotos – Imagem da Internet

Os pesquisadores da Epagri Kleber Trabaquini, doutor em sensoriamento remoto, e Marcelo Mendes de Haro, doutor em entomologia, conseguiram demonstrar, de forma simulada, a trajetória que os gafanhotos da espécie Schistocerca cancellata poderão percorrer durante os próximos três dias. Os gafanhotos estão agrupados em nuvem no território da Argentina e, de acordo com os cálculos dos profissionais da Epagri, devem seguir para o Uruguai nos próximos dias.

Para prever a trajetória dos insetos os pesquisadores utilizam o modelo Noaa Hysplit, que leva em consideração variáveis comportamentais do inseto e medidas climáticas da região. Em relação ao inseto, os parâmetros de entrada utilizados foram relacionados ao seu comportamento de voo, como altitude que pode atingir e horário em que o inseto usualmente decola e pousa. Já as variáveis ambientais utilizadas levaram em consideração as coordenadas geográficas iniciais da população, neste caso a localização de Corrientes, na Argentina. O modelo climático Global Forecast System (GFS) também foi utilizado, baseando-se em variáveis de pressão atmosférica, direção e velocidade do vento, com uma precisão de 25km.

No mapa desenvolvido pelos profissionais da Epagri fica evidente que a nuvem de insetos, que se encontra na federação Argentina, na província de Corrientes, possui uma tendência de adentrar ao território uruguaio nos próximos dias. Dependendo da altura de voo do inseto, que pode variar entre 50, 100 ou 200 metros do nível do solo nas condições climáticas deste período do ano, a nuvem poderá alcançar 250 km (traçado verde), 300 km (traçado amarelo) ou 450 km (traçado vermelho), respectivamente.

Na simulação de um voo de 50 e 100 metros acima do nível do solo, mais comum para estes insetos, os resultados demonstram que eles poderão chegar até o Departamento de Rivera, localizada no Norte do Uruguai, em até três dias. Já na simulação realizada com 200 metros acima do nível do solo, os insetos podem atingir o Departamento de Cerro Largo, Nordeste do Uruguai.

Os pesquisadores da Epagri lembram que o modelo climático GFS é atualizado diariamente, o que pode modificar os resultados da simulação. Assim, os estudiosos destacam que simulações diárias são essenciais para a precisão dos resultados e previsão da trajetória do inseto.