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terça-feira, julho 5, 2022
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O agronegócio diante da eleição presidencial

Autor

Marcos Fava Neves
Professor titular das Faculdades de Administração da USP-Ribeirão Preto e EAESP/FGV-São Paulo, e especialista em planejamento estratégico do agronegócio
favaneves@gmail.com

Começamos nosso planejamento com as últimas projeções do Boletim Focus: inflação de 2018 agora em ligeira redução para confortáveis 4,13% e a de 2019 se manteve em 4,20%.

O PIB de 2018 chega a 1,36% e o de 2019 apresenta crescimento de 2,50%. Para a taxa de câmbio, o valor em dezembro foi de R$/US$ 3,70 e R$/US$ 3,76 para 2019. E, finalmente, a taxa Selic para estes dois anos seria de 6,50% e 8,00%, respectivamente. No geral, melhoramos os indicadores em relação a outubro de 2018, provavelmente com crescimento da confiança e anúncio inicial da equipe do presidente Bolsonaro.

 Poucas alterações na segunda estimativa da CONAB para a safra 2018/19. Em soja podemos colher entre 116,8 milhões e 119,3 milhões de toneladas, plantadas em cerca de 36 milhões de hectares. No milho, a Conab estima que produziremos algo no intervalo 90 a 91 milhões de toneladas, plantados em 16,7 milhões de hectares.

As exportações do agro em outubro cresceram 5,7% em relação ao mesmo mês de 2017 e chegaram a US$ 8,48 bilhões, deixando um saldo de US$ 7,3 bilhões. Fortes aumentos na cadeia da soja (quase 80% a mais, cerca de US$ 2,62 bilhões), com incríveis 5,35 milhões de toneladas (115% a mais) exportadas nos grãos, que trouxeram renda 125% maior (US$ 2,11 bilhões).

As carnes caíram 5%, mesmo com o recorde de vendas mensais de carne bovina (136.000 toneladas). Produtos florestais outra vez surpreenderam, com 10,2% a mais. Entre janeiro e outubro chegamos a US$ 85,14 bilhões no total exportado e um saldo de US$ 73,42 bilhões. As exportações devem passar dos US$ 100 bilhões pela primeira vez na história do Brasil.

Foram 30 dias sem boas novidades nos preços das principais commodities exportadas pelo Brasil. O índice da FAO (preços das commodities) mostrou queda de 0,9% em outubro e está 7,4% menor que na mesma época do ano passado. A queda em novembro foi puxada por carnes, óleos e lácteos. O índice vem caindo desde maio. No caso dos cereais, subiu 2,2% e os preços estão 9% acima do ano passado, valores em dólar.

Mas as margens para nossos produtores de cereais podem ser mais complicadas na safra 2018/19. Em momento importante de compras de insumos, o câmbio acima de R$ 4,00 os fez mais caros. Se o câmbio permanecer nos valores de R$ 3,70 durante a safra, quem também não vendeu nada dos produtos ao câmbio de R$ 4,20 (lembrando que anteriormente recomendei fortemente a venda) terá um descasamento.

A consultoria Céleres estima margens 27% menores. Segundo o Rabobank, gastos com fertilizantes foram de 15 a 35% maiores e com defensivos, cerca de 20%. As chuvas frequentes também podem trazer maior necessidade de controles e investimentos em defensivos.

A menos que tenhamos valorização de preços, o que aparentemente não ocorrerá caso as safras se comportem bem, virá um período de mais aperto, apesar dos preços em reais permitirem margens positivas aos bons produtores.

O que fazer?

A mensagem aqui é a de prestar atenção a estes movimentos e seguir buscando vender produtos com menor volume e maior valor, em que o peso do frete seja mais diluído.

Concluo com um sentimento recente de satisfação com os novos rumos do Brasil. O presidente Bolsonaro vem indicando quadros de perfil técnico e sinto nas pessoas uma sensação maior de civismo e vontade de fazer a diferença. Isto é uma grande mudança em relação à sensação anterior de não ver futuro pela frente. Este otimismo pode ajudar na aceleração da economia, do consumo, criando mais oportunidades e aumentando a sensação de bem-estar.

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