O minipepino ainda é pouco explorado

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Autor

André Rocha Duarte
Engenheiro agrônomo e Mestrado em Fitopatologia – Universidade Federal de Viçosa (UFV)
agronomia@finom.edu.br

Créditos: Shutterstock

O minipepino (Melothria pendula L.) é uma planta, digamos assim, muito ou pouco conhecida e, neste imbróglio, quando muito conhecida é dita “do mato”, ou seja, aquela “plantinha” bonitinha e que passa a ser pouco valorizada ao ponto de pensarmos em investir em uma produção mais robusta ou, no segundo caso, quando pouco conhecida, é, em princípio, vista de forma desconfiada ou que pode ser menosprezada a priori.

Entretanto, o que ocorre, agronomicamente falando, passa a ser uma opção do produtor por atender o mercado in natura ou para direcionar aos restaurantes que utilizam o minipepino para adição em saladas ou para conserva, nicho que cresce a cada ano.

Contudo, embora o minipepino tenha, em geral, os mesmos coeficientes técnicos de produção do pepino comum (Cucumis sativus L.), este perde para o minipepino no quesito de maior resistência ao clima frio e a algumas pragas e doenças que o afetam há milênios. Mas, devemos levar em conta que pragas e doenças coevoluem com suas plantas hospedeiras e levam gerações para tal adaptação e, no mais, tal coevolução depende do aumento da área plantada com a espécie vegetal e a monocultura ao longo dos anos.

Desafios no campo

Os desafios abrangem uma série de necessidades que levam em conta a forma de produção que, embora obedeça aos preceitos aplicados às hortaliças de tamanho usual, necessitam de uma análise local e aprofundada que vão desde a tecnologia disponível até a identificação do mercado consumidor, que direcionarão local de produção, insumos e, o mais importante, a mão de obra disponível.

Isso porque após o início da produção a colheita será praticamente diária e especializada, em que o desperdício e a perda do “ponto” de colheita não poderão estar no ranking de opções, além do fato de que o investimento em sementes desta categoria de hortaliças, em geral, é maior.

Solos

O preparo do solo é exatamente o mesmo praticado para o pepino comum e pode ser cultivado em vasos, no interior de casas de vegetação e até mesmo em sistemas de hidroponia. Entretanto, o potencial hidrogeniônico (pH) do solo deve ser mantido entre 6 e 6,8 e a textura leve do solo (menos argila) é preferida. A drenagem do local deve ser garantida, pois estas plantas não toleram encharcamento.

Os adubos utilizados são exatamente os mesmos para a cultura tradicional do pepino, contudo, estudos científicos precisam ser realizados para a determinação de parâmetros de correção química do solo e o emprego de nutrientes em forma e quantidade adequadas à cultura.

Entretanto, já é sabido que solos com elevado teor de matéria orgânica são satisfatórios para a produção. Assim, o emprego de plantas direcionadas à adubação verde (mucunas, crotalárias, etc.) podem ter um grande potencial de uso, mas este é outro parâmetro que exige estudo e avanços científicos.

Controle fitossanitário

Com a evolução do plantio em maiores escalas, as pragas e doenças demonstrarão sua potencialidade de danos à cultura, mas, em tese, o manejo de doenças e pragas deve respeitar o que já é de conhecimento dentro da família de hortaliças do minipepino.

Acima de tudo, a agricultura familiar possui um enorme potencial de uso de minipepino nas conservas e demais consumos para esta hortaliça.

Oferta e demanda

Poucos dados concretos estão disponíveis nos sítios de pesquisa e compilação de dados de produção e comércio destes produtos, mas o Sul do Brasil tem-se destacado na produção de produtos “mini”, tais como a melancia e o minitomate. Nestes Estados, em especial no Rio Grande do Sul, no caso do minipepino, não foram encontrados valores médios de produção para exemplificação.

Esses mesmos Estados do Sul do Brasil têm direcionado sua produção para o Centro-oeste do Brasil, onde, por vezes, os produtores não conseguem produzir devido às condições climáticas de dias longos e menor índice pluviométrico nos meses de dezembro a fevereiro.

Vale ressaltar que, inicialmente, a demanda para tais produtos mini foram as cozinhas “Gourmet” e/ou “Premium”, mas que tal demanda já ultrapassa os limites destas classes, se popularizando a cada ano.

Colheita

O início da colheita se dá aos 40 dias após a germinação e, assim, já promove a possibilidade de venda e retorno do capital investido e, adicionando ao fato de que, em condições de solo fértil, água em condições ideais e permanência de temperaturas médias entre 18 e 30º C, o minipepino pode ser cultivado como planta perene e produzir por vários meses.

Investimento

Dentre todos os insumos requeridos para o cultivo destas hortaliças, a semente é, sem sombra de dúvidas, o que irá demandar maior aporte de capital do produtor, portanto, o produtor deve se preparar para desembolsar algo em torno de até 60% a mais para o investimento em sementes, quando estas estão disponíveis.

Na atualidade, sementes de minimelancias, da mesma família dos pepinos (Cucurbitaceae), são mais facilmente encontradas e ficam neste patamar.

Custo x rentabilidade

Os preços têm se mantido mais estáveis e são mais elevados frente aos praticados para os produtos de tamanho “normal”. Assim, alguns destes produtos podem ter, no varejo, uma diferença de até 1.000%, que é o caso da minicenouras (Hortifrúti Brasil, 2013).

Assim, para se ter uma ideia, no caso do minipepino já é demonstrado valor, no preço de venda, da ordem de R$ 4,25 (pacote de 200 gramas), levando ao preço do produto no quilo de R$ 21,25, enquanto que o pepino tradicional gira em torno de R$ 2,07/kg, promovendo uma variação de mais de 900%.