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O protagonismo do agronegócio não pode ser ofuscado por narrativas políticas

Imagem ilustrativa mostra plantação de cana/Foto: Embrapa Agroenergia

Pensando Estrategicamente, por Antônio Carlos de Oliveira

Texto publicado originalmente no Diário de Uberlândia

Ngozi Okonjo-Iweala, diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), reconheceu: “Eu sei, o Mundo não sobrevive sem a agricultura brasileira”, disse.

O agronegócio continua figurando como o grande protagonista da economia brasileira, ele baseia-se na união de diversas atividades, chegando a representar boa parte do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Sendo assim, está ligado à produção de itens derivados da pecuária e agricultura. 

No ano passado, o setor representou desempenho próximo de 26% do PIB, sendo responsável pela boa movimentação da economia brasileira, no entanto deve-se preparar para os desafios e tendências para o próximo ano, em especial, com relação à gestão em diversos âmbitos.

O cenário aponta perspectiva para a safra brasileira de cereais, devendo colher 296,2 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas neste ano, um volume recorde. Os dados, do terceiro prognóstico para a safra 2023, divulgado em (12/01), de acordo com o 3º prognóstico do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), preveem um aumento de 12,6%, o equivalente a 33,1 milhões de toneladas, em relação à safra estimada de 2022, de 263,2 milhões de toneladas.

Em relação a 2022, são esperados aumentos nas produções de soja (24,1% ou 28,8 milhões de toneladas), na primeira safra do milho (16,2% ou 4,1 milhões de toneladas), na segunda safra do milho (2,5% ou 2,1 milhões de toneladas), no algodão herbáceo em caroço (1,3% ou 53 mil toneladas), no sorgo (5,3% ou 150 mil toneladas) e na primeira safra do feijão (3,7% ou 40 mil toneladas).

As exportações do agronegócio somaram US$ 159,09 bilhões em 2022, com alta de 32% em relação ao ano anterior. De acordo com a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) do Ministério da Agricultura e Pecuária, os preços internacionais das commodities agrícolas influenciaram o desempenho.

O setor foi o que mais gerou empregos formais, a empregabilidade do setor aumentou em 2022, tendo, no terceiro trimestre deste ano, 19,07 milhões de pessoas em atuação. Os dados são computados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad-contínua) e na Relação Anual de Informações Sociais (Rais).

Reflitam comigo …  é necessário expandir nossos pensamentos e compreendermos que as atividades e os impactos do agronegócio não se limitam a apenas partes de terra. O Agronegócio pode ser definido como: “a soma total das operações de produção e distribuição de suprimentos agrícolas, das operações de produção na unidade de produção, do armazenamento, do processamento e da distribuição dos produtos agrícolas e dos itens produzidos por meio deles.”

Por mais que tal atividade exerça um papel impactante em solo nacional, ainda é importante destacar o debate dos impactos do agronegócio no Brasil, em sua economia e no meio ambiente. 

O Monitoramento da Cobertura e Uso da Terra mostra que, desde o início da série histórica da pesquisa, em 2000, a área agrícola cresceu 44,8%, chegando a 664.784 km² em 2018, o equivalente a 7,6% do território nacional, considerando a parte terrestre e marítima do país.

A área agrícola do Brasil cresceu 3,3% entre 2016 e 2018, como aponta o Movimento da Cobertura e Uso da Terra, divulgado recentemente pelo IBGE, e disponível na Plataforma Geográfica Interativa. 

Portanto, o Brasil se apresenta como um país favorável ao agronegócio. Isso porque ele possui um solo rico, período de chuvas regulares e abundância de água doce. O país possui cerca de 388 milhões de hectares de terras férteis para o cultivo.

Além de grande participação no PIB o agronegócio brasileiro representa cerca de 48,1% das exportações. A informação é do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP

Pensando estrategicamente: … Alta tecnologia aplicada na produtividade do agronegócio brasileiro e a utilização massiva da tecnologia no campo, busca fortalecer sua posição em relação ao mercado internacional, o produtor rural adapta sua rotina produtiva com novos recursos. 

Vale ressaltar que o agronegócio brasileiro está inserido dentro da agricultura 4.0. Segundo pesquisa, cerca de 67% das propriedades rurais ativas possuem algum tipo de inovação tecnológica dentro dos processos de produção.

Alguns Estados se destacam no cenário nacional pela alta competitividade do agro, alto nível tecnológico, alta produtividade agrícola e pecuária e fortes instituições representativas do setor.

Entretanto, as margens de lucro menores e as incertezas no cenário político-econômico em decorrência das últimas eleições, estão afetando a confiança e mudando as perspectivas para 2023.

Antônio Carlos de Oliveira/Reprodução

Seja em qual for a esfera do agronegócio que estejamos abordando, as previsões para 2023 trazem notícias boas, que enchem os empresários deste ramo de esperança, mas também pontos de atenção para que seus negócios não caiam em pequenos deslizes. 

Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), 2023 será um ano desafiador, por causa de questões internas do país e em razão do cenário externo. No ambiente doméstico, há incertezas sobre a política fiscal do novo governo e é certo que as autoridades do Banco Central terão de manter os juros básicos da economia em níveis elevados por um bom período, gerando mais custos para os empréstimos bancários e crédito para consumo, custeio e investimento.

O cenário internacional, apresenta previsões de desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) de alguns dos principais parceiros comerciais do Brasil como China, Estados Unidos e União Europeia podem ser sinônimo de redução nas exportações brasileiras. 

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