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Pessegueiro: aminoácido ameniza efeitos da geada

Paula Almeida Nascimento
Engenheira agrônoma e doutora em Fitotecnia – Universidade Federal de Lavras (UFLA)
paula.alna@yahoo.com.br

Crédito: Evando Paulo

O pessegueiro é uma espécie de clima temperado, originária da China, que é o maior produtor mundial. Os Estados do Sul do Brasil, São Paulo e Sul de Minas Gerais, onde se concentra grande parte da área de produção, caracterizam-se por apresentarem uma diversidade de climas, desde zonas com baixo acúmulo de horas de frio hibernal, de menos de 50 horas, até 700 a 900 horas em regiões mais altas.

No cultivo de pêssego, para amenizar as condições ambientais desfavoráveis, como as geadas, são realizadas práticas para reduzir a concentração de frio na área a ser protegida. Existem vários métodos que vêm sendo empregados, como nebulização, aquecimento, ventilação da atmosfera, irrigação por aspersão das plantas e uso dos aminoácidos fertilizantes.

Aminoácidos

Os aminoácidos são uma classe de moléculas que apresenta uma estrutura em comum. Todos eles possuem um carbono assimétrico, chamado de carbono alfa, o qual detém ligantes distintos: grupo amino, grupo carboxila, átomo de hidrogênio e um grupo variável (representado por R). Esse grupo variável, também denominado cadeia lateral, promove a variabilidade química dos aminoácidos.

Os aminoácidos são fundamentais para o crescimento e desenvolvimento das plantas. Existem 20 aminoácidos que são responsáveis por formar todas as proteínas existentes. Assim, a grande quantidade de proteínas resulta da combinação dos aminoácidos de diferentes maneiras.

De modo geral, as plantas são capazes de sintetizar 20 aminoácidos essenciais para sua sobrevivência. Os aminoácidos são componentes da estrutura de todas as proteínas e enzimas e participam de todas as reações necessárias ao metabolismo vegetal.

Benefícios

A utilização de aminoácidos pode beneficiar as plantas no metabolismo, pois participam da síntese de proteínas; atuam na germinação, no estádio vegetativo, na floração e maturação dos frutos; atuação na fotossíntese, na ativação da clorofila, aumentando a eficiência do processo e na reserva de carboidratos; proteção de plantas e maior tolerância ao ataque de pragas e doenças; eficiência na absorção e translocação de nutrientes aplicados via foliar e tolerância das plantas ao estresse hídrico devido ao maior potencial de desenvolvimento do sistema radicular e outros mecanismos.

Algumas funções dos aminoácidos nas plantas

 Os aminoácidos aromáticos tirosina e fenilalanina são precursores na produção de metabólitos secundários, como:

Ü Ligninas: compostos que conferem a formação de caules lenhosos, atuando como barreira contra a penetração de patógenos e a perda d’água interna das células vegetais;

Ü Antocianinas: proporcionam a cor de flores e frutos, atuando também como protetores das células contra danos oxidativos;

Ü Taninos: compostos que agregam qualidade à produção de vinhedos.

Os aminoácidos triptofano e metionina são compostos que antecedem os fitohormônios auxina e etileno, respectivamente, indispensáveis ao desenvolvimento das plantas. O aminoácido histidina participa de proteínas receptoras de membrana, responsáveis por desencadear as respostas dos fitohormônios citocinina e etileno.

A cisteína é fonte de enxofre (S) e atua na síntese da glutationa (molécula que auxilia na defesa de plantas), enquanto que a fenilalanina atua na síntese de lignina, taninos, flavonoides e na formação do ácido salicílico. 

Já o ácido salicílico é conhecido por atuar na resistência das plantas aos patógenos. O glutamato participa da formação dos aminoácidos (arginina, glutamina e prolina) e também é precursor da molécula de clorofila.

O triptofano é precursor da auxina, hormônio de crescimento radicular e também da parte aérea das plantas, e a metionina é precursora do etileno, hormônio que atua na maturação dos frutos.

Manejo no pessegueiro

Nas culturas, os aminoácidos podem ser utilizados via solo, tratamento de sementes ou aplicação foliar. A suplementação dos aminoácidos é uma forma de estimular o crescimento das plantas e aumentar a produtividade, uma vez que possibilita a elas economizar energia na realização de diversos processos metabólicos ao longo do seu ciclo.

Além disso, os aminoácidos são aproveitados nas diferentes etapas de crescimento do pêssego para maior tolerância a vários tipos de estresse. Quando complexados com os aminoácidos, os nutrientes podem ser absorvidos com uma maior facilidade, como no caso dos quelatos (aminoácidos + micronutrientes).

Ainda, os aminoácidos são utilizados nos pomares amenizando o impacto da geada na produção de pêssegos. Eles ativam o metabolismo da planta, aumentando a temperatura interna do vegetal.

A queda nas temperaturas nas regiões sul e sudeste, durante o período de outono e inverno, impacta a produção de hortifrúti no País, principalmente quando há formação da geada. A queda da temperatura, ocorrência de geadas ou neve são responsáveis por danos como a queima das folhas do vegetal, devido ao congelamento da água no interior da planta, resultando na diminuição da produtividade em diversos cultivos, refletindo no resultado e na qualidade do produto final.

Porteira adentro

O produtor de pêssego Maurício Bellaver, do município de Farroupilha (RS), conta que em seu pomar as plantas sofriam com o estresse fisiológico causado pela incidência de geada. A utilização de complexos de aminoácidos no cultivo antes e após a ocorrência do fenômeno tem sido uma pratica natural eficiente para auxiliar na produção.

De acordo com o agricultor, com as aplicações é possível a prevenção dos impactos, a redução dos danos e a recuperação do vegetal durante as estações frias do ano. “Acontecia muita queima na planta e sofríamos com bastante perda. Com a utilização de produtos à base de aminoácidos diminuímos o estresse da planta, reduzindo os danos em aproximadamente 50%”, explica Bellaver.

Segundo o engenheiro agrônomo Marcos Revoredo, esses complexos atuam de forma natural, na ativação e na aceleração do metabolismo da planta. “O resultado é o aumento da temperatura interna do vegetal e, consequentemente, a redução dos estresses fisiológicos causados pelas baixas temperaturas. Altera, desta forma, o ponto de congelamento da água dentro das células da planta”.

Na hora certa

O profissional destaca que os períodos de geada coincidem com a fase em que vai se iniciar o desenvolvimento de culturas como pêssego e uva, antes e durante o estádio de brotação, o que impacta diretamente no progresso da parte mais nova do vegetal.

“Essa queda na temperatura ocorre tanto no final do outono como durante o inverno, e pode acontecer em função do ano nos meses de agosto e setembro, período em que está soltando a brotação. Por isso, é importante o produtor estar atento sobre possíveis alertas de geada em sua região”.

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