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sexta-feira, agosto 12, 2022
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Produtividade nem sempre rima com lucratividade

Autor

Amélio Dall’Agnol
Pesquisador da Embrapa Soja
amelio.dallagnol@embrapa.br

Produzir bem é o desejo e uma necessidade que todo o agricultor tem para sobreviver no campo e com dignidade. Para que isto aconteça, ele precisa não apenas produzir bem, mas também ter renda. O lucro deve ser o objetivo principal de qualquer empreendimento agrícola. De que serve ser campeão de produtividade, mas ter prejuízo? Não faz o menor sentido. Produtividade rima com lucratividade.

Soma de fatores

A boa produtividade de uma lavoura resulta da interação entre a planta e o ambiente, este representado pelo clima atmosférico e pelas condições químicas, físicas e biológicas que a planta encontra no solo.

O clima não pode ser modificado pelo agricultor, mas o solo pode ser transformado por um bom manejo. O Sistema Plantio Direto e a Integração Lavoura-Pecuária são ferramentas importantes na promoção dessa transformação. A maior produtividade é conseguida quando todos os fatores de produção, mas principalmente a água, estiverem presentes em condições ótimas.

O bom manejo de uma lavoura começa pela escolha de sementes de qualidade, de cultivar testada e recomendada para a região e estabelecida na época recomendada.  A quantidade de sementes não se traduz em maior produtividade pois, via de regra, poucas plantas por hectare tendem a produzir mais vagens por planta e compensar pelo seu menor número.

Estande

A população de plantas numa lavoura pode variar muito, sem afetar a produção. Populações de 150.000 ou 500.000 plantas por hectare, distribuídas uniformemente no terreno, podem resultar em produções idênticas ou muito próximas. O número de grãos por vagem, seu tamanho e peso, também interferem na produtividade e estas características podem mudar com a variedade, o local e a época de plantio.

O manejo adequado da fertilidade do solo é fundamental, e se realiza agregando os nutrientes necessários, em conformidade com as deficiências do mesmo, identificadas pela análise química de uma amostra representativa da área. Não é a quantidade de fertilizante o que mais importa para o sucesso financeiro de uma lavoura, mas sua utilização racional, pois o fertilizante é o insumo mais caro, razão pela qual não pode ser desperdiçado.

Por exemplo, porque desperdiçar dinheiro com o uso de nitrogênio (N) mineral, se o mesmo pode ser proporcionado à planta a um custo irrisório pela fixação biológica do N2 atmosférico, via inoculação?

O N é o nutriente mais demandado pela planta de soja e o mais caro. Resultados de pesquisa indicam que ele pode ser dispensado quando a semente for bem inoculada com bactérias do gênero Bradyrhizobium, capazes de captar o N2 atmosférico e transformá-lo em N amoniacal, que é absorvido pelas raízes da soja a um custo quase zero.

Máxima produtividade

No concurso de máxima produtividade, promovido pelo Comitê Estratégico Soja Brasil, o campeão nacional do Concurso de Máxima Produtividade obteve 123,88 sacas de 60 kg/ha; um recorde histórico, embora obtido em área de apenas alguns hectares. Não é uma produtividade que se obtém corriqueiramente, mas dá uma ideia de até onde seria possível chegar.

Produtividade rima com lucratividade, mas quando a alta produtividade é obtida com custos irracionais, ela pode ser negativa.

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