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Queima das folhas da cenoura

A queima das folhas da cenoura é um sinal de alerta, uma linguagem silenciosa da planta que pede atenção e cuidados específicos para preservar sua saúde e vitalidade.

Leandro Luiz Marcuzzo
PhD em Fitopatologia e professor – Instituto Federal Catarinense – IFC/Campus Rio do Sul
leandro.marcuzzo@ifc.edu.br

Débora Füchter
Engenheira agrônoma – IFC/Campus Rio do Sul
debyfuchter@gmail.com

Dentre as doenças que atacam a cultura da cenoura (Daucus carota L.) e reduzem o seu potencial produtivo, a principal é a queima das folhas causada por Alternaria dauci (Kühn) Groves & Skolko.

Crédito: Leandro Marcuzzo

Controle

Uma das maneiras de reduzir o uso de agrotóxicos é conhecendo as condições que favorecem a ocorrência da doença, que envolvem o ambiente, o patógeno e o hospedeiro.

Em relação ao patógeno, o detalhamento da deposição de conídios da A. dauci no ar em área de cultivo constitui informação de relevância no avanço do manejo fitossanitário.

Diante do exposto, este trabalho teve por objetivo avaliar a deposição de conídios de A. dauci no ar em área de cultivo de cenoura e a severidade da queima das folhas.

Inovação

O experimento foi realizado de 14 de setembro a 14 de dezembro de 2018 no Instituto Federal Catarinense, campus de Rio do Sul, município de Rio do Sul (SC), com latitude sul de 27°11’07”, longitude oeste de 49°39’39” e altitude de 687 metros do nível do mar.

Segundo a classificação de Köeppen, o clima local é subtropical úmido (Cfa) e os dados meteorológicos foram obtidos de uma estação Davis® Vantage Vue 300 m, localizado ao lado do experimento.

Os dados médios durante a condução do experimento foram de 20,5ºC para temperatura do ar, de 13,7 horas de umidade relativa do ar ≥90% e a precipitação pluvial acumulada foi de 391 mm. 

O solo é classificado como cambissolo háplico Tb distrófico com os seguintes atributos químicos: pH em água de 6,0; teores de Ca+2, Mg+2, Al+3 e CTC de 4,2; 1,8; 0,0 e 9,54 cmolc.dm-3, respectivamente; saturação por bases de 66,49%, teor de argila de 30% m/v e teores de P e K de 14 e 134 mg.dm-3, respectivamente.

Sementes de cenoura da cultivar Brasília, suscetível à doença, foram semeadas a campo em quatro repetições constituídas de uma área de 5,0 x 1,25 m cada e espaçamento de 3,0 m x 25 cm entre plantas.

Cada repetição continha cinco fileiras com 150 plantas cada e 20 plantas foram previamente demarcadas de forma aleatória nas três filas centrais para a avaliação da severidade da doença. A calagem, adubação e tratos culturais seguiram as normas recomendadas para a cultura, porém, não foi utilizado fungicida.

Avaliação

Para que houvesse inóculo na área, mudas de cenoura da mesma cultivar com 30 dias de idade foram inoculadas com auxílio de um atomizador portátil uma suspensão (1×104) de conídios de A. dauci.

Após 24 horas de câmara úmida, foram transplantadas a cada um metro linear ao redor do experimento no dia da semeadura.

Duas lâminas de microscópio (7,5 x 2,5 cm) foram untadas e cada uma depositada em um tijolo, intercalado no centro do experimento, ficando à altura de 5,0 cm do solo. As lâminas permaneceram expostas à deposição dos conídios por um período de sete dias, sendo substituídas periodicamente neste mesmo intervalo por outras.

Em laboratório, a lâmina foi dividida em dois pontos centrais e adicionou-se 2 gotas de azul de metileno 33% diluído em água. Foram depositadas lamínulas (1,8 x 1,8 cm), correspondendo a uma área de 6,48 cm².

Crédito: Leandro Marcuzzo

Por meio da visualização em microscópio ótico com a objetiva de 10 vezes, quantificou-se o número de conídios coletados semanalmente. A severidade da doença foi analisada por meio da porcentagem de área foliar afetada pela doença em cada folha exposta através da escala que varia de 1 a 40% proposta por Strandberg (1988).

Para verificar a relação entre a deposição de conídios e a severidade da doença durante o ciclo da cultura, os dados foram submetidos ao cálculo do coeficiente de correlação linear de Pearson (r) e sua significância foi verificada valores críticos de correlação do teste.

A correlação de Pearson (r) entre o número de conídios depositados e a severidade da doença foi significativa pelo teste a 5% (Tabela 1).

Tabela 1. Coeficiente de correlação (r) entre o número de conídios de Alternaria dauci depositados semanalmente e as respectivas severidades da queima das folhas. Instituto Federal Catarinense, Campus de Rio do Sul, SC

Semanas após a semeadura N° de conídiosSeveridade (%) 
1 00 
2 00 
3 00 
4 20 
5 00 
6 10 
7 21 
8 04 
9 210 
10 016 
11 219 
12 923 
Coeficiente de correlação (r) 0,657* 

*significativo a 5% de probabilidade pelo valor crítico do teste de correlação de Pearson.

Resultados

A coleta de conídios ocorreu antecipadamente à constatação da doença a campo na quarta semana após a semeadura (Tabela 1). Isso se deve ao fato de o inóculo já estar presente na área por causa das plantas inoculadas nas bordaduras do experimento.

Houve pouca oscilação no número de conídios coletados na mesma semana de avaliação (Tabela 1), no entanto, a severidade da doença atingiu 23% na 12ª semana (Tabela 1).

Apesar de oscilatório o número de conídios entre a 7ª e 12ª semana após a semeadura, verificou-se que a severidade da doença progrediu gradativamente durante esse período. O número de conídios teve um acréscimo na 12ª semana e isso pode ser associado ao aumento da severidade da doença.

A correlação (r=-0,657) entre a deposição de conídios e a severidade da doença foi moderada e significativa (Tabela 1).

A presença da deposição de conídios de A. dauci é um indicador do aumento da severidade da queima das folhas da cenoura e pode ser usada futuramente como uma ferramenta para tomada de decisão quanto ao controle em um sistema de previsão da doença.

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