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Recipientes de papel biodegradável na produção de mudas florestais

David Pessanha Siqueira

Engenheiro agrônomo e mestre em Produção Vegetal

pessanhasdavid@hotmail.com

Créditos Internet
Créditos Internet

Em um viveiro de produção de mudas florestais, muitos fatores influenciam a qualidade final, dentre eles: o manejo de irrigação e adubação, o substrato, a qualidade fitossanitária dos propágulos, bem como o tamanho e o tipo de recipiente utilizado.

No cenário atual, os recipientes mais utilizados pelos viveiristas ainda são os tubetes e os sacos plásticos. Os recipientes de fibra de papel biodegradável são uma alternativa para substituição de tais recipientes, e apesar de já estarem disponíveis no mercado há algum tempo, nos últimos anos é que vêm ganhando força e adesão, principalmente pelas empresas de grande porte.

Vantagens

O destaque que se dá aos recipientes biodegradáveis é devido às vantagens que apresentam, como por exemplo, a preservação da arquitetura natural do sistema radicular, quando comparado aos tubetes e sacos plásticos, que possuem paredes rígidas, atuando como barreira física às raízes, conduzindo seu crescimento para baixo.

Quando as mudas são produzidas nos recipientes biodegradáveis, devido à porosidade que o papel apresenta, as raízes conseguem atravessar o material, assim, não sofrem restrições de crescimento, mantendo suas raízes próximas ao natural.

A conservação da arquitetura natural das raízes em um plantio em escala comercial pode melhorar o pegamento das mudas no campo, reduzindo os custos com replantio. Além disso, um sistema radicular bem formado pode favorecer o acesso à água e nutrientes, o que contribui para o melhor desenvolvimento da muda, podendo encurtar o ciclo final de produção da espécie de interesse, seja tendo como objetivo final a extração de celulose, energia ou a exploração econômica da madeira.

O tipo de papel utilizado para composição do recipiente pode variar em função da espécie a ser utilizada, bem como o tamanho do recipiente que será necessário para garantir a formação de um torrão adequado, que permitirá o desenvolvimento satisfatório das mudas.

Facilidade no plantio

É importante ressaltar que algumas mudas estão prontas para expedição do viveiro em até 90 dias, como o caso do eucalipto, no entanto, se o interesse for a produção de mudas nativas, por exemplo, esse tempo se estende. Assim, deve-se ter atenção ao tempo de degradação do papel utilizado, assegurando que o torrão não se desintegre ainda na fase de viveiro e que também não demore muito para se deteriorar após o plantio no campo.

Outra grande vantagem dos recipientes biodegradáveis é que as mudas podem ser plantadas diretamente no campo, sem a necessidade de remoção do recipiente, como ocorre nos tubetes e sacos plásticos.

Além da redução de custos com a mão de obra para essa operação, as mudas nãosofrerão tal estresse no momento do plantio, fase em que já deverão suportar as condições adversas encontradas no campo.

Cuidados

Créditos Internet
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Quando os tubetes são empregados, embora sejam reutilizáveis, os mesmos precisam ser lavados com frequência para evitar contaminações nos ciclos seguintes de produção das mudas. Com certo tempo de uso, os tubetes se quebram, devendo ser descartados.

Além do custo para reposição, vale lembrar que os plásticos têm como matéria-prima o petróleo e o seu descarte gera problemas ambientais, o que não ocorre com o uso do recipiente de papel biodegradável.

Custo

O custo inicial para implantação desse sistema pode ser o maior entrave para a ampla adoção pelos viveiristas, tendo em vista a necessidade de aquisição de máquinas apropriadas para o manuseio dos papéis e para o enchimento com o substrato e o corteno tamanho desejado.

Além disso, um novo sistema de bandejas para acomodar os recipientes biodegradáveis deverá ser adotado, contudo, esses custos serão somente na fase inicial, sendo diluídos com o tempo. Cabe ressaltar que, com a adoção de máquinas para tais funções, a mão de obra diminui e, por consequência, os custos também.

Custo-benefício

O custo-benefício do sistema de recipientes de papel biodegradável deve ser avaliado por cada viveirista, devendo levar em consideração os custos na implantação e as vantagens que o sistema pode proporcionar para a qualidade das mudas formadas no viveiro, e os benefícios após o plantio no campo, em comparação aos demais recipientes utilizados.

Essa matéria você encontra na edição de janeiro/fevereiro 2018  da revista Campo & Negócios Floresta. Adquira já a sua.

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