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Soja Intacta: Uma das alternativas contra a helicoverpa

 

Décio Luiz Gazzoni

Pesquisador da Embrapa Soja e membro do CESB

Esta será a primeira safra na qual a soja Intacta estará disponível comercialmente - Crédito Shutterstock
Esta será a primeira safra na qual a soja Intacta estará disponível comercialmente – Crédito Shutterstock

A soja Intacta reúne duas biotecnologias: apresenta resistência ao glifosato, porque incorpora o evento RR2 (que vem a substituir a primeira geração, RR1), e que permite o uso do herbicida sobre toda a lavoura, controlando as ervas daninhas, sem que o grão seja afetado, além de ser introduzido um gene da bactéria Bacillus thuringiensis, utilizada há muitas décadas como um inseticida biológico para controlar lagartas.

Assim, a proteína tóxica gerada pelo B. thuringiensis ” aquela que controla as lagartas ” é produzida também na planta de soja. Logo, as lagartas que se alimentarem de folhas ou outras partes e que ingerirem a quantidade suficiente da proteína tóxica, acabam morrendo.

Para os produtores

Esta será a primeira safra na qual a soja Intacta estará disponível comercialmente. A vantagem de seu uso advém das características transgênicas, ou seja, é possível controlar as ervas daninhas usando um herbicida de ação total, como o glifosato ” que mata as plantas daninhas mas não a soja; e, também, é possível controlar as principais lagartas que atacam a soja, sem o uso de inseticidas químicos.

Contra a Helicoverpa armigera

Em diversos estudos realizados no Brasil, a soja Intacta demonstrou bom controle da lagarta da soja (Anticarsia gemmatalis), das lagartas falsas medideiras (Chrysodeixis includens e Rachiplusia nu), da lagarta das maçãs (Heliothis virescens) e da broca das axilas (Crocidosema aporema).

Porém, no caso da broca do colo da soja (Elasmopalpus lignosellus) e das helicoverpas (Helicoverpa armigera e H. zea), o controle é apenas parcial. Para essas últimas lagartas, a hipótese mais provável é que a quantidade de proteína tóxica ingerida ao longo do período em que a lagarta se alimenta de soja não é suficiente para matar a totalidade das lagartas, razão pela qual algumas sobrevivem.

Custo

Os royalties cobrados pelo proprietário da tecnologia da soja Intacta são de R$ 115,00 por hectare, os quais devem ser pagos no momento da aquisição da semente. Para utilizar corretamente, os técnicos recomendam o uso de um refúgio equivalente a 20% do total da área de soja de cada propriedade.

Este refúgio nada mais é que o plantio de uma soja convencional, não resistente às lagartas (ou seja, não pode ser a própria Intacta), para permitir que as lagartas suscetíveis à proteína tóxica presente na variedade Bt sobrevivam, e atrasem ou evitem o surgimento da resistência das lagartas à Intacta, o que impediria o seu uso no futuro.

Na área de refúgio, as lagartas devem ser controladas seguindo as recomendações usuais do Programa de Manejo de Pragas da Soja ” MIP Soja.

A análise de custo benefício ex-ante é complexa, porque cada propriedade é um caso diferente das demais, variando a intensidade do ataque de lagartas, o número de aplicações e o preço do inseticida usado.

Logo, cada produtor deve comparar o valor dos royalties (R$115,00/hectare) com o custo de aplicação (inseticida + pulverizador) que incide no seu custo de produção, para o controle de lagartas. E adicionar outros aspectos que julga importantes, como a conveniência, o menor risco de perda de produção e atraso de aplicação, devido as condições climáticas, etc.

É importante ressaltar que a Intacta não controla os percevejos e os cuidados de monitoramento desta praga para decidir o momento correto para seu controle continuam sendo necessários.

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