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quinta-feira, julho 7, 2022
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Tratamento de sementes pode beneficiar as raízes das plantas?

Autora

Nilva Terezinha Teixeira
Engenheira agrônoma, doutora em Solos e Nutrição de Plantas e professora de Nutrição de Plantas, Bioquímica e Produção Orgânica do Centro Universitário do Espírito Santo do Pinhal (Unipinhal)
nilvatteixeira@yahoo.com.br
Fotos: Shutterstock

As raízes são órgãos responsáveis pela afixação da planta no solo e pela absorção de água e nutrientes. Raízes volumosas e vigorosas são, então, fundamentais para o “pegamento” de mudas no campo, desenvolvimento e produtividade das lavouras. Uma das ferramentas que se emprega para alcançar abundante enraizamento é a inclusão de bioestimulantes em tratamento de sementes.

Mas, com definir o bioestimulante? Em uma definição simples, pode-se considerar os bioestimulantes como produtos não nutricionais obtidos pela síntese ou extraídos de microrganismos, algas ou vegetais que, aplicados às plantas, melhoram a sua eficiência nutricional, a tolerância a estresses abióticos e/ou a qualidade dos cultivos. Esta definição pode ser também estendida a produtos comerciais contendo misturas de tais substâncias e/ou microrganismos.

No mercado de insumos agrícolas encontram-se bioestimulantes derivados de algas marinhas, de proteínas e microbiológicos.

As algas

As algas marinhas são seres ricos em nutrientes, aminoácidos, auxinas naturais e, ainda, contêm alginato, polissacarídeo presente na parede celular dos referidos organismos. As algas retêm a água, formando um gel, e quando há estiagem esta é liberada para as plantas.

Entre as algas marinhas, a Ascophyllum nodosum (L.) Le Jolis, membro da ordem Fucales e família Fucaceae, se destaca. É uma fonte natural de macro e micronutrientes (N, P, K, Ca, Mg, S, B, Fe, Mn, Cu e Zn), aminoácidos (alanina, ácido aspártico e glutâmico, glicina, isoleucina, leucina, lisina, metionina, fenilalanina, prolina, tirosina, triptofano e valina), citocininas, auxinas, e ácido abscísico, substâncias que afetam o metabolismo celular das plantas e conduzem ao aumento do crescimento radicular e aéreo, bem como ao incremento da produtividade.

Proteínas

Os derivados proteicos também agem como bioestimulantes, já que beneficiam a formação de metabólicos que aumentam a respiração e a divisão celular, entre outros aspectos.

Biofertilizantes microbiológicos são compostos de microrganismos que produzem substâncias orgânicas úteis às plantas, entre elas hormônios e vitaminas que melhoram as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, proporcionando a formação volumosa de raízes. Nesses formulados microbiológicos normalmente há quatro grupos de microrganismos, como:

Leveduras (Sacharomyces): são capazes de sintetizar vitaminas e hormônios e ativar outros microrganismos eficazes presentes no solo. As substâncias produzidas pelas leveduras melhoram a atividade celular do vegetal.

Actinomicetos: inibem a proliferação de fungos e bactérias patogênicas e também aumentam a resistência das plantas.

Bactérias produtoras de ácido lático: produzem ácido lático que controla alguns microrganismos nocivos, como o Fusarium. Pela fermentação da matéria orgânica não curtida, liberam nutrientes às plantas.

Bactérias fotossintéticas: ativam a síntese de vitaminas e nutrientes, aminoácidos, ácidos nucléicos, substâncias bioativas e açúcares, os quais favorecem o crescimento das plantas.

Todos esses tipos de bioestimulantes podem ser aplicados misturados às sementes, pulverizados nos sulcos de plantio ou por fertirrigação.

Pesquisa

No curso de Engenharia Agronômica do UniPinhal, a equipe de estagiários de Nutrição de Plantas mostrou que efeitos positivos têm sido encontrados quando se emprega as algas marinhas no tratamento de sementes. Em trabalhos em vasos, areia e solução observou-se que o tratamento de sementes com 0,6 ml L-1 de produto contendo 30% de algas marinhas (Ascophyllum nodosum) proporcionou aumentos de cerca de 30% na massa de raízes; de 18% na massa de parte aérea; ao redor de 30% na nodulação; 20% no comprimento de raízes e 9% na altura de plantas.

Em soja foram verificados incrementos de cerca de 24% na massa de raízes; de 27% na massa de parte aérea, ao redor de 28% no comprimento de raízes e 23% na altura de plantas. Já em estudos com milho hb Pioneer 30F53, a inclusão de 0,6% de extrato de algas marinhas (30% – Ascophyllum nodosum) garantiu provocou benefícios de cerca de 37% na massa de raízes; de 45% na massa de parte aérea; ao redor de 24% no comprimento de raízes e 30% na altura de plantas.

Via tratamento de sementes

Bioestimulantes constituídos de derivados proteicos, ou contendo aminoácidos, podem ser empregados via sementes ou por fertirrigação. Ao se aplicar no tratamento de sementes, ou fertirrigação logo após a semeadura, a germinação das sementes e o arranque inicial da cultura podem ser beneficiados.

Há relatos na cultura de soja que indicam que a inclusão de aminoácidos associados a micronutrientes, via sementes, confere maior velocidade de emergência, mais crescimento do sistema radicular e aumento na produtividade de grãos.

Experimentos

No Curso de Engenharia Agronômica do Unipinhal, município de Espírito Santo do Pinhal (SP), conduziu-se ensaio em casa de vegetação, no setor de Nutrição de Plantas, com a cultura do feijão cv IAPAR 81, empregando-se hidrolisado proteico.

O delineamento estatístico foi o inteiramente casualizado com cinco tratamentos (Controle; 50; 100; 150; 200 ml ha-1 de sementes) e cinco repetições. Cada parcela constou de um vaso plástico de dois litros de capacidade, contendo areia de rio lavada, dispondo-se cinco sementes/laminado.

Após a germinação desbastou-se, deixando uma planta por parcela. Avaliaram-se, aos 20 dias, altura de plantas, comprimento de raízes e massa verde e seca das raízes e da parte aérea. Os resultados obtidos deixaram a evidência de que a inclusão do formulado via semente aumentou, em média, 24% a massa e o comprimento de raízes e a massa e a altura de plantas.

Também no Unipinhal conduziu-se experimento em casa de vegetação com milho (Zea mays) Pioneer 30F53. O delineamento estatístico foi o inteiramente casualizado, envolvendo dois tratamentos e 10 repetições (A – controle, B – via sementes: 2 ml.kg-1 de sementes de formulado comercial com aminoácidos). Cada parcela constou de um recipiente plástico de dois litros de capacidade que recebeu substrato composto por 30% de areia de rio e 70% de terra de barranco.

Em cada parcela foram dispostas três sementes, deixando-se, após 10 dias, uma planta. As avaliações foram efetuadas aos 20 dias de idade da planta, coletando-se a massa seca e o comprimento das raízes. A figura 1 ilustra os resultados obtidos e evidenciam que o uso do formulado com aminoácidos + nutrientes provocou aumentos no arranque inicial, traduzidos principalmente pelo maior desenvolvimento radicular.

Também no curso de Engenharia Agronômica do UniPinhal estudou-se a influência da inclusão de bioestimulante microbiológico no desenvolvimento inicial do milho, empregando-se doses crescentes do produto. Os resultados, incluídos na figura 2, mostram que os efeitos foram positivos.

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