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Tripes: praga-chave da cebola

SSaiba como lidar com os danos causados pelos tripes na produção de cebola e proteger suas plantações

Foto: Rogério Schmitt

Miguel Michereff Filho
Engenheiro agrônomo, doutor em Entomologia e pesquisador da Embrapa Hortaliças
miguel.michereff@embrapa.br

Os tripes podem ocasionar danos diretos e indiretos à cultura da cebola. Os tripes formam colônias numerosas nas bainhas das folhas, onde tanto os adultos como as ninfas (forma jovem) se alimentam continuamente da seiva da planta. Em casos de ataques severos, ocorre o prateamento das folhas da cebola, as quais apresentam áreas necróticas, esbranquiçadas, que posteriormente ficam retorcidas e podem secar completamente.

Isto compromete o crescimento das plantas, assim como o tamanho e o peso dos bulbos, causando perdas de produção que podem chegar a 50%. Em cultivos realizados durante a estação seca, as ninfas atacam também os bulbos, permanecendo sob a pele e causando injúrias à escama externa, o que compromete a qualidade do produto e seu tempo de armazenamento.

Plantas de cebola muito danificadas devido ao ataque do tripes não tombam por ocasião da maturação fisiológica, facilitando a entrada de água até o bulbo, o que ocasiona maiores perdas na produção por apodrecimento.

Danos indiretos

Os danos indiretos estão relacionados à ocorrência de doenças. Há relatos de associação entre altas infestações de tripes e a ocorrência da doença mancha púrpura, causada pelo fungo Alternaria porri, em razão do dano mecânico ocasionado às plantas pelo inseto.

Também foi relatada a participação desta espécie de tripes na transmissão do “Iris Yellow Spot Virus” (IYSV), cuja virose já foi detectada em várias regiões produtoras de cebola no Brasil.

Estratégias de controle

O período crítico da infestação de tripes na cultura da cebola vai da emergência das plantas até a formação dos bulbos. Este período exige maior cuidado no monitoramento e manejo da praga.

Quando for necessário algum tipo de controle, deve-se optar pelo manejo integrado de pragas (MIP), ou seja, por um plano que envolva dois ou mais métodos utilizados simultaneamente contra os tripes.

O primeiro passo para o controle eficaz desta praga é a inspeção do cultivo (monitoramento), realizada pelo menos uma vez por semana, a partir do estabelecimento das plantas.

Isso pode ser feito pela busca de tripes nas axilas das folhas e dos sintomas de ataque, percorrendo a lavoura em zigue-zague, de modo que sejam inspecionadas várias plantas da bordadura, como do centro da área cultivada.

Uma alternativa seria o uso de placas adesivas de coloração azul fixadas em hastes de madeira ou bambu.

Linha de defesa

O manejo do ambiente de cultivo consiste em medidas que devem ser consideradas como a primeira linha de defesa contra a praga. Dentre elas, estão as boas práticas agronômicas. Isto exige planejamento das ações, pois várias dessas medidas são preventivas e devem ser adotadas mesmo antes do plantio ou da detecção da praga no cultivo.

Outro ponto fundamental para o sucesso no manejo dos tripes é a adoção correta dos inseticidas. O uso indiscriminado de inseticidas tem elevado substancialmente o custo de produção da cebola e pode acarretar sérios problemas, como surgimento de populações de tripes resistentes aos produtos utilizados, ressurgência da praga, erupção de pragas secundárias, eliminação de organismos benéficos (inimigos naturais e microbiota decompositora).

Controle químico

Desta forma, para o controle químico, recomenda-se:

1) Utilizar inseticida químico somente se população de tripes atingir o nível de controle (NC), ou seja, quando no monitoramento forem detectadas, em média, 10 ninfas por planta – do desenvolvimento vegetativo até formação do bulbo e 30 ninfas por planta – após a formação do bulbo;

2) Utilizar apenas de produtos registrados, no MAPA, para a cultura da cebola;

3) Evitar o uso de produtos de amplo espectro de início do ciclo da cultura, pois causam alta mortalidade de inimigos naturais e ressurgência posterior de tripes na lavoura;

4) Pulverizações preventivas, ou seja, sem a detecção de tripes no cultivo e de forma calendarizada, devem ser evitadas;

5) Devido à alta cerosidade natural das folhas da cebola, deve-se sempre adicionar espalhante adesivo à calda inseticida, para garantir melhor cobertura e aderência do produto na planta;

6) Fazer o rodízio de produtos com base no modo de ação do inseticida, sendo necessário a troca do modo de ação após 15 dias de uso, caso a infestação de tripes persista na lavoura e;

7) Utilizar volume de calda adequado para boa cobertura da cultura e escorrimento da calda para as axilas das folhas. Cultivos no início da formação dos bulbos geralmente demandam acima de 400 L por hectare.

Contra danos

O manejo integrado de pragas (MIP) visa três objetivos centrais:

1) Manter os níveis populacionais das pragas abaixo do nível de dano econômico (NDE), ou seja, em níveis de infestação e de perdas na produção que sejam toleráveis pelos agricultores;

2) Racionalizar o uso de agrotóxicos, mediante a tomada de decisão sobre o momento mais adequado de controlar as pragas e;

3) Garantir a produção, com baixo custo e com o menor risco possível de perdas de rendimento pelas pragas.

Portanto, se adotado com rigor técnico na cultura da cebola, o MIP poderá reduzir as perdas ocasionadas pelos tripes, além de proporcionar benefícios econômicos ao produtor.

Foto: Rogério Schmitt

Ambiente de cultivo

Recomenda-se a adoção planejada e preventiva de medidas como:

1) Escolha de área adequada para a implantação do cultivo, a qual deve ser bem afastada e, de preferência, isolada de outros cultivos de cebola e alho, para evitar a infestação precoce de tripes;

2) Escolha da época de plantio visando o escape do período mais sensível da cultura em relação ao período de maior infestação de tripes na localidade;

3) Uso de cultivares menos atrativas e/ou mais tolerantes aos tripes, como por exemplo, plantas com menor cerosidade, folhas mais cilíndricas e que apresentem bainha com maior ângulo de abertura;

4) Implantação de barreiras vivas, por meio do plantio prévio de capim-elefante ou cana-de-açúcar ao redor da área de cultivo;

5) Sempre que possível, evitar o escalonamento de plantio de cebola na mesma área;

6) Eliminação de plantas daninhas e hospedeiras alternativas de tripes, como solanáceas, cucurbitáceas, alface e milho no interior e nas adjacências da área de cultivo;

7) Manejo correto da nutrição das plantas, a fim de evitar deficiência e/ou excesso de nutrientes na adubação, principalmente excesso de nitrogênio;

8) Irrigação adequada, pois a oferta de água determinará a velocidade de desenvolvimento vegetativo da planta, interferindo no tempo em que a cebola estará mais suscetível aos tripes;

9) Destruição dos restos culturais após a colheita e;

10) Rotação de culturas, envolvendo plantas não hospedeiras de tripes (evitar cultivos de cereais, soja, feijoeiro, tomateiro, quiabeiro e cucurbitáceas) na mesma área.

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