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domingo, julho 3, 2022
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Umidade de grãos incorreta = lucro a menos

 Simone Galvão

Engenheira agrônoma, mestranda no Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e servidora da Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca de Santa Catarina (SAR/SC)

simoneg@agricultura.sc.gov.br

 

Umidade de grãos incorreta - lucro a menos- Créditos Shutterstock
Umidade de grãos incorreta – lucro a menos- Créditos Shutterstock

A deterioração dos grãos é influenciada por variáveis físicas, químicas e biológicas. Entre as físicas, existe o fator umidade que, assim como a temperatura, é um dos principais responsáveis pelo grau de deterioração dos grãos.

Para que o grão apresente bom padrão de qualidade, o produtor de grãos deve preocupar-se com o fator umidade, desde a escolha da cultura até a comercialização do produto, integrando as etapas de implantação, colheita, transporte e armazenamento.

Cada espécie de grãos apresenta uma composição diferenciada, quanto aos níveis de óleos e água. Devido à sua capacidade higroscópica, podem absorver ou perder água para o ambiente, o que resulta no aumento ou diminuição da umidade da massa dos grãos, respectivamente.

Umidade ideal

A umidade ideal dos grãos para o armazenamento deve estar em torno de 13% a 14%, dependendo da cultura. Níveis baixos de umidade nos grãos desfavorecem o ataque de microrganismos e diminuem a respiração dos grãos. Porém, níveis abaixo do ideal comprometem a qualidade dos grãos, devido à suscetibilidade aos choques mecânicos, além da perda de massa desnecessária.

Quando a umidade está acima da ideal, a respiração da massa de grãos torna-se intensa e o ambiente fica propício para o ataque de microrganismos deteriorantes, como por exemplo, os fungos ” que lançam micotoxinas prejudiciais à saúde e comprometem todo o lote.

Direto ao ponto

A massa dos grãos é composta pela massa de água e massa de matéria seca. O conteúdo de água dos grãos pode ser determinado por métodos diretos (a umidade dos grãos é retirada pela ação direta do calor ” com o auxílio de estufas – ou por destilação), e indiretos (que relacionam a umidade com a capacitância e a resistência que os grãos podem oferecer à passagem da corrente).

Duas formas distintas e relacionáveis são utilizadas para expressar a umidade dos grãos: uma expressa o percentual de água da amostra em base úmida, enquanto a outra o conteúdo de água em base seca.

Para fins comerciais e estabelecimento de preços dos grãos utiliza-se o percentual de umidade em base úmida (U (bu) = (Ma / Mt) X 100, onde: U (bu) = conteúdo de água em base úmida; Ma = massa de água da amostra; Mt = massa total da amostra).

No entanto, o conteúdo de água expresso em base seca é determinado para trabalhos de pesquisa e equações de secagem (U (bs) = Conteúdo de água em base seca; Ma = Massa de água da amostra; Mms= Massa de matéria seca da amostra. A relação entre as duas fórmulas é: U (bs) = U (bu) / 100 – U (bu).

Durante a determinação da umidade dos grãos, se a amostra analisada não for representativa de todo o lote, o conjunto de operações a que os grãos serão submetidos será prejudicado durante as etapas de colheita e pós-colheita, favorecendo a deterioração da massa de grãos.

Evite erros

Um grande produtor deve observar a umidade dos grãos antes da colheita, bem como investir em equipamentos que auxiliem na manutenção da umidade ideal dos grãos, como secadores, aeradores, silos armazenadores, para minimizar as perdas qualitativas dos grãos e o comprometimento do lote.

A secagem artificial de grãos com secadores é necessária para baixar a umidade deles, quando são colhidos com uma umidade superior à ideal para a armazenagem. O sistema de aeração nos silos também deve ser adequado para favorecer a manutenção da umidade em torno de 13-14%.

Investimento

É possível minimizar custos energéticos quando a umidade dos grãos estiver próxima da ideal, no período da colheita. A secagem de grãos na planta é uma alternativa interessante para agricultores que não têm condições de investir em equipamentos secadores e que se encontram numa região onde a condição climática apresenta baixa umidade.

Para produtores que produzem em torno de 20 toneladas, recomenda-se secar os grãos no campo até a umidade ficar em torno de 14% e, posteriormente, armazenar os grãos em silos com fundo cônico, que podem custar em torno de R$ 8 mil. Caso a umidade dos grãos seja superior à ideal para armazenamento, deve-se optar pela aquisição de secadores (para 20 toneladas, custam em torno de R$ 130 mil).

Os custos com equipamentos aumentam em função da massa de grãos. Inclusive, há silos com aeradores que despendem de maiores recursos financeiros. É fato que o armazenamento de grãos com teores de umidade fora da faixa ideal acarreta em perdas significativas da massa de grãos, bem como inviabiliza a produção.

Portanto, é de extrema importância investir em equipamentos que permitam o controle da umidade ideal dos grãos para o armazenamento.

Essa matéria você encontra na edição de Abril da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira a sua.

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