Zinco reduz severidade de requeima e sarnas nas batatas

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Autores

Laís Naiara Honorato Monteiro Engenheira agrônoma, doutora em Agronomia/Horticultura (UNESP Botucatu) e professora – Centro Universitário de Votuporanga (UNIFEV)laismonteiiro@gmail.com

Jaqueliny Batista Mariano jaqueliny.mariano16@hotmail.com

Wilson Soares de Oliveirawilsons-oliveira@hotmail.comGraduandos em Engenharia Agronômica – UNIFEV

Batata – Crédito: Ana Maria Diniz

A cultura da batata (Solanum tuberosum ssp.) tem grande relevância social e econômica no cenário agrícola nacional e mundial, sendo considerada, dentro do grupo das olerícolas, a hortaliça de maior importância.

De acordo com dados da FAO, em 2018 produziram-se 368.168.914 toneladas de batata em uma área total de 17.578.672 hectares no mundo. Nesse mesmo ano, no Brasil, a batata inglesa totalizou uma produção de 3.688.029 toneladas, obtidas em uma área plantada de 119.117 hectares.

Doenças da batata

Para atingir altas produtividades e se manter em destaque entre as olerícolas, a cultura da batata depende de vários fatores, como o controle de doenças fúngicas, as quais podem comprometer fases essenciais do ciclo fenológico, como a emergência, o crescimento vegetativo, o início da tuberização e até mesmo a pós-colheita.

Entre as principais doenças que abrangem o território brasileiro, salienta-se a requeima, causada pelo fungo Phytophthora infestans, e as sarnas, provocadas por Helminthosporium solani.

Essas doenças prejudicam o desenvolvimento da batata por exibirem alto potencial destrutivo, podendo inviabilizar o cultivo e a comercialização do produto final, pois a depreciação dos tubérculos pode atingir até 50% em perdas, dependendo do nível de ataque dos patógenos.

Exigência nutricional – destaque para o zinco

Por ser uma espécie altamente exigente em nutrientes e que apresenta crescimento rápido com curto período do ciclo vegetativo, a nutrição equilibrada na cultura da batata também requer atenção. Destaca-se o manejo correto dos micronutrientes durante todo o ciclo do cultivo agrícola, uma vez que características como número de tubérculos por área, tamanho e peso, são diretamente influenciados por esse grupo de nutrientes.

O zinco, cada vez mais, tem tido relevância nas produções das culturas agrícolas, por ser essencial para diversas atividades em processos fisiológicos e bioquímicos, como processo de respiração e síntese proteica, síntese e conservação de auxinas e resistência ao frio. Porém, a carência de zinco é reconhecida como um problema nutricional para a produção das espécies vegetais.

Para alcançar as raízes das plantas, o zinco movimenta-se por fluxo de massa na solução do solo. A disponibilidade desse micronutriente para as plantas irá depender do tipo de solo, incluindo o pH do meio e a classe de textura, da concentração do elemento na solução do solo e sua interação com outros nutrientes.

Benefícios para a batata

Requerido em pequenas quantidades pela batata, para produção de 40 toneladas de tubérculos são necessários de 120 a 160 g de zinco. Aliado a isso, o zinco apresenta-se como um dos micronutrientes mais extraídos pela cultura, em torno de 150 a 250 g ha-1, enquanto que para o boro, por exemplo, extraem-se cerca de 30 a 75 g ha-1.

De forma similar a outros nutrientes, como o manganês e o cobre, a disponibilidade do zinco na cultura da batata é afetada pelo pH do solo, sendo que, quanto maior o pH, menor a disponibilidade de Zn às plantas, devido à diminuição na solubilidade do elemento no solo na forma de óxidos.

De acordo com José Acir dos Santos, engenheiro agrônomo responsável pelo cultivo e produções da batata Agata nas regiões do Estado do Paraná, a aplicação de produtos como o mancozeb, que contém zinco na formulação, tem sido efetiva para controle de doenças fúngicas e para alcançar alto vigor das plantas. A região apresenta uma produtividade esperada em torno de 3.000 sacas de batata por alqueire em uma área de aproximadamente 800 hectares plantados ao ano.

Ainda segundo o especialista, como não há produtos específicos que sejam registrados para o controle de sarnas na cultura da batata, o manejo da doença é realizado de forma integrada, ou seja, com a manutenção da planta sadia por meio de métodos culturais, como a conservação de níveis ideais de umidade e pH no solo e a aplicação de fungicidas que possuam em sua composição micronutrientes como zinco, manganês e cobre.

Estudos

Pesquisas mostram que os fungicidas que apresentam zinco em sua formulação, propiciam aumento na produção de tubérculos de batata (ton ha-1). Além disso, a aplicação via solo exibe maior efeito positivo na resposta da cultura quando comparado à aplicação via foliar.

Associando fatores fitossanitários com aspectos nutricionais, por se tratar de uma substância ativadora, o zinco reduz a severidade da requeima e das sarnas por meio da biossíntese do precursor ácido indol butírico (AIA), o qual atua no crescimento das plantas, fazendo com que estas se desenvolvam com maior vigor.

Além disso, o zinco desempenha funções na formação dos lipídeos e proteínas que vão contribuir para a melhoria das estruturas das membranas celulares, propiciando maior resistência das plantas às doenças.

Implantação da técnica

De maneira geral, o zinco pode ser incorporado via foliar ou via solo. Para aplicação via foliar na cultura da batata, o recomendado é 0,5 g L-1, de 20 a 45 dias após a emergência, enquanto para a aplicação via solo indicam-se 4,0 kg ha-1.

Entretanto, a melhor maneira de aplicação de zinco é no solo, concentrando-o nos sulcos de plantio, pois quando disponível diretamente para os tubérculos, após ser absorvido, o nutriente será transportado pelo xilema, através dos tecidos radiculares, o qual posteriormente será distribuído para as folhas, ramos e hastes das plantas.

Embora muito eficiente e com ótimas respostas, alguns aspectos devem ser considerados para que ocorra efeito positivo da aplicação e disponibilidade de zinco às plantas. Práticas culturais como a calagem, aplicação de estercos e compostos orgânicos, adubações excessivas com fósforo e condições inadequadas de temperatura e umidade podem diminuir a absorção de zinco pelas plantas e aumentar a severidade de doenças, pois a disponibilidade e a solubilidade do zinco estão negativamente correlacionadas com a saturação de cálcio e compostos de fósforo nos solos.

Além disso, o excessivo fornecimento de zinco às plantas também é prejudicial, uma vez que o nutriente se torna tóxico em altas concentrações. Por conta dessa toxicidade, ocorre limitação da capacidade fotossintética e taxa respiratória das plantas, redução de fitomassa seca da parte aérea e do sistema radicular, e a inibição do crescimento vegetal, podendo levar plantas jovens à morte.

Em batata, mesmo não sendo visualizados sintomas de toxicidade nas plantas, a aplicação foliar excessiva de zinco (>30 kg ha-1) acarreta queda em torno de 18% na produtividade. Dessa forma, é necessário que o produtor se atente e não cometa tais erros, os quais são frequentes nas situações de lavoura.

Investimento x retorno

O custo com fertilizantes na cultura da batata gira em torno de 15 a 20% do custo de produção. Por isso, como já mencionado, se o manejo com fertilizantes ultrapassar o ideal para a espécie, o produtor observará o encarecimento do cultivo, com custos elevados de adubações sem a conversão em ganhos de produtividade.

A aplicação do zinco pode ser incorporado via foliar ou via solo.

APLICAÇÃO VIA SOLO – Indica-se 4,0 kg ha-1.

A melhor maneira de aplicação de zinco é no solo, concentrando-o nos sulcos de plantio, pois o nutriente será transportado pelo xilema, através dos tecidos radiculares, o qual posteriormente será distribuído para as folhas, ramos e hastes das plantas.

APLICAÇÃO VIA FOLIAR – Recomenda-se 0,5 g L-1, de 20 a 45 dias após a emergência.