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segunda-feira, junho 27, 2022
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Abortamento de vagem da soja tem origem desconhecida e preocupa produtores

Adilson de Oliveira

Alvadi Antonio Balbinot Junior

Carlos Lásaro Pereira de Melo

Claudine Dinali Santos Seixas

Divania de Lima

José Salvador Simoneti Foloni

Norman Neumaier

Ricardo Abdelnoor

Pesquisadores da Embrapa Soja

 

Créditos Embrapa Soja
Créditos Embrapa Soja

Nesta safra de 2017/18, em várias regiões do País, e principalmente no Paraná, tem havido relatos de alguns casos de abortamento de vagens, de plantas com poucas ou nenhuma vagem, e/ou com enchimento de grãos aquém do esperado.

Naturalmente a soja está programada para descartar um número expressivo de flores, que são produzidas em excesso e abortar um certo número de vagens, além de ajustar o enchimento dos grãos de acordo com a disponibilidade dos fatores do ambiente. Esse controle intrínseco às plantas é complexo e comandado pela programação genética da cultivar, que responde aos sinais do ambiente natural e do ambiente manejado pelo homem.

O ambiente é formado por tudo aquilo que não é genético. Portanto, constitui-se das condições que ocorrem no solo e na atmosfera do local onde as plantas se desenvolvem.

Também constituem o ambiente todas as práticas culturais empregadas na cultura (sistema de produção, manejo da física, química e da biologia do solo, época de semeadura, uso de agrotóxicos para controles fitossanitários, aplicação de produtos diversos, etc.).

Por todo o Brasil

Têm sido relatados casos de abortamento drástico de vagens (acima de 50%, e em alguns casos chegando a quase 100%) e casos em que as vagens permanecem nas plantas sem, contudo, os grãos completarem seu pleno desenvolvimento.

De forma generalizada, tal abortamento e deficiente enchimento de grãos têm sido atribuídos ao clima. Realmente, nas duas últimas semanas de dezembro de 2017 e nas duas primeiras semanas de janeiro de 2018, praticamente todas as áreas sojícolas da região centro-sul do Brasil permaneceram por vários dias sob chuva e sol encoberto.

Porém, nestas mesmas regiões, são comuns as situações de um talhão de soja com problemas nas vagens e a poucos metros de distância talhões adjacentes com estádios fenológicos semelhantes ao da área prejudicada apresentarem desenvolvimento normal e elevado potencial produtivo.

 Assim, apenas os fatores climáticos não são suficientes para explicar tal fenômeno/situação.

O abortamento anormal de vagens ou o deficiente enchimento dos grãos está acontecendo pontualmente em algumas regiões, principalmente no Oeste e no Norte do Paraná e no Médio Paranapanema em São Paulo.

No entanto, os casos são pontuais e de distribuição aleatória, com baixa representatividade perante o total de lavouras comerciais desses Estados. Consultas feitas à EMATER-PR, Departamento de Economia Rural (DERAL)/Secretaria de Agricultura do Paraná e cooperativas dão conta de que o problema se restringe a algumas lavouras, em suas regiões de atuação.

É importante ressaltar que nas mesmas regiões a maioria das áreas estãocom desenvolvimento normal, o que sugere que o problema ocorreu quando houve a coincidência de vários fatores, sendo que o excesso de umidade no solo e no ar e a baixa luminosidade são fatores que podem ter potencializado o fenômeno.

Fatores como a maior ou menor sensibilidade de algumas cultivares, época de plantio, práticas equivocadas de manejo do solo e da cultura na área ou talhão podem também estar interagindo para a ocorrência do problema.

Vagens abortadas, no solo - Créditos Embrapa Soja
Vagens abortadas, no solo – Créditos Embrapa Soja

A causa

Esses problemas têm sido erroneamente associados a fatores isolados, sendo um deles a ocorrência de antracnose, doença causada por Colletotrichumtruncatum, e que pode atacar folhas (nervuras), hastes, pecíolos e vagens.

A infecção e o desenvolvimento da doença são favorecidos por alta umidade e temperatura, o que torna essa doença comum nos Cerrados. Apesar de o fungo ser de ocorrência comum, na maioria dos casos (fora dos Cerrados), é mais um oportunista, ou seja, cresce em tecidos da planta mortos por outras causas.

E, mesmo nos Cerrados, onde a doença é comum e grave, não provoca queda de vagens verdes, como vem ocorrendo nessa safra.Assim, o fato do problema estar acontecendo pontualmente em lavouras específicas, sendo que o desenvolvimento da soja está normal na imensa maioria das áreas do Paraná e do País, estima-se que não haverá redução significativa da produção de soja por abortamento e queda de vagens.

O que fazer

O que se pode concluir é que não há técnicas que resolvam ou minimizem o problema já estabelecido. Para as próximas safras, a inserção da soja em um sistema de produção com adequado manejo do solo e rotação de culturas, além de uma cuidadosa condução da lavoura, escolha adequada e diversificada de cultivares, com os devidos cuidados no manejo de pragas, doenças e plantas daninhas, evitando os exageros da aplicação de produtos químicos, poderia evitar ou, pelo menos, reduzir o surgimento de problemas semelhantes no futuro.

Essa matéria você encontra na edição de março 2018 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua.

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