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segunda-feira, junho 27, 2022
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Ácidos húmicos melhoram nutrição na batata

Crédito Shutterstock

Fábio Olivieri de Nobile
Professor titular – Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos (UNIFEB)
fabio.nobile@unifeb.edu.br
Maria Gabriela Anunciação
Engenheira agrônoma – UNIFEB

Os solos são meios biológicos ricos em microrganismos. Cada quilograma de um solo fértil pode conter 500 bilhões de bactérias (cerca de 100 vezes a população de seres humanos da terra), 10 bilhões de actinomicetos e cerca de 1,0 bilhão de fungos.
A essa biomassa microbiana pode-se acrescentar a contribuição das raízes, cujo comprimento pode ultrapassar 600 km no primeiro metro superior do perfil. Ainda, a considerar, existe a fauna, que pode atingir 500 milhões de seres por quilograma de solo.
Assim que materiais orgânicos frescos chegam ao solo, os microrganismos formam biofilmes e sintetizam seu complexo enzimático, para iniciarem a decomposição do novo substrato.
Nesse material, pode-se distinguir macroscopicamente a origem dos resíduos, ou seja, identificar folhas, galhos, exoesqueletos de insetos, etc. Logo abaixo, no perfil do solo, observa-se a coloração escurecida do húmus.
O húmus é constituído de biomoléculas (como as descritas anteriormente) e de substâncias húmicas. As biomoléculas, com identidade bioquímica definida, poderão sofrer transformações em um ambiente ecologicamente adequado e gerar substâncias que não apresentam mais identidade bioquímica, sendo uma massa escurecida, remanescente da decomposição do material orgânico.
Em termos simples, pode-se dizer que as substâncias húmicas são compostos orgânicos condensados, produzidos pela ação microbiana, e que diferem dos biopolímeros por sua estrutura molecular e elevada persistência no solo, trazendo como benefícios o desenvolvimento dos microrganismos presentes no solo, atuando diretamente sobre as características químicas e físicas do solo. Elas influenciam em parâmetros como a CTC, pH, aeração, compactação e a disponibilidade de nutrientes para as plantas.
Além disso, favorecem um maior enraizamento, o que facilita a absorção de nutrientes, e ainda podem atuar no aumento da população de bactérias diazotróficas introduzidas nas plantas.

Mais benefícios

Especificamente quanto ao fósforo e o zinco, outro aspecto importante é que os ácidos húmicos complexam (sequestram) o cálcio solúvel e, assim, protegem os fosfatos da interação cálcio-fosfato e cálcio-zinco.
Entretanto, é conhecido que o benefício dos ácidos húmicos na disponibilização de nutrientes é transitório, o que faz com que adições constantes de tais ácidos orgânicos no solo sejam necessárias (sempre em doses adequadas). Tal fato deve-se à rápida mineralização de alguns ácidos orgânicos, liberando sítios de adsorção que retêm, novamente, o fósforo no solo.
Outro aspecto relevante é que os melhores resultados ocorrem quando a adição dos ácidos húmicos ocorre em conjunto com os fertilizantes ou, ainda, quando a aplicação dos ácidos orgânicos precede a adubação.

Cuidados

Dentre as olerícolas de maior valor econômico no Brasil tem-se a batata que, devido ao uso abusivo de fertilizantes, é um tubérculo que merece destaque quando são realizados experimentos com uso de ácidos húmicos.
Em estudo realizado na Bélgica, o uso da mistura líquida húmica com ácidos húmicos, em solos para o cultivo de batata, em conjunto com adubos minerais, observou-se ganho produtivo entre 13 e 17% em relação ao cultivo sem o uso destes condicionadores de solo. Além disso, o uso destas substâncias promoveu maior absorção de nitrogênio, fósforo, potássio e magnésio pelas plantas (Verlinden et al., 2009).
No que se refere à produção de batata-semente, constatam-se resultados positivos dos ácidos húmicos como promotores do crescimento vegetal, ocorrendo aumento de cerca de 20% a mais de massa seca da parte aérea, em relação a plantas que não são cultivadas com bioestimulantes.
O sintoma mais marcante resultante da ação das substâncias húmicas nas plantas é o aumento do crescimento radicular, que influencia processos de absorção de nutrientes e, consequentemente, a produtividade na parte aérea.
Entretanto, o crescimento é a soma de processos que ocorrem na planta, cuja intensidade é modificada sob ação das substâncias húmicas. Dentre esses, destacam-se alterações metabólicas e a sinalização hormonal.

Manejo

Com relação à forma de aplicação dos ácidos húmicos, se faz necessário saber o modo de aplicação. Quando aplicado via líquida, os quais apresentam diferença no modo de diluição: os ácidos húmicos são solúveis em meio alcalino e insolúveis em meio ácido.
Para aplicação via solo, aplica-se juntamente com a adubação mineral, e em substrato recomenda-se misturar ambos em proporções adequadas. Os produtos precisam ser aplicados conforme a recomendação técnica.
O custo de aplicação de ácidos húmicos é muito variável, devendo-se levar em consideração a cultura cultivada, se será destinada para produção de mudas, frutos ou grãos, ambiente de cultivo, distância do mercado, empresa responsável pela venda, entre outros.
No mercado pode-se encontrar produtos com diferentes compostos que são utilizados na produção agrícola. Com relação aos custos, o litro de um produto custa, em média R$ 120,00.
Se levarmos em consideração as recomendações da bula do fabricante para aplicação foliar, o produtor deverá utilizar, no mínimo, 100 ml do produto para o preparo de calda a ser pulverizada em área equivalente a um hectare.

Custo-benefício

Assim, em culturas que exijam quatro aplicações durante o período vegetativo/reprodutivo, serão gastos cerca de R$ 48,00/ha no que se refere ao produto. Como resultado destas aplicações, já foi relatado o aumento de cerca de 20% em produtividade.
Fica claro que a utilização de ácidos húmicos, seguindo as recomendações dos fabricantes, poderá gerar um expressivo aumento da produtividade.

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