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terça-feira, junho 18, 2024
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Adubação foliar na soja: menos perdas na produção

Crédito: Shutterstock

Raphael de Paula Gonçalves
Engenheiro agrônomo, mestre em Fitotecnia, pós-graduando em Proteção de Plantas – Universidade Federal de Viçosa (UFV) e coordenador de pesquisa no Instituto de Pesquisa Agrícola do Cerrado (IPACER)
goncalves.raphaelp@gmail.com
Vitor Luiz Moreira
Engenheiro agrônomo especialista em Fertilidade do Solo no Cerrado, pós-graduando em Proteção de Plantas (UFV) e coordenador de pesquisa – IPACER
vitorluiz02@hotmail.com

As perdas de produção agrícola chegam a 75%, sendo que cerca de 65% estão relacionadas aos problemas abióticos, como questões do clima e fertilidade do solo, e 10% por problemas bióticos, com o aparecimento de pragas e plantas daninhas.

Por esse motivo, é fundamental o fornecimento de nutrientes para adubação do solo e foliar. O objetivo do fornecimento de nutrientes via foliar é corrigir, complementar e suplementar a nutrição da planta, favorecendo seu equilíbrio nutricional.

A adubação via solo consiste em fornecer os nutrientes exigidos em maiores quantidades pela soja, seja na linha de plantio ou em área total. Já a adubação foliar consiste em fornecer preferencialmente micronutrientes, para atender uma demanda imediata, identificada pela diagnose foliar ou visual.

A suplementação foliar também pode ser realizada com macronutrientes, com a finalidade de funcionar como um sinalizador dentro da planta, que quando absorve determinado nutriente tende a buscá-lo no solo também, em maiores quantidades.

É importante salientar que a adubação foliar é apenas um complemento à adubação via solo, então, uma depende da outra e devem ser utilizadas de forma conjunta.

Vantagens de cada uma

A vantagem da adubação via solo, além da citada anteriormente, é a praticidade, por possibilitar o fornecimento de fertilizantes que contenham macro e micronutrientes em teores equilibrados que podem ser disponibilizados de forma imediata e gradual, garantindo melhor distribuição dos fertilizantes e, consequentemente, aumentando o rendimento operacional.

Os nutrientes no solo podem ser absorvidos pelas raízes, via interceptação radicular, fluxo de massa ou difusão.

As folhas da soja, assim como as raízes, podem absorver nutrientes depositados na superfície foliar em forma de solução, porém, em quantidades muito inferiores se comparado com a adubação via solo.

A principal vantagem da adubação foliar é proporcionar uma complementação da adubação via solo e fornecer um nutriente, geralmente micronutriente, para atender uma demanda pontual da planta.

E também funcionar como um estímulo à planta tanto no sentido de absorver maiores quantidades como realizar as funções vitais de seu metabolismo, com a presença na planta de determinado nutriente fornecido via foliar.

Nutrientes via foliar

Pesquisas realizadas pela Embrapa têm demonstrado respostas significativas para cobalto (Co), manganês (Mn) e molibdênio (Mo). Portanto, deve-se dar foco a estes nutrientes e também pode-se aplicar outros que por ventura venham na formulação dos produtos comerciais disponíveis no mercado na adubação foliar.

Segundo a Embrapa, em caso de deficiência de Mn, recomenda-se a aplicação de 350 g.ha-1 (1,5 kg de MnSO4) diluídos em 200 litros de água com 0,5% de ureia. Para o Co e Mo, é sugerida a aplicação foliar de 12 a 30 g.ha-1 e 2,0 a 3,0 g.ha-1 de Co entre os estádios V3 e V5.

Entre as vantagens da aplicação via foliar, podemos citar: I) a facilidade de aplicação; II) menor risco de danos ao meio ambiente, pois reduz as chances de contaminação do solo e do lençol freático; III) menor ocupação de espaço, pois os fertilizantes foliares são aplicados em menores quantidades e, portanto, são comercializados em embalagens menores, se comparados com as sacarias normalmente utilizadas na comercialização de adubos granulados para adubação via solo; IV) maior eficiência na utilização do nutriente, pois a soja irá receber a dosagem ideal do nutriente, no momento de maior demanda; V) possibilidade de aplicação juntamente em alguma entrada com outros produtos, o que viabiliza a questão operacional.

O fornecimento de Co e Mo deve ser preferencialmente via folar, pois se forem fornecidos via tratamento de sementes, podem reduzir a sobrevivência do Bradyrhizobium e, com isso, reduzir a nodulação e a fixação biológica do nitrogênio (FBN).

Além disso, a adubação foliar, assim como qualquer manejo, deve ser realizada levando em consideração critérios técnicos e econômicos.

Deve ser levado em consideração a fonte utilizada, pois há diferenças na eficiência de absorção de acordo com a fonte utilizada. A fertilização foliar deve ser realizada entre 15 e 19h, quando a velocidade dos ventos não for muito elevada e a lavoura não estiver em déficit hídrico.

Aplicação mais eficiente

Trabalhos mostram que em áreas com deficiência de Mn, aplicações foliares podem aumentar até 26% a produção de grãos. Resultados obtidos por Altarugio et al., 2017, mostraram que a adubação foliar para fornecimento de magnésio nos estádios V4, R1 e R5.1 aumentou a produção de soja em 5,42 sacas por hectare.

Portanto, uma planta bem nutrida, com todos os elementos necessários ao seu crescimento e desenvolvimento, entrega uma produtividade maior e de melhor qualidade. Isso só é possível com uma adubação adequada via solo e complementação via foliar.

Os teores de nutrientes no solo e na folha sempre devem ser observados. Sintomas de deficiência também podem ser levados em consideração, principalmente quando se fala em nutrientes que são móveis dentro da planta, pois a aplicação pode surtir efeito rápido em comparação aos nutrientes com pouca mobilidade na planta.

A época correta também é muito importante, ou seja, na época de maior demanda de cada nutriente a planta deve estar prontamente nutrida adequadamente, evitando estresse e perda de produtividade.

Também é importante observar a tecnologia de aplicação utilizada. Geralmente, gotas finas são mais recomendadas na aplicação de produtos foliares. Com uma melhor cobertura foliar, há uma absorção mais rápida e eficiente desses nutrientes pela planta.

Sempre ficar atento a misturas de nutrientes na calda de pulverização, assim como mistura com determinados defensivos agrícolas que podem causar problemas de incompatibilidade. Além disso, a aplicação deve ser feita nas horas de temperaturas mais baixas do dia, evitando algum tipo de fitotoxidez.

Erros frequentes

Há erros principalmente na aplicação, época errada, período errado do dia, como também mistura indevida de determinados produtos. Ressalta-se a importância de sempre consultar um engenheiro agrônomo capacitado, o qual irá avaliar cada situação e definir o melhor manejo em cada área.

Novidades

Sempre há novas pesquisas com diversos produtos no mercado, o que é muito promissor, devido à alta resposta da planta a esse tipo de suplementação via foliar, com ganhos significativos de produtividade.

Há produtos que aumentam o vigor das plantas, permanecendo verdes por mais tempo, o que, concomitantemente, aumenta a produtividade nessas áreas. Na figura 1, há duas fotos de um experimento onde podemos comparar um tratamento que não recebeu adubação foliar com outro em que houve aplicação.

Com aplicação foliar
Sem aplicação foliar
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