Inicio Revistas Grãos Amostragem de solo – Qual a frequência e época ideais da coleta?

Amostragem de solo – Qual a frequência e época ideais da coleta?

0
1038

Autor

Carlos Sérgio Tiritan
Doutor e professor de Agronomia da Unoeste
tiritan@unoeste.br

Fotos Shutterstock

Assim como os seres humanos, as lavouras precisam de diversos nutrientes essenciais em quantidade e qualidade para sobreviverem e se desenvolverem. Somente sob condições ideais é que a correta evolução e produção de frutos, folhas, grãos e flores acontecerá.

Mas, como saber se está tudo bem com o solo e se ele está oferecendo os nutrientes necessários às plantas? A melhor forma de garantir tais nutrientes é fazendo uma eficiente análise do solo, capaz de verificar a quantidade e disponibilidade de elementos químicos presentes no solo e que serão captados pela planta.

Amostragem

O diagnóstico do solo pela amostragem é a etapa mais importante do programa de avaliação da sua fertilidade, para que a recomendação de corretivos e de fertilizantes seja realizada a partir da interpretação dos resultados de análises químicas realizadas.

A amostragem e imediatamente a análise e interpretação técnica dos resultados da análise do solo agrícola podem ser realizadas na fase que antecede a semeadura, o plantio ou o transplantio, na fase intermediária de condução da lavoura e na fase posterior à colheita. Geralmente a amostragem é realizada de 60 a 90 dias antes da safra de verão.

Essa frequência tende a diminuir à medida que aumenta a experiência e a capacidade do profissional ou produtor rural visualizar, analisar, interpretar e representar o sistema solo, planta e atmosfera que integra o ambiente de produção agropecuária.

O produtor, ao promover um bom manejo da frequência e época da análise do solo, terá tempo suficiente para planejar a compra do calcário e dos adubos.

Critérios

Alguns fatores devem ser levados em consideração, como o tamanho da área, tempo, custo, mão de obra, falta de orientação técnica, localização e também acesso a laboratórios especializados.

Além disso, outros fatores interferem na frequência da realização desta prática de amostragem do solo agrícola. Tudo isso pode causar problemas nutricionais às plantas e ao cultivo, e com isso a queda da produtividade na colheita, em consequência trazendo prejuízos financeiros ao produtor.

A realidade do solo

A melhor forma de garantir a fertilidade do solo e os nutrientes necessários para o desenvolvimento das plantas é realizando uma eficiente análise do solo, capaz de verificar a quantidade e disponibilidade de elementos químicos presentes no solo e que serão captados pela planta.

Os solos são normalmente heterogêneos. Por essa razão, deve-se dividir a propriedade em áreas uniformes, levando em consideração as seguintes características: cor do solo, relevo do terreno, textura, histórico da área, que são as culturas anteriores, calagens, adubações e também erosão e drenagem, além da cultura atual ou cobertura vegetal.

Manchas no terreno não devem fazer parte da amostra, ou devem ser amostradas separadamente. Assim, depois de separadas as áreas uniformes, se necessário é feita a subdivisão de cada uma, de forma que seu tamanho máximo não ultrapasse 10 hectares.

Tipos de amostra

Ì Amostra simples: é uma pequena quantidade de terra retirada ao acaso na área. Não é recomendada para avaliação da fertilidade do solo, porém, pode ser utilizada para fins de classificação de solo.

Ì Amostra composta: é a reunião de várias amostras simples (subamostras) colhidas ao acaso dentro de uma área uniforme, que são misturadas para representá-la melhor. Em geral, sempre devem ser coletadas pelo menos 15 amostras simples para se fazer uma amostra composta, sendo a melhor forma de avaliação da fertilidade do solo.

Coleta da amostra de solo

Uma vez dividida a propriedade em áreas, após a identificação será feita a coleta da amostra, caminhando em ziguezague de forma a percorrer toda a área ao acaso.

O solo coletado de cada um desses locais (subamostras) deverá ser colocado em recipiente limpo, devendo ser bem misturado e dele coletado uma amostra de cerca de meio quilo, que será acondicionado em embalagens limpas, podendo ser caixinhas de papelão ou sacos plásticos que são disponibilizados nos laboratórios e que devem ser devidamente identificados.

As amostras devem ser realizadas com equipamentos adequados, como trados ou sondas, os quais retiram pequenas porções de terra à mesma profundidade. Estas amostras compostas representarão uma área homogênea da propriedade.

Durante a coleta, deve-se evitar amostrar em locais próximos a casas, brejos, sucos de erosão, formigueiros ou caminhos de animais.

Onde retirar a amostra

_ Culturas anuais: as amostras devem ser retiradas na entrelinha das plantas, e se for plantio direto nunca na linha de plantio.

_ Culturas perenes: na projeção da copa da entrelinha das plantas.

Profundidade de amostragem

Realizar a amostragem em duas profundidades: 0 – 20 e 20 – 40 cm ou 0 – 25 cm e 25 – 50 cm.

Ferramentas para amostragem e identificação

Várias ferramentas são utilizadas para retirada das amostras: trado de rosca, trado de caneca, trado holandês e sonda. Transfira a amostra coletada para um saco plástico limpo e sem contaminantes. Este recipiente deverá estar bem identificado, incluindo informações como o nome da propriedade, a profundidade de amostragem e a data da coleta. E logo após deve ser enviado para um laboratório de boa procedência.

Custo-benefício

A análise de solo é necessária, também, para proporcionar o melhor custo-benefício para o agricultor, visto que, por meio desse entendimento em relação ao solo, será gasta somente a quantidade de produtos que a área estudada precisa.

De forma contrária, ou seja, sem essa preocupação de analisar o espaço a ser plantado, o produtor gastaria grandes somas em dinheiro com produtos desnecessários ou que já estivessem presentes nesse espaço.

Por meio da análise do solo, o agricultor saberá como está a sua fertilização e, assim, entenderá quais elementos devem ser adicionados em cada área da propriedade. Isso aumentará os nutrientes da terra, bem como ajudará na produtividade do terreno sem desperdícios e sem gastar desnecessariamente.

O produtor só terá ganhos com a análise do solo, já que é um investimento essencial que visa a economia evitando, assim, gastos exorbitantes na lavoura. Os resultados desse processo, bem como a adubação correta do solo, são logo percebidos. A safra seguinte ganhará em quantidade e qualidade.

Em muitos casos não é necessário fazer a reposição de nutrientes ou a adubação em cada plantação, porém, somente a análise do solo irá mostrar isso ao agricultor.

SEM COMENTÁRIO