Berinjela: como produzir uma excelente muda?

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Walleska Silva Torsian

Engenheira agrônoma e doutoranda em Fitotecnia – ESALQ/USP

walleskatorsian@usp.br

Alasse Oliveira da Silva

Engenheiro agrônomo e mestrando em Fitotecnia – ESALQ/USP

alasse.oliveira77@usp.br

Liliane Marques de Sousa

Engenheira agrônoma e mestranda em Fitotecnia – Universidade Federal de Viçosa (UFV)

liliane.engenheira007@gmail.com

Crédito: Esalq

A berinjela (Solanum melongena L.) pertence à família das solanáceas e tem como centro de origem a Índia. Nos últimos anos o consumo dessa hortaliça tem crescido entre os consumidores brasileiros, o que se deve ao seu alto valor nutricional e às propriedades medicinais.

Os Estados nacionais que se destacam no cultivo dessa cultura são São Paulo, Minas Gerais e a região sul do País.

Demanda do mercado consumidor

A percepção de qualidade e preferência dos consumidores brasileiros é por frutos de formato mais alongado, com coloração roxo-escura e brilhante. No entanto, com a diversificação do mercado de hortaliças, atualmente há uma demanda por frutos com diferentes tamanhos, formatos e cores.

As cultivares mais plantadas são aquelas com formato mais alongado, medindo de 13 a 17 cm de comprimento e de coloração roxo-escura, quase no tom preto. Porém, existem variedades comerciais com diferentes características, como as de frutos finos e alongados das variedades do tipo japonês, muito cultivadas no Estado de São Paulo, sendo encontradas na coloração roxa e verde.

As de formato arredondado, a exemplo do tipo italiano, apresentam características como casca púrpura ou rosa rajada, polpa adocicada e com poucas sementes.

Para manter o abastecimento do mercado de berinjelas e a produção de qualidade desses produtos em campo, é importante que o produtor rural adquira mudas sadias e vigorosas, podendo ser produzidas pelo produtor ou adquiridas de empresas idôneas.

Exigências agroclimáticas da cultura

Por ser uma hortaliça termófila, a berinjela se desenvolve preferencialmente em regiões de clima quente, ou seja, seu crescimento, desenvolvimento vegetativo e reprodutivo necessitam de altas temperaturas.

A faixa de temperatura ideal para o cultivo da berinjela é de 25-35°C durante o dia e de 20 – 27°C durante a noite e umidade relativa de 80%. Essas condições permitem a produção o ano inteiro.

As altas temperaturas favorecem a germinação, emergência e estádio inicial de formação das mudas. Por outro lado, a temperatura média de 14°C inibe o crescimento, floração e frutificação e temperaturas acima de 32°C aceleram a maturação dos frutos, mas acima de 35°C por longos períodos longos resulta em frutos defeituosos.

A berinjela não necessita de comprimento de dia específico para o início do florescimento, sendo uma hortaliça menos tolerante a baixas temperaturas e não tolera geadas.

Pode ser plantada em diferentes tipos de solos, desde os arenosos até os mais argilosos. No entanto, apresenta melhor desenvolvimento em solos de textura média, profundos, ricos em matéria orgânica, com boa retenção de umidade e bem drenados, visto que a berinjela é uma espécie que não tolera solos encharcados.

Características da muda

 Ao adquirir sementes de berinjela para a produção de mudas, o produtor rural deve tomar alguns cuidados para evitar comprometer a produção em campo.

a) Consultar se a empresa é idônea;

 b) Verificar se a variedade atende à demanda desejada do mercado;

c) Observar os índices de germinação e pureza, data de validade da análise e outras informações contidas na embalagem;

d) Verificar a sanidade e qualidade das sementes.

 As sementes devem estar embaladas em envelopes aluminizado ou em latas. No caso da compra de mudas de viveiros, é recomendado procurar viveiristas reconhecidos pelo Ministério da Agricultura que possam assegurar tanto a qualidade quanto a sanidade das plântulas, assim como a pureza varietal.

Além disso, ao receber as mudas, é importante observar o tamanho, a sanidade e o vigor.

Cuidados

A compra de mudas sadias e padronizadas de viveiros idôneos é o mais recomendado. Desta forma, um dos grandes desafios da produção de mudas nesses recipientes é assegurar um bom crescimento e desenvolvimento das plântulas e uma alta produção de biomassa aérea, com um volume limitado de raízes, restritas a um pequeno volume de substrato.

Produção de mudas em sementeiras

A produção de mudas nesse sistema foi muito utilizada pelos agricultores, mas atualmente têm sido mais utilizadas por pequenos horticultores, hortas caseiras ou institucionais, devido à maior praticidade e tecnificação de outros sistemas de produção de mudas.

As sementeiras são pequenos, médios ou grandes canteiros montados para produzir mudas de hortaliças, recomendado não ser preparado em locais encharcados e próximos à área de cultivo.

Na sementeira, o solo deve ser bem preparado para promover uma boa germinação e emergência das sementes. E, para melhorar as condições físicas, químicas e biológicas do solo, é recomendável usar matéria orgânica como esterco de animais, podendo ser de bovino na proporção 8,0 a 10 L/m2, ou composto de húmus na base de 3,0 a 5,0 L/m2, além de 200 a 250 gramas do adubo 4-14-8 ou similar/m2.

 As medidas do canteiro devem ter de 20 a 25 cm de altura e 1,00 a 1,20 m de largura. O comprimento do canteiro varia de acordo com a quantidade de mudas a serem produzidas. Exemplificando, para o plantio de um hectare são necessárias 8.500 a 9.000 plântulas.

Sendo que um grama contém aproximadamente 200 sementes, em média gasta-se 3,0 a 4,0 gramas de sementes para cada metro quadrado de sementeira.

Após o preparo do canteiro, deve-se fazer o nivelamento da superfície e marcar o local dos sulcos e o espaçamento entre as linhas, que deve ter 10 cm e 1,5 a 2,0 cm de abertura e profundidade.

Durante a semeadura, distribui-se as sementes em linha corrida dentro do sulco e cobre-se com solo, sem compactação, para não dificultar a germinação das sementes. Posteriormente, deve-se realizar uma irrigação leve para melhorar o contato da semente com o solo.

Dependendo das condições edafoclimáticas, a germinação deve iniciar aos quatro ou cinco dias da semeadura. Após 25 a 35 dias, as mudas estarão com o tamanho adequado para o transplantio em campo ou cultivo protegido, com quatro a cinco folhas verdadeiras.

Da emergência até a data do transplantio, deverão ser feitas as irrigações e o controle de plantas daninhas e de insetos-pragas ou doenças para obtenção de mudas sadias e de qualidade, garantindo boa produção em campo.

Produção de mudas em bandejas

Atualmente, esse é o sistema usado pelos produtores de hortaliças, devido à maior garantia de sanidade e qualidade das mudas, em razão do maior controle das condições de cultivo que normalmente é realizado em casa-de-vegetação ou um ambiente protegido, cujo tamanho é variável conforme a necessidade de cada produtor rural e nível tecnológico.

Nesses locais, são montadas bancadas contendo fios de arame ou vergalhões de aço. Nesse sistema as bandejas ficam suspensas sobre os arames e vergalhões, evitando que as raízes das plântulas entrem em contato com o solo ou sobre bancadas, muitas vezes recebendo fertirrigação.

O fato de não haver contato com o solo evita o desenvolvimento de raízes sob as bandejas e seu enovelamento no recipiente, facilitando a remoção das mudas e o transporte para o local de cultivo sem que as raízes sejam danificadas durante o processo de transplantio.

No mercado há diferentes recipientes para a produção de mudas em tubetes de plástico ou copinhos de fibras vegetais, que vão desde os menos sofisticados aos mais sofisticados, assim como as bandejas. Recomenda-se utilizar aquela com o melhor custo-benefício ao produtor rural.

Os melhores resultados em berinjela têm sido observados, no caso de bandejas, quando se usa com 128 células.

Preparo do substrato

O substrato usado para o preenchimento dos copinhos de plásticos, bandejas de isopor ou tubetes podem ser comprados prontos em casas agropecuárias ou feito na propriedade pelo próprio produtor.

No mercado há diversos tipos de substratos, e o ideal varia dependendo da cultura, mas o produtor deve adquirir aqueles que possuam nutrientes suficientes, boa aeração e capacidade de troca de cátions, retenção de umidade, assim como favoreça o desenvolvimento das raízes, ou seja, o que apresenta o melhor custo-benefício, devendo observar que tipo de substrato atende a muda que se deseja formar para levar ao campo.

Os substratos influenciam diretamente na qualidade das mudas de qualidade e, consequentemente, na produtividade final desta hortaliça.

A turfa tem sido a preferida por grandes produtores de mudas de hortaliças, especificamente para a produção de berinjelas. Proporciona excelentes atributos químicos, físicos e biológicos para a formação da muda, além de outros atributos, como boa retenção de água e facilita o crescimento radicular.

Semeadura e cuidados com as plântulas

A quantidade de sementes usada na semeadura deve ser de uma a duas por célula. Logo após a semeadura, a irrigação deve ser leve e continuar por todo o período, para assim manter o substrato úmido, permitindo o desenvolvimento das mudas.

Além do mais, é importante realizar os manejos, caso haja necessidade, como capinas, eliminar plântulas defeituosas, controle de pragas e doenças, entre outros.

Processo de transplantio

Visando diminuir o estresse das plântulas durante o transplantio e aumentar o pegamento das mudas em campo ou casa de vegetação, recomenda-se que as mudas sejam levadas ao campo de produção definitivo quando possuírem de quatro a cinco folhas verdadeiras.

Em condições normais, isso ocorre cerca de 30 dias após a semeadura. As mudas produzidas em sementeiras, quando retiradas para o transplantio, deve-se ter o máximo de cuidado para evitar danos ao sistema radicular das plântulas. No caso das mudas produzidas em copos de plástico, deve-se retirar do recipiente para realizar o transplantio.

Logo após a retirada da sementeira, copinho ou bandeja, as mudas formadas devem ser rapidamente transplantadas para o campo, preferencialmente no início da manhã ou período da tarde, quando a temperatura normalmente é mais baixa, em solo pré-umedecido.

As plântulas devem ser plantadas com o colo na mesma altura que estavam na sementeira, copinho ou bandeja. Posteriormente ao plantio das mudas, a cova deve ser completada com solo, realizando nela uma leve compressão para não compactar o solo ou criar bolsas de ar que favoreçam o apodrecimento de raízes.

Em seguida, realizar irrigação visando melhorar o contato das raízes com o solo e assim, facilitar o pegamento, crescimento e desenvolvimento das mudas.

O espaçamento entre linhas pode variar de 1,20 a 1,50 m e entre plantas de 0,80 a 1,20 m, dependendo do hábito de crescimento da variedade/híbrido, das condições edafoclimáticas da região, do sistema de produção e dos manejo das plantas.

Tecnologias

Na produção de hortaliças a produção de mudas é uma etapa essencial para obtenção de boa produtividade em campo, e esse aumento na produção é observado desde as tecnologias que são aplicadas nas etapas iniciais do ciclo da cadeia produtiva, pois possibilita a obtenção de um estande de plantas homogêneo, com mudas de qualidade.