Inicio Revistas Hortifrúti Biológicos contra lagartas do morango

Biológicos contra lagartas do morango

0
1313

 

Dirceu Pratissoli

Doutor em Entomologia, professor e pesquisador do NUDEMAFI/CCA-UFES

pratissoli@cca.ufes.br

Créditos Dirceu Pratissoli
Créditos Dirceu Pratissoli

Atualmente, duas lagartas vêm provocando danos à cultura do morangueiro, sendo estes quanti e qualitativos, ambos reduzindo a produção, bem como o período de colheita da cultura. São elas: Duponchelia fovealis e Spodoptera eridania.

A Duponchelia fovealis (Lepidoptera: Crambidae) tem sua origem na região do Mediterrâneo e nas Ilhas Canárias, porém, pode ser encontrada em diversas partes na África, Oriente Médio, Europa, Canadá e Estados Unidos da América. No Brasil, foi constatada primeiramente em 2008 no estado do Paraná, depois no Espírito Santo e, recentemente, em Minas Gerais.

A primeira das pragas

A lagarta D. fovealis é uma praga polífaga que gera grandes problemas em diversas variedades de cultivos de plantas ornamentais e culturas agrícolas, especialmente em cultivos em estufa. Essa espécie foi relatada em mais de 70 espécies hospedeiras em cerca de 38 famílias de plantas como ornamentais dos gêneros Amaranthus, Anthurium, Begonia e culturas comercialmente, cultivadas como Capsicum annuum L.e Solanum lycopersicum L., Fragaria x ananassa, entre outras.

Com relação ao ciclo de vida de D. fovealis, pode-se salientar que é um inseto com desenvolvimento holometabólico. Os adultos ficam sob as folhas, possuem hábito noturno e durante o dia podem realizar voos curtos.

 Podem viver durante uma a duas semanas, sendo que a fêmea adulta põe até 200 ovos durante este período. O período de incubação dos ovos varia em torno de seis dias, dependendo da temperatura local.

Prejuízos

As lagartas alimentam-se de folhas, flores, brotos, frutos e restos de folhas/planta em decomposição e em culturas plantadas com maior densidade podem ser encontradas se alimentando de qualquer parte da planta.

As lagartas tendem a ficar em locais protegidos, como no colo da planta, túneis nos caules e em estádios mais avançados podem se alimentar da haste principal, inclusive abaixo da linha do solo. Alimentam-se dos tecidos da coroa da planta, provocando a interrupção da circulação de seiva, o que ocasiona o aparecimento de necrose nas bordas das folhas e posteriormente a morte da planta.

Devido ao seu ataque, a D. fovealis pode danificar caules, folhas e frutos, reduzindo a produção e inviabilizando o produto para o mercado in natura. Além disso, a injúria causada pelo ataque pode servir como meio de entrada para diferentes patógenos.

Disseminação

A disseminação desta praga pode ocorrer pelo comércio de material vegetal propagativo e não propagativo, e por isso medidas quarentenárias são necessárias para evitar a introdução dessa praga em áreas livres de ocorrência.

Spodoptera eridania em fruto de morango Créditos Dirceu Pratissoli
Spodoptera eridania em fruto de morango Créditos Dirceu Pratissoli

Spodoptera eridania

A Spodoptera eridania, da ordem/família: Lepidoptera/Noctuidae, também conhecida como lagarta das vagens, lagarta das folhas ou brocão, tem o período de oviposição variado, em média, de 4,0 a 11,5 dias, sendo que esta variação está diretamente relacionada com o hospedeiro, o qual já foi confirmado como fator determinante.

Este mesmo fator também interfere no número total de ovos/fêmea, podendo chegar a quase 3.000 ovos em algodoeiro. A duração do estágio larval é diretamente relacionada à temperatura e ao hospedeiro. Diversas pesquisas relatam que esta fase de desenvolvimento larval pode variar de 15 a 32 dias. Todos os hospedeiros propiciaram sobrevivência acima de 80% na fase larval.

A duração média do ciclo total (ovo a emergência do adulto) varia em função do alimento oferecido, podendo chegar a 35 dias.

 

Ocorrência

 

S. eridania é uma espécie polífaga, ocorrendo, principalmente, nas regiões de clima tropical nas Américas e até mesmo nas regiões temperadas. Nos agroecossistemas essa espécie utiliza diversas plantas denominadas invasoras, como hospedeiros secundários, de manutenção temporária, na ausência dos hospedeiros principais.

Essas plantas silvestres são utilizadas como refúgio e locais de alimentação. Existem estudos que demonstram sua preferência alimentar por plantas invasoras ao invés de plantas cultivadas.

Em face a isso, este inseto não possuía status de praga primária no Brasil. No entanto, nestas últimas cinco safras, constatou-se de forma crescente a ocorrência dessa praga em lavouras de algodão e soja, a qual esta mais presente nas regiões de cerrado, causando desfolha e danificando os órgãos frutíferos. Por ser polífaga, tem-se relato alimentando-se dealgodão, soja, feijão, plantas daninhas (corda-de-viola, beldroega, tiririca, etc.), milho, sorgo, hortaliças e frutíferas.

No estado do Espírito Santo esta espécie vinha sendo encontrada em diversas culturas e ervas daninhas. No entanto, pelo fato do uso em larga escala de agrotóxicos, principalmente em hortaliças, surtos tornaram-se frequentes em tomate. Contudo, a mesma tem sido registrada em morango, beterraba e, mais recentemente, em mudas de café e pimentão.

Ataque no colo da planta Créditos Dirceu Pratissoli
Ataque no colo da planta Créditos Dirceu Pratissoli

Essa matéria completa você encontra na edição de junho da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira a sua para leitura integral. 

SEM COMENTÁRIO