19.6 C
Uberlândia
domingo, maio 19, 2024
- Publicidade -
InícioArtigosComo obter uma boa safrinha de milho

Como obter uma boa safrinha de milho

A produtividade brasileira atinge cerca de 5 mil quilos por hectare. Mas é possível aumentar muito essa produtividade com investimentos em insumos e tecnologia. Em algumas regiões do mundo, é possível ter uma produtividade de até 30 mil quilos por hectare.

Diogo Pereira da Fonseca
Engenheiro agrônomo especialista em Fertilidade e Nutrição Vegetal
diogofonseca@grupoprodutec.com

Emerson Borghi
Pesquisador Embrapa Milho e Sorgo
emerson.borghi@embrapa.br

A área plantada na safrinha deve girar em 16 milhões de hectares
Crédito: Shutterstock

Para a safra 2023/24, a Conab prevê uma produção total de 118,53 milhões de toneladas de milho, um decréscimo esperado de 10,2%, comparando-se à safra anterior.
Essa redução na produção total é resultado do encolhimento da área de milho, com destaque da redução na segunda safra, em conjunto com uma menor produtividade projetada em campo.
Cabe destacar que a Conab projeta um decréscimo de 5,3% na área plantada e de 5,1% na produtividade do setor. Em relação aos dados da demanda doméstica, a companhia acredita que 84,5 milhões de toneladas de milho, da safra 2023/24, deverão ser consumidos internamente ao longo de 2024, ou seja, um aumento de 6,1%, comparativamente à safra anterior.
Sobre a balança comercial, a Conab projeta um aumento do volume de importação total para a safra 2023/24, projetada em 2,1 milhões de toneladas do grão, em razão da perspectiva de menor produção nacional.
Para as exportações, com a projeção de menor oferta nacional, a Conab estima que 38 milhões de toneladas sairão do país via portos, sendo este volume 32,1% inferior ao da safra 2022/23.
Nesta conjuntura, acredita-se que a redução da produção brasileira, somada à maior oferta disponível no mercado internacional, em meio à boa safra norte-americana, deverá reduzir o volume de exportações brasileiras do grão em 2024.
Com isso, o estoque de milho em fevereiro de 2025, ou seja, ao fim do ano-safra 2023/24, deverá ser de 4,51 milhões de toneladas, sendo este montante 28,9% inferior ao da safra 2022/23.

Inovações

No plantio de milho, surgiram várias inovações nos últimos anos, algumas delas determinantes para a sustentabilidade do processo produtivo desta cultura.
Em destaque está a agricultura de precisão, que vem sendo uma revolução na cultura do milho. Ela envolve o uso de sensores, drones e sistemas de GPS, que serão usados para a coleta de dados precisos sobre o solo, clima e crescimento das plantas.
Com essas informações o produtor consegue ter mais assertividade nas tomadas de decisões e utilização correta de seus insumos, evitando o desperdício de fertilizantes e defensivos, aumentando, dessa maneira, sua produtividade.
Outra inovação é a evolução tecnológica das máquinas agrícolas – as plantadeiras modernas já possuem dispositivos de precisão que distribuem os fertilizantes e as sementes de acordo com a necessidade da área ou talhão semeado.
Não menos importantes são as colheitadeiras que já vêm equipadas com sensores que monitoram umidade, qualidade dos grãos, perdas na colheita, produtividade instantânea, mapeamento da produtividade do talhão e outros.
Essas tecnologias empregadas nos equipamentos contribuem para uma colheita na hora certa, além de produzir informações relevantes para a gestão da fazenda e técnicos envolvidos no processo produtivo.
Os drones também vêm contribuindo muito para a cultura do milho, sendo utilizados para aplicações de defensivos, fertilizantes, sementes de capim e outros. Trata-se de uma tecnologia que vem agregando à cultura, e um dos seus grandes benefícios e a pulverização de defensivos em uma fase mais avançada da cultura, quando os equipamentos autopropelidos não conseguem mais entrar na lavoura sem causar amassamento na mesma.

Variedades

Hoje há, no mercado, em torno de 259 cultivares de milho, segundo dados da Embrapa. Nos novos lançamentos de sementes de milho se tem algumas novidades, como cultivar de milho tolerante à seca, lançamento de materiais de milho com ciclo superprecoce com uma boa tolerância ao complexo de enfezamento e lançamento de novos híbridos com tecnologias mais eficientes no controle das lagartas.
As empresas trabalham cada vez mais em busca de soluções para a realidade brasileira, trazendo milhos com um conjunto de características que atendam a demanda de cada região do Brasil.

Foto: Guilherme Viana

Efeito do El Niño na safra 2023/24

Os agricultores já sentem os impactos do El Niño na safra 2023/24 no Brasil. Este fenômeno climático vem se caracterizando de alta intensidade, com excesso de chuvas nas regiões mais ao sul do país e com baixo índice pluviométrico e altas temperaturas nas regiões centro-norte do Brasil.
Nas regiões centro-oeste, alguns estados do sudeste, norte e Mapitoba, que são regiões importantes na produção do cereal, vêm apresentando nesta safra um grande atraso no plantio em relação à safra anterior.
Vários produtores precisaram fazer o replantio em suas propriedade devido à falta de chuvas no momento do plantio. Observaram-se, também, lavouras de soja já instaladas sofrendo com falta de chuva e altas temperaturas.
Em resumo, o El Niño vem afetando consideravelmente a agricultura brasileira, com prejuízos incalculáveis até o momento, como redução da área plantada que até o momento pode ser umas das maiores na segunda safra dos últimos anos.

O que fazer rumo às altas produtividades

Os principais manejos para alcançar altas produtividades na cultura de milho são: plantar na janela adequada de cada região, escolher o material de milho que se encaixe no seu propósito e manejo (grão ou silagem).
É igualmente importante escolher material de milho com boa tolerância ao enfezamento, fazer um bom tratamento de semente que traga segurança para as principais pragas da cultura, em especial para a cigarrinha do milho (Dalbulus maidis), uma praga que vem causando muito prejuízos e, em alguns casos, inviabilizando o plantio do cereal.
O produtor deve planejar e efetuar uma adubação equilibrada e utilizar defensivos de forma preventiva, com o objetivo buscar o maior potencial produtivo da cultura.

Sistema antecipe
A produtividade da sua lavoura assegurada

O Sistema Antecipe é uma estratégia de diminuição de riscos na produção do milho safrinha. É importante destacar que a Embrapa não está recomendando que o Antecipe seja utilizado em toda a propriedade, e sim em talhões onde, em função da capacidade operacional, o milho safrinha sempre foi semeado em condições restritivas à produtividade, como a falta de chuva, por exemplo.

Como funciona

A antecipação do cultivo de milho nas entrelinhas da soja aumentará a produtividade em relação ao milho semeado fora da janela definida pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).
Este cultivo poderá ser antecipado em até 20 dias antes da colheita, mas, para a melhor tomada de decisão, o produtor precisa conhecer em detalhes a cultivar de soja e seu ciclo, para que possa efetuar o cultivo intercalar sem prejuízo à colheita da soja e não ultrapassando o limite de crescimento do milho (V5).
Em algumas regiões, o Antecipe poderá ocorrer em R6, por exemplo.

Cenário agrícola

Em experimentos a campo em estados como Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Paraná, a antecipação da semeadura do milho segunda safra permitiram ganhos que variaram entre 20 a 50%, a depender da região, do ano agrícola e das cultivares de soja utilizadas.
O ganho de produtividade com o Sistema Antecipe chegou a 1,5 saca por hectare para cada dia de antecipação na semeadura.

Desafios do sistema

O Antecipe exige planejamento, que começa antes da semeadura da soja. Se o sistema Antecipe for realizado após a maturidade fisiológica da soja, as chances de abertura de vagens por deiscência é maior.
Por isso, o Sistema Antecipe não deve ser realizado próximo à época de colheita da soja. Nesta condição, recomenda-se a colheita da soja e posterior semeadura do milho safrinha na sequência.
Para implantação, são sugeridas várias recomendações, entre elas, que o milho esteja no momento da colheita da soja até o estádio de desenvolvimento V5, pois, até este estádio, o ponto de crescimento do milho encontra-se abaixo da superfície do solo.
Para que não ocorram perdas de vagens por deiscência, o Antecipe requer que esta semeadura ocorra sob determinadas recomendações, entre elas, que seja executada a partir do estádio R5 da soja (a depender da região).
Em 2010, para uma nova etapa da pesquisa, foi desenvolvida uma semeadora-adubadora para realizar este plantio intercalar. Este protótipo de semeadora-adubadora desenvolvido em 2010 tem patente requerida pela Embrapa, pois não há nenhuma máquina que consiga fazer esta operação de plantio sem danificar a soja.

Foto: Guilherme Viana


Atenção

A tecnologia foi desenvolvida para não dificultar as operações na fazenda. Se o produtor resolver adotar o Antecipe em parte de sua área (até mesmo porque não é preciso antecipar toda a fazenda), não serão necessários ajustes no espaçamento entrelinhas.
Isso só foi possível porque a semeadora-adubadora para o Antecipe foi desenvolvida para trabalhar nos mesmos espaçamentos que qualquer semeadora existente no mercado.
Assim, se a soja é semeada no espaçamento de 50 cm entrelinhas, por exemplo, no momento da entrada da máquina para o Antecipe, o espaçamento do milho também continuará com 50 cm, pois a semeadora-adubadora desenvolvida permite estas regulagens de espaçamento.

Cuidados

Porém, alguns cuidados devem ser considerados. Você poderá entender todas as recomendações para que possa ser implementado o Sistema Antecipe a partir da página 98 do livro, seção “Recomendações Técnicas para implantação do Antecipe”.
A partir da página 34 do livro que estamos disponibilizando gratuitamente para download, são explicadas são explicadas as bases fisiológicas da desfolha precoce de plantas de milho.
Os pesquisadores Dr. Paulo Cesar Magalhães (Embrapa Milho e Sorgo) e Prof. Dr. Thiago Corrêa de Souza (Universidade Federal de Alfenas) explicam com detalhes, utilizando uma ampla literatura conceitual, que o milho, até o estádio de desenvolvimento V5, tem o seu ponto de crescimento abaixo da superfície do solo.
Consulte www.embrapa.br/sistema-antecipe

Ainda em segredo

A semeadora-adubadora exclusiva do Antecipe se diferencia de outras tecnologias disponíveis no mercado, mas os detalhes fazem parte do pedido de patente e por enquanto não podem ser revelados.
Este protótipo de semeadora-adubadora desenvolvido em 2010 tem patente requerida pela Embrapa, pois não há nenhuma máquina que consiga fazer esta operação de plantio sem danificar a soja.
Entre 2010 e 2019, esta máquina foi testada em diferentes condições, para que pudesse realizar o plantio sem danos ao grão. Em 2019, pois feita uma parceria público-privada com uma empresa brasileira e, desde 2020, a semeadora está disponível aos produtores brasileiros nas versões de 4, 6 ou 9 linhas (esta última só semente, sem os depósitos de fertilizante).

Aplicativo

Para ajudar o produtor a identificar o momento ideal de iniciar o planejamento do cultivo no Antecipe, a Embrapa desenvolveu um aplicativo para dispositivos móveis específico para o sistema.
Assim, será possível identificar, com precisão, todas as fases fenológicas do milho e da soja, e saber como proceder em cada etapa deste sistema. Importante: o APP ainda não está disponível para acesso.

Treinamento

No portal do Antecipe há palestras e cursos gravados que detalham sobre o cultivo intercalar. Além disso, a Embrapa realiza treinamentos e capacitações técnicas com parceiros (cooperativas e técnicos de assistência técnica pública e privada) para que o Antecipe consiga chegar aos produtores com mais rapidez e assertividade.
Lá ainda pode ser encontrado um link com perguntas e respostas frequentes, e mais informações sobre manejo de pragas, adubação e outros questionamentos já respondidos pela equipe que desenvolveu a tecnologia.

Crédito: Arquivo pessoal

Estratégia

Se você tem capacidade operacional para plantar toda a sua safrinha dentro da janela da região, você não precisa do Antecipe. Assim, basta continuar com seu sistema já trabalhado.
Lembre-se: o Antecipe é uma estratégia de redução de risco, e o milho semeado antecipadamente não produz mais que o milho semeado dentro da janela ideal.
O milho no Antecipe produz mais que o milho plantado fora da janela. Dentro do Antecipe só produzirá mais que o milho pós-colheita se houver estresses na planta, dependendo do estádio fenológico.
Por fim, o Antecipe é para antecipar. Logo, não é necessário fazer dessecação na soja para antecipar a colheita. Se a opção for dessecar a soja, não se deve plantar o Antecipe. Se for antecipar com o Antecipe, não há razão econômica, agronômica e principalmente legal de dessecar a soja.
Mas, caso seja esta opção de aplicação (por causa de problemas outros, por exemplo, limpeza de daninhas na área) não se deve fazer o Antecipe.

Eficiência e sustentabilidade no Agro

A Fazenda 7 de Maio, sob a gestão do Brasil Fleury Pinho, destaca-se pela produção agrícola bem-sucedida, com ênfase na safrinha de milho. Com uma área significativa de 700 hectares, uma fazenda, localizada na GO 437, Km 30, no município de Gameleira de Goiás (GO), destina um terço de sua produção ao milho safrinha.
E a propriedade não se limita apenas ao milho safrinha; ela diversifica sua produção com culturas como soja, milho e girassol. Desde 2010, o produtor tem desbravado o cenário agrícola, adaptando-se às mudanças e inovações para melhorar seus resultados.

Brasil Fleury Pinho, produtor de grãos

Inovações na agricultura

Pinho compartilha suas observações sobre as inovações que vêm transformando a agricultura em sua propriedade:

  1. Defensivos mais eficientes e sustentáveis: a evolução dos defensivos agrícolas, os torna mais eficientes na proteção das atividades, ao mesmo tempo em que busca ser menos agressivo ao meio ambiente.
  2. Substituição de adubação química pelo pó de rocha: uma prática na Fazenda 7 de Maio é a substituição de parte da adubação química por pó de rocha. Essa abordagem visa não apenas melhorar a fertilidade do solo, mas também reduzir a dependência de insumos químicos.
  3. Equipamentos mais precisos: a fazenda investe em maquinário agrícola moderno, com ênfase na precisão e na facilidade de uso. Equipamentos mais avançados ajudam a otimizar o trabalho no campo, aumentando a eficiência e reduzindo o desperdício.
  4. Acesso a informações climáticas e de mercado: a agricultura moderna depende de dados. Pinho destaca a importância do acesso facilitado a informações climáticas e de mercado. Isso permite tomar decisões mais informadas e estratégicas ao longo do ciclo de produção.

Dedicação ao milho safrinha

Com um terço de sua área dedicada ao milho safrinha, a Fazenda 7 de Maio busca maximizar os rendimentos dessa cultura específica. A atenção especializada, juntamente com as práticas inovadoras adotadas, visa não apenas obter uma colheita abundante, mas também aprimorar a sustentabilidade a longo prazo.
Brasil Pinho reforça seu compromisso em continuar adotando práticas sustentáveis e inovadoras. Além disso, expressa o desejo de compartilhar conhecimentos e experiências com outros produtores, contribuindo assim para o desenvolvimento do setor agrícola.
Numa era em que a agricultura se torna cada vez mais tecnológica e sustentável, a Fazenda 7 de Maio destaca-se como um exemplo de sucesso, inspirando outros a seguir caminhos semelhantes para obterem safrinhas de milho ainda mais

ARTIGOS RELACIONADOS

Revolução das sementes de soja

  Francisco Soares Neto Diretor-presidente da TMG A sojicultura é hoje, no Brasil, a atividade com o maior giro financeiro em toda a cadeia do agronegócio....

Mecanização a favor da safrinha

Patrícia Morais Crivelenti Diretora de MKT e Estratégia da Jumil Segundo dados colhidos em vários institutos de pesquisas, Learning Center Monsanto, Fundação MT, Embrapa, etc., e...

Advanta Sementes anuncia investimentos e entra no mercado brasileiro de soja

  A Advanta Sementes, empresa multinacional de sementes, entra em um novo mercado de atuação, essencial para o agronegócio brasileiro. As sementes de soja se...

Cuidados com cultivo da safrinha do feijão

O cultivo do feijão de 3ª safra, também chamado de safrinha ou irrigado, merece atenção ...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!