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quinta-feira, junho 30, 2022
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Couve-flor híbrida garante segurança e rendimento

Antonio Ismael Inácio Cardoso

Doutor em Genética e Melhoramento de Plantas e professor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho

ismaeldh@fca.unesp.br

Plantio de couve-flor exige mudas de alta qualidade - Créditos Shutterstock
Plantio de couve-flor exige mudas de alta qualidade – Créditos Shutterstock

Com o aumento da competitividade e a necessidade de se produzir com mais qualidade, tornou-se necessário para o produtor de couve-flor investir na utilização de novos equipamentos e tecnologias, como sistemas de irrigação, adubação, controle de pragas e doenças e, principalmente, cultivares mais adaptadas e com maior potencial de produção, sem se esquecer da qualidade das mudas.

Mudas de alta qualidade darão origem a plantas com alto potencial produtivo, enquanto mudas com sistema radicular ou parte aérea afetados darão origem a plantas com potencial limitado.

Melhoramento inova com híbridos

Híbridos de verão, resultantes do cruzamento entre cultivares de verão e inverno, são de precocidade intermediária, porém, com vigor de híbrido acentuado e desenvolvimento foliar bastante rápido. Os híbridos apresentam como vantagens, comparados às cultivares de polinização aberta, maior uniformidade, maior resistência às oscilações bruscas de temperatura (muito comum nas semeaduras de primavera) e formação de cabeça maior e de melhor qualidade.

A maioria dos híbridos geralmente mostra-se superior em produtividade e qualidade que as cultivares de polinização aberta. A uniformidade genética dos híbridos favorece a colheita concentrada, favorecendo a rápida liberação de cada gleba para o plantio da próxima cultura.

 

Híbridos de verão, resultantes do cruzamento entre cultivares de verão e inverno, são de precocidade intermediária- Créditos
Híbridos de verão, resultantes do cruzamento entre cultivares de verão e inverno, são de precocidade intermediária- Créditos

Produção de mudas

Atualmente, tem-se utilizado bandejas de poliestireno expandido (“isopor“), ou de plástico rígido, para a produção de mudas. Estas apresentam vantagens sobre outros recipientes, como a facilidade no transporte (por acondicionarem grande número de mudas); melhor aproveitamento das sementes híbridas que apresentam maior valor, produzindo-se com cada semente viável uma muda; redução do ciclo da planta no campo; facilidade para realização dos tratos culturais iniciais (irrigações e pulverizações); melhor população (estande) com menos falhas; aumento da homogeneidade das plantas; reutilização do material e menor dano à raiz no ato do transplante.

Há, também, ampla adaptação à utilização de diversos substratos alternativos, comerciais ou misturas destes, viabilizando a produção de mudas em grande escala com custo inferior.

As mudas podem ser produzidas na propriedade pelo próprio agricultor ou adquiridas de viveiristas especializados. Este mercado profissionalizado de mudas trabalha principalmente visando o sistema de vendas por encomenda.

A maioria dos híbridos geralmente mostra-se superior em produtividade e qualidade - Créditos Shutterstock
A maioria dos híbridos geralmente mostra-se superior em produtividade e qualidade – Créditos Shutterstock

Cuidados

Para produção pelo próprio produtor, este necessita ter “estufa agrícola” (estrutura de cultivo protegido) adequada para este fim, com bancadas para colocação das bandejas, sistema de irrigação e fechamento das laterais com tela antiafídeo para evitar a entrada de pragas.

Quanto ao tamanho dos recipientes, devem ser utilizados aqueles que permitam a otimização do fornecimento de água, luz e nutrientes até a muda atingir o tamanho necessário para o transplante. Alterando o volume do recipiente, altera-se o volume de enraizamento das plantas, o qual afeta o crescimento e tamanho da parte aérea.

Na cultura da couve-flor, as mudas estão sendo produzidas geralmente em bandejas de 200 a 288 células. A bandeja com 288 células tem 6,2 cm de altura e 3,5 cm de comprimento, totalizando um volume de 34,6 cm3.

A tendência ao uso de bandejas com células pequenas visa a economia de substrato e de espaço no viveiro, pois quanto menor o volume das células, maior o número de mudas que podem ser obtidas por metro quadrado de estufa, e, consequentemente, menor o custo de produção.

Entretanto, a economia obtida pode prejudicar a produção final, pois o menor volume de célula pode ser insuficiente para o desenvolvimento adequado das mudas, impedindo que as cultivares disponíveis expressem seu potencial, reduzindo a produtividade e a qualidade da “cabeça“, principalmente se as condições de cultivo não forem as ideais.

Por exemplo, mudas produzidas em bandejas com menor número de células (maior volume de substrato por muda) tendem a suportar chuvas intensas logo após o transplante, com menor perda de produção em relação às mudas produzidas em bandejas com maior número de células.

A couve-flor necessita de um período de baixas temperaturas para que haja a iniciação da cabeça - Créditos Shutterstock
A couve-flor necessita de um período de baixas temperaturas para que haja a iniciação da cabeça – Créditos Shutterstock

Idade das mudas

A idade da muda é outro fator que pode afetar a planta no campo, pois o desenvolvimento radicular desta é dependente do volume de substrato disponível, e se for mantida por período muito grande, ela poderá apresentar deficiências nutricionais ou até mesmo enovelamento das raízes.

Para produtores especializados ocorre a tendência de se comercializar mudas mais novas, para reduzir o tempo delas nos viveiros de produção. Os produtores que irão cultivar estas mudas, às vezes, preferem as mais desenvolvidas. Provavelmente, esta preferência está relacionada com a facilidade no transplante, proporcionada por mudas com o sistema radicular compacto que não se quebra no momento da retirada das bandejas.

Entretanto, em couve flor, ao utilizar mudas passadas do ponto de transplante, aumenta-se a porcentagem de plantas com “cabeças“ pequenas, com menor valor comercial.

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