Cultivo de alface: detalhes que podem ser o diferencial

0
349
Crédito Shutterstock

Daniela Aparecida Teixeira

Engenheira agrônoma, mestra e doutora em Horticultura – FCA-UNESP/Botucatu

daniela.teixeira@hotmail.com

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em estudo publicado em 2021, traz o panorama da produção de hortifrúti no País, onde 40% da produção concentra-se na região sudeste, seguida por nordeste, com 21,58%; sul com 17,33%; norte com 14,46% e o Centro-oeste com 5,76%; sendo este último grande produtor de milho e soja.

Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POFs) do IBGE, nos últimos 10 anos o hábito de consumo de hortaliças do brasileiro não teve grande variação. Tomate, batata, cebola e cenoura, respectivamente, seguiram sendo os líderes do ranking.

A alface obteve um recuo, passando da 7ª para 8ª mais consumida. Mesmo os gastos com alimentação tendo se mantido, o consumo de hortifrúti diminuiu, o que, analisando a situação econômica atual do País, deve-se ao aumento nos preços desses produtos.

Alface na liderança

A alface está entre as hortaliças folhosas mais consumidas, seguida por rúcula, couve, acelga, coentro, espinafre e agrião. No panorama mundial dessa, que é a folhosa mais consumida no mundo, a China encabeça como o maior produtor (23 milhões de toneladas), seguido por EUA e Índia.

No Brasil, a produção conta com 1,5 milhão de toneladas. É importante ressaltar que a cultura, além de suas propriedades nutricionais (vitaminas, fibras, minerais, ação antioxidante, etc.), exerce também um papel fundamental na geração e manutenção de empregos, 6.500 empregos diretos, além de favorecer o desenvolvimento do setor de produção de sementes, fertilizantes, defensivos agrícolas, e no campo da pesquisa/extensão.

Outro ponto importante é que, devido as técnicas empregadas, produção intensiva anual e à profissionalização, a atividade ganha status de prática empresarial, ressaltando a importância do emprego de tecnologias que propiciam o cultivo sob diferentes condições de clima e temperatura, no caso, a utilização de variedades adequadas às condições do local de plantio.

Pragas e doenças

Em toda cultura, é imprescindível saber sobre os fatores que limitam seu crescimento e desenvolvimento. As pragas e doenças são um desses fatores, pois podem causar perdas de até 100%, dependendo do causador e do grau de infestação.

O indicado é sempre consultar um profissional licenciado para que possa efetuar e indicar, de forma segura, o controle mais adequado ao tipo de problema relatado pelo produtor.  As pragas e doenças mais comuns que acometem a cultura podem ser encontradas na sequência.

Entre as pragas, tem-se os pulgões, que ocorrem de forma ampla nos vegetais folhosos. Eles sugam a seiva de folhas e flores. As lesmas também são um problema para a cultura, pois se alimentam das folhas.

Tanto o ataque de lesmas quanto de pulgão causa lesões nos órgãos vegetais, que ficam suscetíveis à entrada e à ação de patógenos causadores de doenças. Além disso, o ataque de pragas deprecia o produto, que não pode ser comercializado ou então é comercializado com um valor bem abaixo do tabelado.

Em relação às doenças, a esclerotínia é um problema para as mais diversas culturas, incluindo a alface, resultando em plantas amareladas e com murchamento.

O míldio tem como agente causal Bremia lactucae, com as características de causar amarelecimento e manchas necróticas nos tecidos mais velhos.

Controle de pragas e doenças

O controle, tanto de pragas como doenças, deve ser preventivo, porém, nem sempre há essa possibilidade, e aí ocorre a necessidade de profilaxia. Sempre utilizar sementes certificadas e variedades resistentes, pois elas garantem, além de boa produtividade, resistência a diversos tipos de doenças ou pragas.

Estimular a presença e permanência de inimigos naturais, ou em caso de necessidade, recorrer ao controle biológico comercial, com a aquisição de insetos que sejam benéficos à cultura.

Utilizar coberta de fileira e telas para a proteção da cultura. Atentar sempre para a recomendação de adubação, pois plantas com excesso de nitrogênio são um atrativo para pragas.

O controle de plantas invasoras deve ser realizado com frequência, pois podem ser espécies hospedeiras de patógenos que prejudicam o desenvolvimento da cultura. O controle químico indicado deve ser prescrito por um profissional responsável e licenciado.

Evite fazer uso de qualquer produto sem conhecimento prévio, pois o tipo de molécula e as doses são indicadas e calculadas de acordo com o tipo de agente causador e nível de infestação na lavoura.

Manejo de lagartas

Quando houver ocorrência de lagartas, o recomendado é o uso de armadilhas que trazem na composição feromônios sexuais. Se for constatada a presença de mariposa, recomenda-se a liberação do parasitoide de ovos do gênero Trichogramma.

Outra possibilidade é o emprego de Bacillus e outros produtos registrados no Ministério de Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), que devem ser utilizados assim que for  observada a presença de lagartas na cultura.

Quando houver necessidade de utilizar controle químico, o aplicador deve estar equipado com os EPIs necessários.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!