16.6 C
Uberlândia
quinta-feira, junho 20, 2024
- Publicidade -spot_img
InícioDestaquesDesafios na sucessão das empresas familiares

Desafios na sucessão das empresas familiares

Pensando Estrategicamente por Antônio Carlos de Oliveira. Texto publicado originalmente no Diário de Uberlândia.

Antônio Carlos de Oliveira/Reprodução

Embora a sucessão em empresas familiares ocorra de geração em geração, nem sempre esse processo é bem-sucedido. Muitas vezes, ele é interrompido devido a conflitos internos ou estratégias mal planejadas. Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), apenas 30% das corporações familiares passam para a segunda geração e somente 5% chegam à terceira geração.

Esses dados refletem a realidade do momento e evidenciam os desafios que envolvem a continuidade dos negócios familiares. A falta de planejamento sucessório é um dos principais obstáculos, frequentemente agravado por disputas entre membros da família e a ausência de preparação adequada dos sucessores.

A transição de liderança requer não apenas habilidades de gestão, mas também a capacidade de navegar pelas dinâmicas familiares complexas. Sem um plano de sucessão claro, os conflitos podem escalar, levando à fragmentação e, em alguns casos, ao colapso da empresa. Além disso, a resistência à profissionalização pode limitar o crescimento e a adaptação da empresa às novas demandas do mercado.

O apoio e o treinamento dos futuros líderes são essenciais para assegurar uma passagem suave do bastão. Implementar práticas de governança, estabelecer conselhos consultivos e criar programas de desenvolvimento de liderança são medidas que podem aumentar as chances de sucesso na transição. Em suma, a sobrevivência e a prosperidade das empresas familiares dependem de um equilíbrio delicado entre tradição e inovação.

A fase mais crítica do processo sucessório está geralmente relacionada à necessidade de planejamento e profissionalização para garantir o sucesso. Além disso, o sucessor precisa do apoio do antecessor e da concordância dos outros membros da família.

Em empresas familiares, a ética é um fator sensível, pois a cultura da organização está intimamente ligada aos hábitos, perfil e modo de vida da família proprietária. Um dilema comum ocorre quando um membro da família concorre a uma vaga com alguém mais qualificado, mas sem vínculo familiar. Nesse caso, a preferência pelo familiar, apesar de possivelmente equivocada, pode prevalecer sobre a escolha do candidato mais preparado.

Nessas situações, as decisões muitas vezes não seguem estritamente o plano estratégico da empresa, considerando o parentesco como um fator determinante. Em cenários mais complexos, é necessário não apenas a capacidade racional para resolver conflitos, mas também a habilidade de lidar com a ambiguidade de maneira heurística.

A falta de planejamento sucessório é um agravante significativo nas empresas familiares. Pesquisas recentes indicam que 55% dessas empresas não possuem um plano de sucessão e 81% não têm programas de capacitação para as novas gerações.

Segundo o pesquisador LEITÃO, o conflito contínuo gira em torno da garantia da continuidade da sociedade empresarial com profissionalismo e respeito constantes. John Ward membro do corpo docente e diretor do Centro de Empreendimento da Kellogg School of Management, afirma que as empresas familiares tendem a gerar conflitos emocionais, que são paradoxos por natureza.

LEITÃO sugere que uma comunicação aberta e verdadeira é essencial para evitar incoerências e resolver paradoxos mais complicados. A transição de liderança nas empresas familiares, garantindo sua sustentabilidade e crescimento a longo prazo.

Um exemplo de paradoxo é a decisão de um pai sobre manter seus filhos próximos ou distantes. Este dilema não pode ser resolvido simplesmente, mas deve ser gerido, aceitando a convivência com a ambiguidade e apreensão.

O planejamento da sucessão em empresas familiares é um dilema evidente. Mesmo que o líder esteja ciente da importância de uma conduta séria para a continuidade do negócio, ele enfrenta seus próprios problemas, anseios e temores, tornando a abdicação de seu papel mais complexa do que imaginava. Ao adiar indefinidamente a sucessão do poder e a aposentadoria, o patriarca tenta fugir do dilema entre integridade e desespero, vendo o sucessor como uma ameaça ao seu status.

Os sucessores enfrentam dilemas semelhantes, lidando com a ambiguidade e a pressão para assumir a liderança da empresa familiar. Essa transição, muitas vezes, envolve expectativas elevadas e a necessidade de manter o legado, enquanto se implementam inovações necessárias para a sobrevivência do negócio.

A falta de preparação e treinamento adequado pode agravar esses desafios, criando tensões entre diferentes gerações. Em muitos casos, a proximidade emocional com o patriarca ou matriarca torna a tomada de decisões ainda mais complexa, exigindo habilidades de gestão de conflitos e comunicação eficaz. Para garantir uma transição bem-sucedida, é crucial que os sucessores recebam apoio e orientação, além de terem um plano de sucessão bem definido e acordado por todos os envolvidos.

Para uma administração eficaz das empresas familiares, é essencial ter regras e acordos consistentes, uma governança bem estruturada e líderes comprometidos com a perpetuidade do patrimônio.

Empresas que estão começando geralmente não são bem estruturadas, o que é normal. No entanto, à medida que o negócio cresce, é necessário se estruturar para se desenvolver sustentavelmente através de métodos e processos integrados.

Muitos líderes acreditam que o crescimento sem profissionalização os torna imunes a problemas. Porém, toda empresa é criada com a intenção de expansão e agregação de valor. Portanto, as empresas familiares devem estar preparadas para esse desenvolvimento.

A profissionalização da gestão não implica apenas na substituição de membros da família por profissionais externos, envolvendo gestores contratados e remunerados na tomada de decisões e substituindo metodologias intuitivas por modelos impessoais e racionais.

A profissionalização é o caminho para as empresas familiares alcançarem um comportamento administrativo moderno e eficiente, garantindo a continuidade e o sucesso do negócio através das gerações.

ARTIGOS RELACIONADOS

Governança Corporativa em empresas familiares

A implementação da governança corporativa em empresas familiares é fundamental para garantir a continuidade e o sucesso dos negócios, além de promover a transparência e a profissionalização da gestão.

Governança corporativa em empresas familiares

A implementação da governança corporativa fortalece empresas familiares, garantindo a continuidade do negócio e o equilíbrio entre interesses familiares e profissionais

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!