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Exigências nutricionais da bananeira

 

Equipe da Embrapa Mandioca e fruticultura

 

 Créditos Shutterstock
Créditos Shutterstock

O cultivo da banana demanda grandes quantidades de nutrientes para manter bom desenvolvimento vegetativo e reprodutivo. O potássio e o nitrogênio são os mais absorvidos e os que mais participam de funções essenciais ao crescimento e produção da bananeira.

Em ordem decrescente, a bananeira absorve os seguintes nutrientes: macronutrientes – potássio (K) > nitrogênio (N) > cálcio (Ca) > magnésio (Mg) > enxofre (S) > fósforo (P); e micronutrientes – cloro (Cl) > manganês (Mn) > ferro (Fe) > zinco (Zn) > boro (B) > cobre (Cu).

Em média, um bananal retira, por tonelada de frutos, 1,9 kg de N; 0,23 kg de P; 5,2 kg de K; 0,22 kg de Ca e 0,30 kg de Mg. A grande exigência da bananeira faz com que seu cultivo nos Tabuleiros Costeiros, onde os solos são muito pobres em nutrientes essenciais e em matéria orgânica, só seja possível em sistemas intensivos que possibilitem grandes aportes de fertilizantes e maior eficiência na absorção, a exemplo da irrigação.

Outra alternativa também viável é o cultivo baseado em cobertura morta, utilizando o resíduo do próprio bananal, em função da grande quantidade de nutrientes que retorna ao solo por meio dos pseudocaules, folhas e rizomas.

Os nutrientes devolvidos ao solo pelos resíduos podem chegar a valores máximos aproximados de 170 kg de N, 9,6 kg de P, 311 kg de K, 126 kg de Ca, 187 kg de Mg e 21 kg de S/ha/ciclo.

Quando um nutriente está em deficiência, a planta expressa este desequilíbrio por sintomas visuais - Créditos Shutterstock
Quando um nutriente está em deficiência, a planta expressa este desequilíbrio por sintomas visuais – Créditos Shutterstock

Sintomas de deficiências

Quando um nutriente está em deficiência, a planta expressa este desequilíbrio por sintomas visuais que se manifestam, principalmente, por meio de alterações nas folhas, como coloração, tamanho e outras. Além das folhas, alguns sintomas podem ocorrer nos cachos e frutos.

Vale salientar, no entanto, que a diagnose visual é apenas uma das ferramentas utilizadas para estabelecer as deficiências nutricionais em bananeira, devendo ser confirmadas pelas análises químicas de solos e folhas, que definirão, se for o caso, as doses de nutrientes a serem aplicadas.

Tabela 1. Sintomas visuais de deficiências de nutrientes em folhas da bananeira

Nutriente Idade da folha Sintomas no limbo Sintomas adicionais
N Todas as idades Verde-claro uniforme. Pecíolos róseos.
Cu Todas as idades Dobramento da nervura principal.
Fe Jovens Folhas amarelas, quase brancas.
S Jovens Folhas, inclusive nervuras, tornam-se verde-pálidas a amarelas. Engrossamento das nervuras secundárias.
B Jovens Listras perpendiculares às nervuras secundárias. Folhas deformadas (limbos incompletos).
Zn Jovens Faixas amareladas ao longo das nervuras secundárias. Pigmentação avermelhada na face inferior das folhas jovens.
Ca Jovens Clorose nos bordos. Engrossamento das nervuras secundárias; clorose marginal descontínua e em forma de “dentes de serra”; diminuição do tamanho da folha.
Mn Medianas Limbo com clorose em forma de pente nos bordos. Ocorrência do fungo Deightoniellatorulosa, que pode contaminar os frutos.
P Velhas Clorose marginal em forma de “dentes de serra”. Pecíolo se quebra; folhas jovens com coloração verde-escura tendendo a azulada.
Mg Velhas Clorose da parte interna do limbo; nervura central e bordos permanecem verdes. Descolamento das bainhas.
K Velhas Cloroseamarelo-alaranjada e necroses nos bordos. Dobramento do limbo na ponta da folha, com aspecto encarquilhado e seco.

Tabela 2. Sintomas de deficiências de nutrientes nos cachos e frutos da bananeira.

Nutriente Sintomas
N Cachos raquíticos, menor número de pencas.
P Frutos com menor teor de açúcar.
K Cachos raquíticos, frutos pequenos e finos, maturação irregular, polpa pouco saborosa.
Ca Maturação irregular, frutos verdes junto com maduros, podridão dos frutos, pouco aroma e pouco açúcar. A sua falta pode ser uma das causas do empedramento da banana ‘Maçã’.
Mg Cacho raquítico e deformado, maturação irregular, polpa mole, viscosa e de sabor desagradável, apodrecimento rápido do fruto.
S Cachos pequenos.
B Deformações do cacho, poucos frutos e atrofiados. A sua falta pode levar ao empedramento da banana ‘Maçã’.
Fe Pencas anormais, frutos curtos.
Zn Frutos tortos e pequenos, com ponta em forma de mamilo (Cavendish) e de cor verde-pálida.

Recomendações de calagem e adubação

Pela análise química do solo é possível determinar os teores de nutrientes nele existentes, e assim recomendar as quantidades de calcário e de adubo que devem ser aplicadas. Com a aplicação de doses adequadas de fertilizantes e calcário, obtém-se aumento mínimo de 50% na produtividade.

Créditos Shutterstock
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Calagem

A aplicação de calcário, quando recomendada, deve ser realizada com antecedência mínima de 30 dias ao plantio. O calcário deve ser aplicado a lanço em toda a área e incorporado por meio de gradagem profunda.

Em virtude da pouca mobilidade do Ca no solo, é imprescindível a utilização de gradagem para incorporação do calcário. Recomenda-se o uso do calcário dolomítico, que contém Ca e Mg, evitando assim o desequilíbrio entre o K e Mg e, consequentemente, o surgimento do distúrbio fisiológico “azul da bananeira” (deficiência de Mg induzida pelo excesso de K).

 

 

Essa matéria completa você encontra na edição de fevereiro 2017  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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