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sábado, agosto 13, 2022
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Fertilizantes de liberação controlada na silvicultura

Adriane Roglin

Engenheira florestal, MSc e consultora da Consufor

www.consufor.com

Crédito Shutterstock
Crédito Shutterstock

Atualmente, as florestas plantadas correspondem a uma área de 7,6 milhões de hectares, distribuídos principalmente entre os gêneros Pinus e Eucalyptus. Apesar de esta área representar apenas 1% da extensão territorial do País, os plantios florestais englobam uma grande diversidade de classes de solos e condições climáticas, em função da dispersão destes em praticamente todas as regiões.

A consequência desta dispersão das florestas é a variação das produtividades, principalmente quando se trata das características dos solos florestais, que de maneira geral são de baixa fertilidade natural associada à condição de solos degradados.

Desta forma, o manejo nutricional se torna uma das ferramentas mais importantes na condução de uma floresta altamente produtiva. Além disso, tanto o monitoramento do solo quanto das plantas se faz necessário a fim de equilibrar o fornecimento de nutrientes essenciais em cada fase de desenvolvimento.

Recomendações

 A fim de identificar a real necessidade do solo quanto à reposição de nutrientes, a Consufor recomenda que o silvicultor faça uma análise de solo antes de iniciar a implantação da cultura florestal. Atualmente, existem diversos profissionais e empresas habilitados a realizar análises químicas ou físico-químicas. Somente a partir desta análise de solo é possível determinar a dosagem mais adequada à cultura florestal a ser implantada.

Existem dois conceitos básicos de adubação voltados para a atividade de silvicultura: adubação convencional e adubação de liberação controlada. A adubação convencional é um conceito amplamente utilizado por empresas do setor florestal, destacadamente na cultura do gênero Eucalyptus, e tem como principal objetivo fornecer, nas formulações disponíveis, macronutrientes (NPK – nitrogênio, fósforo e potássio) associados com um ou mais micronutrientes (cobre, zinco, boro, enxofre, cálcio, magnésio e outros). As especificidades da aplicação atendem as variações de cada região produtora e o tipo/condição/análise de solo.

Adubação de base e cobertura

Na primeira fase da adubação convencional, denominada adubação de base, geralmente as empresas utilizam uma formulação de NPK com predomínio de fósforo, aplicada somente na subsolagem ou na subsolagem e pós-plantio.

Na segunda fase, conhecida como adubação de cobertura, a aplicação pode ser parcelada em uma ou mais vezes entre o 2° e 24° mês, variando de acordo com a condição de solo e necessidade nutricional do gênero florestal, composta por nitrogênio e/ou potássio, associado a um ou mais micronutrientes.

Outras necessidades nutricionais complementares são verificadas com monitoramento frequente dos plantios. Em geral, as perdas por lixiviação, imobilização ou volatilização podem ser consideradas altas para este tipo de adubação, variando de 30 a 70%, de acordo com cada nutriente. Eventualmente, para compensar as perdas de cada nutriente são recomendadas dosagens até cinco vezes maiores que a necessidade da planta.

Adriane Roglin, engenheira florestal, MSc e consultora da Consufor - Crédito Consufor
Adriane Roglin, engenheira florestal, MSc e consultora da Consufor – Crédito Consufor

Liberação controlada

O outro conceito de adubação faz referência à liberação controlada, uma nova tecnologia que vem sendo utilizada de forma progressiva pelas empresas do setor florestal, em pequena escala ou em versões de testes, com objetivo de conhecer e entender o mecanismo de liberação dos nutrientes, assim como analisar o desenvolvimento das plantas e a resposta em relação à produtividade.

A adubação de liberação controlada está disponível para utilização na forma de cápsula, e compreende grânulos solúveis, encapsulados preferencialmente com uma camada de enxofre (camada interna) e uma de polímero (camada externa).

Esse encapsulamento permite a liberação contínua e gradual dos nutrientes segundo as necessidades da planta, seguindo uma curva exponencial, que pode variar de acordo com a especificação de cada produto e da interação do grão (cápsula) com a umidade e temperatura do solo.

Além disso, a formulação encapsulada visa proporcionar a redução das perdas de nutrientes para o meio (volatilização, lixiviação, erosão e imobilização), perdas essas que impossibilitam ou reduzem a absorção de determinado nutriente pelas plantas ao longo de seu desenvolvimento.

Em média, o tempo de liberação dos nutrientes varia entre dois e 16 meses. Além disso, a espessura da camada de enxofre e do polímero, associada às condições ambientais, são determinantes na velocidade de liberação dos nutrientes.

O principal benefício deste novo conceito para o setor florestal é permitir que a planta tenha acesso à quantidade ideal de nutrientes que necessita por um período mais prolongado ou mais especificamente, no momento certo da deficiência nutricional ao longo do desenvolvimento da cultura.

Fique de olho

A ideia principal na utilização desse conceito consiste na redução da frequência de aplicações das adubações, associada ao ajuste das dosagens de nutrientes, tudo isso agregado ao constante monitoramento dos plantios a fim de dimensionar a real necessidade de novas adubações ao longo do ciclo de produção florestal.

Essa matéria completa você encontra na edição de dezembro 2015/ janeiro 2016  da revista Campo & Negócios Floresta. Adquira já a sua para leitura integral.

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