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Fomento incentiva silvicultura

O fomento é uma importante estratégia para incentivar o desenvolvimento da silvicultura e promover a sustentabilidade ambiental.

Nilton Cesar Fiedler
Engenheiro florestal e professor titular – Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
nilton.fiedler@ufes.br 

Davi de Carvalho Fiedler
Engenheiro agrônomo – Universidade de São Paulo (USP)
davi.fiedler@usp.br 

Fernanda Moura Fonseca Lucas
Mestra em Engenharia Florestal – Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
fernanda-fonseca@hotmail.com

O fomento florestal é uma forma de parceria estratégica entre o produtor rural e as empresas florestais produtoras de madeira para diversos usos como celulose, painéis, serraria e biomassa.

O plantio é projetado observando diversas características da propriedade
Créditos: Fernanda Moura Fonseca Lucas

Esta parceria fornece matéria-prima para as indústrias de base florestal e garante emprego e renda aos produtores rurais, familiares e colaboradores. As espécies mais comuns nas parcerias de fomento florestal são o eucalipto e o pinus.

As empresas florestais buscam atender parte da demanda de madeira com as parcerias, utilizando as tecnologias empregadas em suas áreas próprias e material genético ideal. Assim, possui técnicos extensionistas que buscam, junto aos produtores rurais, atender a esta demanda.

Para o produtor, além de garantir renda e venda a preço de mercado, há incentivos como antecipação de futuras receitas, mudas de qualidade, adubos, defensivos, formicidas, adequação da propriedade a legislação florestal e assistência técnica.

Fomento

Nos programas de fomento das empresas de base florestal, a legislação florestal é cumprida com rigor, principalmente com relação ao licenciamento ambiental. Neste sistema, o produtor precisa ter aderido ao cadastro ambiental rural (CAR) e se faz necessário preservar e recuperar as áreas de preservação permanente (APPs) e reserva legal (RL).

O plantio é projetado observando diversas características da propriedade, como distância de nascentes e de demais áreas protegidas. Além disso, são estabelecidas regras de construção de aceiros, cercas, preparo adequado do solo e distância dos plantios às propriedades vizinhas.

Modelos propostos

As empresas florestais possuem modelos diferentes de contratos de parcerias com os produtores. Algumas fornecem apenas mudas e assistência técnica, com contratos mais simples, com garantia de compra caso o produtor deseje.

Outros modelos de contrato possuem regras mais complexas, em que o produtor recebe mudas, assistência técnica, adiantamento financeiro, adubos e defensivos. Em contrapartida, deve seguir todas as regras, desde o preparo do solo até a colheita.

Ainda, estabelece obrigatoriedade de ressarcimento e multas, caso não cumpra as regras estabelecidas ou não venda para a empresa parceira.

A maioria das áreas em que os produtores rurais implantam o fomento florestal são “menos nobres”, como áreas acidentadas, degradadas ou em processo de degradação, em parte abandonadas.

Vantagens do fomento florestal

Para os produtores rurais, existem inúmeras vantagens do fomento florestal, como o uso adequado da propriedade, trabalho e renda para a família e colaboradores, e possibilidade de uso de parte da madeira na propriedade.

Além disso, há possibilidade de consórcio com outras culturas, dependendo do espaçamento de plantio, como pastagens e culturas agrícolas de ciclo curto e longo.

Fases do plantio

Os produtores rurais devem atender a uma série de exigências dos técnicos extensionistas das empresas florestais, definidas no projeto, para obtenção de uma alta produtividade no empreendimento.

Assim, deve executar as operações antes do plantio, como a roçada, combate a formigas cortadeiras na área e entorno, cupins, construção de cercas, estradas de acesso, coletas de amostras de solo para análise química e física, aplicação de herbicida e calagem, caso necessário.

Para o plantio de eucalipto, as covas devem ter largura, comprimento e altura de no mínimo 40 x 40 x 40 cm. As linhas e distância entre covas devem ser marcadas antecipadamente. O entorno das covas deve ser coroado com enxada.

As covas devem ser feitas preferencialmente em áreas subsoladas (áreas planas ou semi onduladas) ou com o uso de motocoveador/enxadão em áreas inclinadas.

Pouco antes do plantio, deve ser feita adubação com NPK e micronutrientes, conforme as exigências nutricionais das plantas e os resultados das análises de solos.

Manejo

O plantio deve ser feito em dias chuvosos e, caso haja a possibilidade, deve-se usar solução de hidrogel para garantir melhor estabelecimento da muda. Caso haja infestação de cupins na área, sugere-se a imersão das mudas em calda com cupinicida.

A muda deve ser inserida no solo até o nível do torrão, sem aterramento do coleto. Até no máximo 30 dias após o plantio, deve-se verificar se há a necessidade de replantio de mudas mortas.

Como manutenção, as mudas devem estar sempre livres de matocompetição. Assim, sugere-se o coroamento e roçada, quando houver necessidade. Caso o produtor opte pela aplicação de herbicida nas entrelinhas, deve-se utilizar no bico da bomba costal um sistema de redução de deriva, como o chapéu de napoleão.

A gota do herbicida é altamente danosa às mudas. Certamente o técnico extensionista recomendará as adubações subsequentes, compostas principalmente por nitrogênio, potássio e micronutrientes.

Durante as manutenções, o plantio deve estar livre de matocompetição e formigas cortadeiras. Deve-se aplicar as adubações necessárias para o crescimento adequado, conforme instruções do técnico extensionista.

Colheita e venda da madeira

No caso de plantios de eucalipto com mudas obtidas de clones, a colheita se faz normalmente do quinto ao sétimo ano. Com a realização de todas as etapas corretamente, espera-se uma produtividade na faixa de 200 a 300 m³/ha. Algumas áreas de excelentes produtividades chegam a atingir 400 m³/ha.

As operações de colheita e transporte são as mais caras e perigosas do processo produtivo e chegam a representar até 70% dos custos totais de produção. Neste sentido, o produtor deve ter muito cuidado nestas operações.

Para tal, existem diversos modelos estabelecidos no contrato do produtor com opção de compra da madeira em pé (operações realizadas pela empresa florestal), colheita realizada pelo produtor e transporte pela empresa florestal ou todas as operações de colheita e transporte realizadas pelo produtor.

Fomento florestal localizado em São José do Calçado, Sul do Espírito Santo

Neste caso, a madeira deve ser entregue a um depósito estabelecido pela empresa florestal. O produtor deve analisar muito bem essas modalidades oferecidas pela empresa parceira e decidir o que melhor lhe atende.

Em todos os casos, deve-se atentar para o correto treinamento dos trabalhadores e atendimento à legislação brasileira de segurança do trabalho. As atividades devem ser executadas com o máximo de saúde, segurança, conforto e bem-estar dos trabalhadores para garantir uma elevada qualidade de vida e, consequentemente, elevada produtividade e eficiência.

Opções

No Brasil, diversas empresas florestais têm programas de fomento com o produtor, variando os modelos de contratos. Em geral, como os custos de transporte são muito elevados, quanto mais próximo o produtor rural estiver das empresas produtoras, mais interesse a empresa tem em fazer modelos mais atrativos para o produtor.

Assim, alguns modelos variam em função da distância da fábrica, tendo um raio máximo de atuação da empresa fomentadora. Para as empresas, é uma forma estratégica e segura de atender a demanda por matéria-prima, sendo que, na maioria das empresas, essa demanda representa entre 10 e 30% da oferta de madeira.

Oferta x demanda

Existem empresas florestais brasileiras em que toda a demanda de madeira é atendida por produtores rurais fomentados.

Para os produtores, é uma nova alternativa de renda, já que o mais comum é a agricultura convencional e a pecuária. Esse retorno financeiro normalmente vem no ano da entrega da madeira e representa um elevado valor para o agricultor, que deve se atentar que a produção de madeira só oferece retorno financeiro nos anos de corte.

Assim, é preciso ficar bem claro que o produtor deve arcar com os custos inerentes à atividade. A não ser que o modelo de contrato ofereça apoio financeiro antecipado para que o produtor possa arcar com os custos de mão de obra para o preparo do solo, plantio, manutenção, colheita e transporte.

Importante salientar, também, que no plantio de eucalipto e pinus, após o corte, há rebrota e esta deve ser conduzida adequadamente com combate às formigas, adubações, calagens e desbrotas para garantir uma segunda rotação com alta produtividade.

Neste caso, o produtor opta pela renovação do contrato ou se torna um produtor independente, dependendo de uma análise de mercado.

BOX

Recomendações

Existem diversos desafios enfrentados pelos produtores rurais fomentados, como o treinamento para atendimento às recomendações técnicas dos plantios. O produtor deve ser conscientizado que conseguirá sucesso no empreendimento se atender a essas recomendações adequadamente.

Também deve haver a conscientização das necessidades de atendimento às legislações ambientais, de segurança e trabalhistas, mesmo entre os seus familiares. Deve-se atentar, também, que o fomento é uma atividade de longo prazo e as empresas devem ter o produtor sempre como um parceiro e avaliar com muito cuidado as necessidades de mudanças nos modelos de contrato ao longo do tempo para que as renovações sejam atraentes continuamente para ambos os lados.

O fomento florestal, como visto, é uma atividade integrada às empresas de base florestal, que garante oferta de madeira para as indústrias e, ao mesmo tempo, garante emprego e renda aos produtores rurais, seus familiares e parceiros.

Assim, é uma alternativa de renda para as regiões de influência das empresas florestais que alavanca o comércio local e regional.

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