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segunda-feira, junho 17, 2024
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Fosfitos e micronutrientes otimizam nutrição do milho

Os fosfitos, sendo formulados com macro ou micronutrientes, carregam esses elementos para o sistema vascular das plantas de milho, nutrindo-as e ao mesmo tempo promovendo a indução de resistência pela produção de fitoalexinas.

Wesley Devair Bittencourt Machini
Engenheiro agrônomo e consultor – AgroBR Consultoria Agrícola
wdevair@hotmail.com

A combinação de diversos nutrientes aos fosfitos é possível devido a sua alta solubilidade e de acordo com as necessidades que a lavoura precisa, quando determinada por análises visuais ou laboratoriais.

Foto: Shutterstock

Os fosfitos podem ser combinados com diversos nutrientes, como potássio, cálcio, zinco, cobre, magnésio, manganês, sendo:

Fosfito de cálcio: tem influência no florescimento e frutificação, com grande reflexo na qualidade da planta;

Fosfito de cobre: essencial para fixação do nitrogênio, respiração e fotossíntese, ligado diretamente à resistência a doenças fúngicas, induzindo a produção de fitoalexinas;

Fosfito de magnésio: funciona como ativador das sínteses enzimáticas das plantas, auxiliando na produção de açúcares ligados diretamente à clorofila, melhorando os processos fotossintéticos da planta;

Fosfito de manganês: é um ativador enzimático, reduzindo os nitritos, melhorando a absorção do nitrogênio e auxiliando na síntese de carboidratos. Otimiza o desenvolvimento radicular, respiratório e acelera os processos de desenvolvimento das sementes;

Fosfito de potássio: é o mais utilizado e conhecido, pois seu uso já é, de longe, extremamente benéfico à lavoura, devido à presença do potássio que é altamente exigido pelas plantas durante as fases de enchimento de grão e frutos. Ainda, auxilia nas defesas naturais das plantas.

Indução de resistência

Os fosfitos são uma grande inovação, pois possuem em sua composição fósforo (P), um elemento essencial para o desenvolvimento e crescimento das plantas. Este elemento é absorvido na forma química H2PO4, sendo o fosfato (PO4) uma exclusiva fonte de fósforo para as plantas.

O fósforo é extremamente importante para o desenvolvimento inicial das plantas, uma vez que está ligado diretamente ao equilíbrio energético e desenvolvimento radicular. O fosfito, quando aplicado às plantas, é absorvido rapidamente através de suas estruturas radiculares.

Possui uma grande mobilidade na fisiologia da planta, atingindo rapidamente os locais que apresentam sintomas de deficiência deste nutriente.

O fosfito se torna uma fonte de combate aos fungos, pois tem ação fungistática e consegue retardar o desenvolvimento no crescimento micelial e atrasar a formação de colônias. Consegue diminuir a incidência destes patógenos, retardando o seu desenvolvimento. Há alguns estudos que mostram que as características ácidas dos fosfitos conseguem interferir no desenvolvimento de diversos agentes patogênicos.

Na utilização do fosfito, a planta consegue obter a capacidade estimulativa de produzir fitoalexinas. Estas são sintetizadas nas inclusões citoplasmáticas que ficam localizadas próximas ao local de penetração do patógeno.

A ação defensiva por fungos acontece por uma desorganização celular, rompendo a membrana plasmática e inibindo as enzimas fúngicas. Devido a esses efeitos, o patógeno tem sua germinação inibida, a elongação do tubo germinativo impedida e o crescimento micelial dificultado.

As fitolexinas são compostas por antimicrobianos de massa molecular baixa, sintetizada e acumulada nas plantas após estresses químico, físico ou biológico são capazes de impedir e reduzir a atuação de agentes patogênicos.

Uma planta bem nutrida possui menor chance de ser atacada por diversos patógenos e oferece maior resistência.

Inibição de fungos

O fósforo (P) é um macronutriente que frequentemente limita a produção em solos cultivados, mas necessita de maior atenção na produção agrícola onde há a limitação desse elemento.

A adubação fosfatada é uma prática imprescindível para promover maiores índices de produtividade. Quando o adubo fosfatado é aplicado ao solo, após a dissolução quase todo o P é retido pelos coloides presentes na fase sólida e formam compostos pouco solúveis.

Porém, grande parte do P retido é aproveitado pelas plantas, e a recuperação depende da espécie cultivada.

O potássio (K) é o macronutriente que ativa diversas enzimas nos processos celulares da planta. Este elemento possui funções bioquímicas de translocação de açúcares, abertura e fechamento de estômatos e regulação osmótica, ou seja, o potássio é um elemento que permite gerar energia, pois serve como um regulador.

Ao abrir os estômatos, inicia o processo de síntese de energia (glicose, pela fotossíntese) formando e transportando no interior da planta carboidratos essenciais para seu pleno desenvolvimento.

Com isso, há uma redução no acamamento, devido à maior produção de lignina na planta, e a redução de grãos chochos, pois haverá maior densidade, qualidade e sanidade.

 Mais vantagens

Com a utilização dos fosfitos o tempo de espera entre a solubilidade no solo e a absorção do nutriente pela planta é reduzido drasticamente. Enquanto a aplicação de fósforo via solo demora dias para solubilizar e reagir na planta, a utilização deste via fosfitos acaba sendo em poucas horas, em alguns casos de duas até 40 horas após a sua aplicação.

A aplicação é sistêmica e se transloca para todas as partes da planta, com máxima solubilidade e mobilidade, atuando rapidamente na correção da deficiência de fósforo.

Evolução dos fosfitos

Os fosfitos foram introduzidos no mercado de fertilizantes na década de 70. E vieram ganhando cada vez mais espaço nestes últimos anos, porque algumas características foram observadas nestes produtos, dentre elas a capacidade de fornecer rapidamente nutrientes às plantas.

Os fosfitos mostram sua eficiência no controle de várias doenças causadas por patógenos, acredita-se que devido à sua alta concentração de potássio, pois adubações via foliar ricas neste nutriente reduzem a severidade de muitas doenças.

Reflexos na produtividade

Os ganhos em produtividade são de rápida apreciação, pois a utilização do fosfito de potássio poderá ajudar no enchimento de grãos, fortalecimento dos frutos e melhora geral no aspecto fisiológico da planta, pois se ocorrer a deficiência nutricional, principalmente de potássio, a qualidade do produto comercial será seriamente afetada.

A produtividade da lavoura aumenta expressivamente quando a planta está bem nutrida, podendo demonstrar em nível de campo toda sua capacidade genética, obtendo grãos com maior peso e densidade.

O aumento pode chegar à ordem de 20% a mais, pois, além de amplificar os resultados, os fosfitos conseguem proteger as plantas de ataques patogênicos.

Os micronutrientes associados melhoram drasticamente a produção na lavoura, pois por diversas vezes a falta deles pode ocasionar danos ou dificuldades durante as diversas sínteses e processos metabólitos das plantas, uma vez que, mesmo utilizando baixas dosagens, os micronutrientes possuem um papel indispensável durante as diversas fases vegetativas da cultura.

Recomendações

Os micronutrientes podem ser aplicados em dois momentos, sendo o primeiro durante a fase de plantio, para realizar a correção detectada após a análise de solo anteriormente ao plantio.

Com base nesses dados, é possível realizar as corretas dosagens e misturas de cada nutriente ou utilizando uma fonte composta e comercial que se mistura ao tradicional NPK, para fornecer à lavoura os nutrientes necessários.

No segundo momento, durante as diversas fases produtivas da lavoura, é preciso realizar diagnósticos visuais ou por análises foliares da presença ou ausência de um determinado nutriente para que este possa ser aplicado corretamente durante o momento que a lavoura poderá mais necessitar.

Nesse momento, os fosfitos podem ser um excelente aliado, devido à sua alta velocidade de absorção pela planta para ajudar a corrigir a deficiência encontrada.

Ultrapassando obstáculos

Os maiores desafios ocorrem quando todo e qualquer produto é aplicado sem a supervisão de um profissional que possua a capacidade de controlar as adversidades que podem ocorrer durante momento ou a escolha do que aplicar.

A quantidade de produto, o tipo ou até mesmo a quantidade de calda utilizada ou qualquer outro detalhe podem prejudicar a aplicação. Os produtos e a quantidade a ser aplicada devem ser observados por meio da análise de solo ou foliar, realizada por um profissional qualificado.

Porém, quando não houver essa possibilidade, deve-se utilizar a recomendação indicada pelo fabricante do produto, que pode variar de acordo com o seu processo de fabricação e o teor nutricional existente no produto.

Toda precaução que o produtor tiver, será sempre bem-vinda, pois em tempos de dificuldade, qualquer ação tomada de forma errada pode gerar prejuízos gigantes à lavoura.

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