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Inoculantes em sementes de milho: o que você ainda não sabe

Existem genótipos de milho mais responsivos ao uso de inoculantes – Crédito Shutterstock

Camile Dutra Lourenço Gomes
camile.dutra@unesp.com.br
Luana de Carvalho Catelan
luana.catelan@unesp.com
Engenheiras agrônomas e doutorandas em Proteção de Plantas – UNESP
Adriana Zanin Kronka
Engenheira agrônoma, doutora em Fitopatologia e professora – UNESP
adriana.kronka@unesp.br

Os inoculantes são insumos biológicos com a capacidade de promover de forma direta ou indireta benefícios para as plantas. O uso de inoculantes na agricultura brasileira é uma prática já consolidada em algumas culturas, como a soja, proporcionando aumento de produtividade e diminuição do uso de fertilizantes nitrogenados.

Para outras culturas de grãos, como o milho, o seu uso tem sido cada vez mais valorizado e começa a atingir patamares significativos devido aos benefícios que pode trazer à cultura.

BPCV

Atualmente, é crescente o interesse no uso de inoculantes contendo Bactéria Promotora do Crescimento Vegetal (BPCV), que aumenta a produtividade agrícola, além de ser mais sustentável e de reduzir os custos com adubação nitrogenada.

A alta nos preços dos fertilizantes nitrogenados gerou um aumento no custo de produção e uma preocupação com o desabastecimento desse produto nas próximas safras. Por isso, é importante a utilização de alternativas viáveis, como a aplicação de inoculantes que visem à redução na aplicação de fertilizantes, ou mesmo a melhoria da absorção destes para garantir a nutrição das lavouras, reduzindo os custos e mantendo a produtividade nas áreas de produção agrícola.

As BPCV compreendem um grupo de microrganismos benéficos para as plantas. Azospirillum é um tipo de BPCV de vida livre que pode ser encontrado em quase todo o planeta.

Bactérias pertencentes a este gênero conseguem viver em associação com diferentes espécies de plantas. Estas se associam a raízes de plantas e outros tecidos internos do vegetal, onde utilizam os nutrientes fornecidos pela planta para seu crescimento e multiplicação, retribuindo com fixação de nitrogênio para nutrição; a síntese de hormônios para o crescimento vegetal, principalmente das raízes e que atua na maior absorção de nutrientes e água, entre outros processos benéficos para a planta.

Redução dos custos da adubação

Em espécies vegetais não-leguminosas, como o milho, a fixação biológica de nitrogênio (FBN) é realizada por bactérias diazotróficas, que não nodulam, mas são capazes de colonizar o tecido vegetal, estabelecendo-se no ambiente endofítico, que é extremamente influenciado pelas condições ambientais (pH, umidade, temperatura, disponibilidade de fontes de carbono).

Apesar disso, a associação com bactérias diazotróficas do gênero Azospirillum é importante para o milho, por favorecer a absorção de nutrientes, principalmente o nitrogênio; a FBN; a solubilização de fosfato; acúmulo de nutrientes; a produção de hormônios; estímulo do crescimento da planta; maior produção de raízes; maior produção de biomassa; maior altura de plantas; maior teor de clorofila; maior tolerância a estresses (salinidade e seca); melhoria no potencial hídrico e por atuarem como agente de controle biológico de alguns patógenos.

Apesar da utilização isolada de bactérias diazotróficas não suprir totalmente a demanda de nitrogênio do milho, essas podem reduzir a demanda de nitrogênio mineral da cultura, visto que promovem aumento da eficiência do uso deste elemento.

Consequentemente, os custos de produção podem ser reduzidos, pela diminuição na aplicação de fertilizantes nitrogenados minerais. Além disso, ocorre uma diminuição do impacto ambiental negativo associado ao uso de fontes minerais de nitrogênio, pois no processo de FBN os efeitos negativos, como lixiviação, eutrofização e emissão de gases do efeito estufa, são considerados desprezíveis, tornando a lavoura mais sustentável e rentável ao produtor.

Inoculação e o aumento da produtividade

As bactérias dizatróficas já existem no solo e, com a inoculação, ocorre um aumento na densidade destas, fazendo com que a população seja capaz de trazer benefícios para o milho. O avanço no conhecimento dos microrganismos do solo permitiu o uso da tecnologia de inoculação em plantas de milho, possibilitando uma melhoria na produtividade agrícola.

Os benefícios da inoculação no milho são um incremento na produtividade em até 30% no milho safrinha e a diminuição dos custos de produção em 20%. A inoculação do milho proporciona incremento médio de produtividade na ordem de 14,1 sc/ha no milho safrinha.

Cuidados na aplicação

É importante destacar que existem genótipos de milho que apresentam uma melhor resposta ao uso de inoculantes, enquanto outros apresentam uma menor resposta à inoculação. Existem algumas diferenças na eficiência de uso do nitrogênio em genótipos de milho com diferentes bases genéticas.

O uso da técnica de inoculação com o Azospirillum deve levar em consideração o genótipo a ser empregado. Além disso, é importante considerar as características do solo e o manejo adotado para a cultura inoculada.

No processo de escolha do inoculante a ser aplicado, é importante verificar se o mesmo possui o número do registro no MAPA, o prazo de validade do inoculante, certificar-se de que o produto esteve conservado em condições adequadas de umidade e temperatura.

Após a aquisição do inoculante, sua conservação deve ser feita em local protegido do sol e arejado, até a sua utilização. Para os inoculantes à base de Azospirillum, a legislação exige uma concentração mínima de 108 células g-1 ou mL-1 de inoculante. A semeadura das sementes inoculadas deve ser realizada no mesmo da inoculação ou, no máximo, após 24 horas após a inoculação.

Alerta

A escolha de inoculantes de má qualidade fisiológica das células presentes nas formulações, a desuniformidade no processo de distribuição do inoculante, a aplicação do inoculantes em temperaturas superiores a 30ºC por períodos prolongados ou a utilização de inoculantes em solos com condições desfavoráveis para o estabelecimento das BPCV podem levar à ineficiência do processo de inoculação, não permitindo ganhos de produtividade nas lavouras.

Custo x benefício

A inoculação é uma forte aliada para alcançar altas produtividades. A projeção para os próximos anos é de que haverá um incremento substancial no uso de inoculantes na agricultura.

O uso de bactérias promotoras do crescimento de plantas, que aumentem a eficiência de utilização dos fertilizantes, realize a FBN e proporcione incremento de produtividade, representa uma estratégia viável economicamente e sustentável.

O valor do inoculante pode variar de acordo com região, mas, em média, seu custo é relativamente baixo. Sua utilização é economicamente viável, visto os benefícios que o mesmo oferece à cultura e o incremento de produtividade nas lavouras.

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