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Inovação na distribuição de insumos

Atualmente, a distribuição de insumos agrícolas para promover a produção sustentável conta com diversas tecnologias inovadoras.

Rodrigo da Silveira Campos
MSc, engenheiro agrônomo e pesquisador – Embrapa Agroindústria de Alimentos
rodrigo.silveira@embrapa.br

Os insumos agrícolas foram definidos durante a Revolução Verde, que teve início entre as décadas de 1960 e 1970. Eles eram considerados recursos físicos e biológicos usados para aumentar o rendimento das culturas, maquinários e até mesmo mão de obra. Incluíam variedades de sementes de alto rendimento, fertilizantes químicos, pesticidas e irrigação. Já se via que os insumos agrícolas, ao serem utilizados de forma intensiva e racional, proporcionavam ganhos reais na agricultura e tudo estava apenas no início.

A distribuição de insumos agrícolas conta com diversas tecnologias inovadoras

As críticas são muitas, certamente não há como negar que os erros cometidos são e serão criticados por gerações. O fato foi o início de uma revolução. Ano após ano, a necessidade de alimentos levou ao aprendizado com os erros passados e algumas de suas consequências negativas.

O entendimento de que a tecnologia é a grande promotora e foi, à época, da sua forma, a inovação para um mundo com muito mais alimentos permitiu que, hoje, o mundo se voltasse para uma nova forma de agricultura.

Distribuição

Atualmente, temos alimentos para todos, o que precisaríamos seria discutir sua distribuição, mas isso é um tema longo e complexo para uma próxima matéria. Consideramos a agricultura como agronegócio, justamente por não se tratar apenas se plantar, mas de se planejar, conviver e estar informado.

Sejam agricultores familiares ou não, todos estão envolvidos na agricultura (poderemos dizer 4.0?). Por mais simples que um agricultor seja, ele está atento às notícias e todos se preocupam com cotações dos produtos que plantam e com a meteorologia, cada vez mais precisa!

Essas informações estão nos celulares, televisões e rádios, dentre outros meios. É justamente por isso que não se pode deixar de falar em inovação no campo e distribuição de insumos, permitindo uma maior sustentabilidade, sem antes mostrar essa realidade simples e presente de todos os agricultores.

Evolução das tecnologias

Atualmente, a distribuição de insumos agrícolas para promover a produção sustentável conta com diversas tecnologias inovadoras, seja para aplicação, sensoriamento ou informação. Elas visam aprimorar a eficiência no uso de recursos, reduzir desperdícios e minimizar impactos ambientais.

Tecnologias agrícolas inovadoras estão revolucionando a forma como produzimos alimentos. De drones que podem coletar dados sobre colheitas a robôs que podem plantar e colher, essas tecnologias estão ajudando os agricultores a aumentar os rendimentos, reduzir os custos de insumos e melhorar a sustentabilidade.

Uma das tecnologias mais promissoras é a agricultura de precisão, que usa sensores e análise de dados para coletar informações sobre as condições do solo, a fitossanidade das culturas e fatores como a umidade do solo in loco. Essas informações podem ser usadas para tomar decisões mais seguras sobre plantio, irrigação e fertilização.

Por exemplo, a agricultura de precisão pode ser usada para identificar áreas de um campo que correm risco de seca, pragas ou doenças. Os agricultores podem, então, ajustar seus planos de irrigação ou rotação de culturas de acordo com os resultados coletados e analisados remotamente. Isso pode ajudar a melhorar o rendimento das colheitas e reduzir o risco de perdas.

Outra tecnologia promissora é o monitoramento de colheitas baseado em drones. Eles podem ser usados para coletar imagens de alta resolução de plantações, identificar a presença de pragas e doenças, permitindo que no mesmo momento sejam tomadas ações no local em que houve a primeira incidência de uma praga ou doença, e assim evitar sua proliferação e a necessidade de uma pulverização ampla em todo o campo. Essas informações podem ser usadas para tomar medidas corretivas antes que o problema se agrave.

Tais ações são de baixíssimo impacto, são localizadas e permitem, além da economia, um grande incremento da proteção ambiental com redução drástica de defensivos, possibilitando que a sustentabilidade seja mais que uma realidade.

Já temos a presença da robótica, outra área da tecnologia agrícola que está experimentando uma rápida inovação. Estão sendo desenvolvidos robôs que podem realizar uma variedade de tarefas no campo (não mais exclusividade de indústrias altamente tecnificadas), incluindo plantio, capina e colheita.

Esses robôs podem ajudar a reduzir a necessidade de mão de obra na agricultura naquelas operações de risco ao trabalhador rural. Tal avanço ajudará a diminuir os custos de produção, aumentará a proteção dos trabalhadores e permitirá que o trabalhador, antes exposto aos agentes químicos e também climáticos, possa ter conforto e, muito mais importante, aperfeiçoamento, aumento de renda e maior valorização do seu trabalho. Eles também podem ajudar a melhorar a precisão e a eficiência das operações agrícolas.

Ainda nos primeiros passos

A adoção de tecnologias agrícolas inovadoras ainda está em seus estágios iniciais. No entanto, têm o potencial de revolucionar a forma como produzimos alimentos. À medida que essas tecnologias continuam a se desenvolver, podemos esperar formas ainda mais inovadoras de produzir alimentos de maneira sustentável.

O Brasil é um pioneiro na democratização de tecnologias, fomentando o aumento da sustentabilidade com o incremento de tecnologia. Para tanto, quando falamos sobre a transformação do agronegócio brasileiro, não se pode deixar de falar da Embrapa, que surge como protagonista dessa história.

Desde sua criação, a instituição tem desempenhado um papel crucial na democratização e sustentabilidade da agricultura brasileira, impactando tanto pequenos produtores quanto gigantes do setor. A Embrapa é líder no setor agrícola impactando 1/3 da população mundial.

Drones é uma das inovações no campo

O que vem pela frente

Os desafios existem, e para isso, empresas como uma Instituições de Pesquisa Científica e Tecnológica, as chamadas ICT’s, possuem centenas de contratos firmados com a iniciativa privada, desde pequenas empresas, startups e multinacionais, além das instituições de ensino e pesquisa e universidades.

Nesse contexto, os números saltam substancialmente quando se trata de transferências para o setor produtivo em todos os segmentos rurais. Esses esforços entre as instituições buscam antecipar e resolver desafios com agilidade.

São diversos os desafios que hoje fazem parte da implementação da tecnologia de ponta no campo e sua democratização. Podemos falar dos preços e acesso à tecnologia, onde os produtores de tecnologias inovadoras podem precisar fazer um grande investimento inicial e ter um alto valor de mercado.

Além disso, há desafios, como o acesso à internet em nosso território, energia elétrica com distribuição de qualidade e equipamentos necessários para utilizar essas tecnologias em locais remotos ou com baixa infraestrutura.

Aprendizado

Os agricultores podem se opor à introdução de novas tecnologias porque podem mudar os métodos tradicionais de cultivo, manejo e comercialização dos produtos agrícolas. É preciso, como já dito, promover a sensibilização e a capacitação para mostrar os benefícios dessas tecnologias e ajudar os produtores a se adaptar às mudanças.

Os entraves regulatórios no Brasil são fatos constantes, o que já dificulta, muitas vezes, a introdução de novos produtos ou técnicas em nosso território. Há a questão das leis internacionais, onde alguns países podem ter leis defasadas ou restritivas sobre as tecnologias inovadoras na distribuição de insumos agrícolas, como sementes, fertilizantes e defensivos.

Logo, para permitir a implementação dessas tecnologias de forma segura e eficiente, é fundamental criar um ambiente regulatório favorável e atualizado.

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