Inicio Destaques Insetos sugadores e ácaros: o que fazer quando atacam o pepino?

Insetos sugadores e ácaros: o que fazer quando atacam o pepino?

0
87

Franscinely Aparecida de Assis

Doutora em Entomologia e professora de Agronomia – Centro Universitário de Goiatuba (UniCerrado)

franscinelyassis@unicerrado.edu.br

Vanessa Andaló

Doutora em Entomologia e professora de Agronomia – Universidade Federal de Uberlândia (UFU)

vanessaandalo@ufu.br

Crédito: UFRGS

A mosca-branca é uma espécie polífaga que tem grande importância econômica no pepineiro, devido à sucção da seiva e injeção de toxinas na planta durante a alimentação, o que acarreta na redução do crescimento, anomalias fisiológicas e menor produção.

Além disso, por eliminar um líquido açucarado, honeydew, propicia o desenvolvimento de um fungo que causa a fumagina. O fungo reduz a área fotossintética da planta e se desenvolve nos locais de deposição do honeydew, como folhas e frutos, depreciando o produto comercializado.

Este inseto-praga ocorre com maior frequência em épocas secas e quentes do ano e permanece se alimentando desde o período de emergência da plântula até a fase final de desenvolvimento, na maturação e na colheita.

Os ovos e os adultos são encontrados nas folhas e brotações novas, e as ninfas em folhas mais desenvolvidas, em geral na face abaxial das folhas. Por isso, recomenda-se que o monitoramento da praga seja feito inspecionando a face inferior das folhas novas, considerando o ponteiro do ramo, para verificação da presença de adultos. Em lavouras novas, anterior à emissão de ramos, deve-se amostrar a folha completamente expandida mais nova.

Armadilhas

A amostragem também pode ser realizada com armadilhas adesivas de cor amarela, que devem ser instaladas mesmo antes da semeadura ou do transplantio e permanecer durante todo ciclo da cultura.

Quando anterior à semeadura ou ao transplantio, as armadilhas são dispostas ao redor da área a fim de verificar a possível presença do inseto. Caso detectada a presença de adultos nas armadilhas, devem ser tomadas medidas de ação para conter sua ocorrência e dispersão.

Controles cultural e químico

Como medidas de controle cultural, recomenda-se a utilização de sementes ou mudas sadias, com certificado de sanidade e produzidas em ambientes isentos da presença do inseto. Na área de cultivo devem ser eliminados restos culturais do plantio anterior e também plantas daninhas que são hospedeiras da mosca-branca, como amendoim-bravo, erva-de-santa-maria, fedegoso, guanxuma-rasteira, maria-pretinha, perpétua-brava e poaia-do-cerrado, a fim de evitar que a praga permaneça na área e tenha outros hospedeiros para se alimentar e reproduzir.      Evitar o escalonamento de plantio; implantar barreiras vivas para evitar o deslocamento de insetos vindos de outras áreas, assim como usar faixas de cultivo em torno da lavoura, utilizando sorgo, cana-de-açúcar, milheto ou capim elefante; evitar plantio próximo a lavouras de soja, feijoeiro e algodoeiro; e utilizar cultivo protegido com telas que dificultem a entrada do inseto.

Para o controle com inseticidas sintéticos, têm-se os grupos químicos dos neonicotinoides, antranilamidas, avermectinas, éter piridiloxipropílico, tiadiazinona e butenolida. Também são registrados produtos botânicos formulados com o ingrediente ativo azadiractina, conhecido como nim, e obtido da planta Azadirachta indica (AGROFIT/MAPA, 2022).

Rotacionar inseticidas que possuem diferentes mecanismos de ação é fundamental para evitar os casos de resistência do inseto aos produtos, o que já tem sido relatado no caso da mosca-branca.

Controle biológico

No controle biológico aplicado podem ser utilizados os fungos entomopatogênicos Beauveria bassiana e Isaria fumosorosea. Vale destacar que estes fungos são organismos vivos, devendo-se verificar a compatibilidade com os demais produtos fitossanitários utilizados na lavoura, levando-se em consideração as condições climáticas que propiciem a sobrevivência do fungo no campo, mantendo a viabilidade e infectividade dos mesmos.

Pulgões

Os pulgões são espécies polífagas que sugam a seiva da planta e injetam toxinas durante a sua alimentação, causando definhamento de mudas e de plantas novas e o encarquilhamento de folhas, brotações e ramos.

Tanto ninfas como adultos succionam a seiva e, em altas infestações, podem levar à morte da planta. Como liberam honeydew, favorecem o crescimento do fungo causador da fumagina em folhas, ramos e frutos, o que reduz a área fotossintética e, consequentemente, diminui a produção e causa depreciação dos frutos.

Também podem transmitir viroses para o pepineiro, como o mosaico do pepino (Cucumber mosaic virus – CMV) e o mosaico amarelo da abobrinha-de-moita (Zucchini yellow mosaic virus – ZYMV).

No caso dos pulgões, estes vírus são transmitidos durante a picada de prova, que tem duração de segundos, o que torna imprescindível o controle desses insetos. O mosaico amarelo da abobrinha-de-moita também é transmitido por sementes, devendo-se ter cuidado redobrado nas áreas de produção de sementes.

Ambos os pulgões ocorrem durante todo o ciclo da cultura, em colônias dispostas na face abaxial das folhas, em brotações e nas flores. Têm preferência por condições de clima seco e quente, as quais propiciam redução do ciclo de vida dos afídeos, que podem completá-lo em até uma semana, levando à ocorrência de várias gerações durante o cultivo do pepino.

Essas condições se agravam ainda mais quando o pepineiro é cultivado em estufas, já que o ambiente favorece a sobrevivência e a reprodução do inseto. A infestação ou reinfestação de plantas por pulgões se dá, muitas vezes, pelo transporte feito pelas formigas.

Fique de olho

Para o monitoramento de pulgões, deve-se verificar a presença de ninfas e de adultos nos brotos e na face abaxial das folhas. Também é recomendada a realização da batedura dos ponteiros a cada dois ou três dias, agitando-se com vigor as folhas da parte superior da planta em bandeja branca, a fim de verificar a quantidade e as espécies de insetos presentes. Essa amostragem também é realizada para monitorar a presença de tripes.

Assim como feito para monitoramento de mosca-branca, pulgões alados podem ser capturados em armadilhas adesivas de cor amarela instaladas em estacas ou no sistema de condução das plantas, na altura do dossel. Bandejas amarelas contendo água também podem ser usadas como armadilhas e colocadas entre as linhas de cultivo.

Dentre os métodos de controle cultural, tem-se a utilização de mudas certificadas; realizar a rotação de culturas, evitando plantios sucessivos de cucurbitáceas; realizar o cultivo em estufas teladas para evitar a entrada do inseto-praga; utilizar barreiras ou faixas de cultivo ao redor da área; eliminar plantas doentes; utilizar cultivares resistentes às viroses transmitidas pelos pulgões; realizar o plantio no sentido contrário ao vento para evitar a dispersão do inseto de áreas mais velhas para as novas; e eliminar plantas daninhas hospedeiras alternativas dos pulgões.

A manutenção de vegetação nativa ou áreas arborizadas próximas às áreas de cultivo deve ser preconizada, possibilitando a atração e manutenção de inimigos naturais (predadores e parasitoides) dos pulgões, nas áreas adjacentes, auxiliando no controle natural da praga.

Alternativas

O cultivo de plantas repelentes nas bordaduras ou entrelinhas de cultivo também pode auxiliar a reduzir a população de insetos sugadores, como pulgões, mosca-branca e tripes, podendo-se citar como promissoras: coentro, cravo-de-defunto, calêndula, hortelã, artemísia e arruda.

O nível de ação para pulgões é considerado baixo por serem insetos vetores de virose. Assim, recomenda-se o controle quando observado um adulto por planta ou por armadilha. Deve-se lembrar que, quando utilizados inseticidas que agem por contato, atingir o inseto localizado na face abaxial ou nas folhas encarquilhadas é fundamental, mas muitas vezes esse contato é dificultado pela posição do inseto na planta. Com isso, o uso de inseticidas sistêmicos pode favorecer o controle da praga.

Quanto ao controle químico, são registrados para M. persicae na cultura do pepino os grupos de inseticidas dos neonicotinoides, butenolida, piridina azometina e feniltiouréia, enquanto para A. gossypii têm-se os piretroides, neonicotinoides e organofosforados.

A azadiractina é registrada para M. persicae. Referindo-se ao controle biológico, o crisopídeo Chrysoperla externa (Neuroptera: Chrysopidae) é um predador autorizado para uso na regulação populacional de ambos os pulgões em qualquer cultura agrícola, enquanto o fungo B. bassiana é autorizado para A. gossypii.

Tripes

Os tripes são insetos raspadores-sugadores que ocorrem no cultivo de pepino durante todo o seu ciclo de desenvolvimento, ficando localizados na face abaxial das folhas, nas flores, nas hastes ou nas gemas apicais, sendo favorecidos por clima quente e seco. Quando em cultivo protegido, as infestações podem ser ainda mais severas.

Os danos diretos ocorrem em função da alimentação das ninfas e dos adultos, que perfuram e sugam as células vegetais, causando extravasamento de seu conteúdo. Como consequência, são observados pontos prateados ou escuros nas folhas e nas flores.

As folhas ficam coriáceas e quebradiças, com aspecto de queimadas e com dobramento de bordos, o que acarreta na queda e na redução de área fotossintética, podendo levar à morte da planta. Pode ocorrer abortamento de flores e de frutos, que quando se desenvolvem observa-se queda prematura, presença de ferimentos, manchas, deformações e amadurecimento precoce, fazendo com que o fruto fique com o tamanho reduzido, depreciando o produto para comercialização.

Os tripes são transmissores de viroses para o pepineiro, como o vírus do amarelo letal da abobrinha (Zucchini lethal chlorosis vírus – ZLCV), causando dano indireto à cultura. O vírus se multiplica no inseto, tornando-o capaz de transmiti-lo durante toda a sua vida.

Para monitorar tripes nos cultivos de pepino, as folhas do ponteiro das plantas dispostas em um metro linear devem ser agitadas vigorosamente em uma bandeja branca, verificando-se a quantidade de insetos obtidos, repetindo-se esse processo a cada dois ou três dias.

Para adultos também, podem ser utilizadas placas adesivas azuis dispostas em estacas ou no sistema de condução da cultura na altura do dossel das plantas. As avaliações devem ser feitas nos primeiros 60 dias depois do transplantio.

Dicas

O manejo de tripes deve ser realizado preconizando o uso de mudas de viveiros certificados e de cultivares resistentes às viroses. As práticas culturais adotadas para o manejo de mosca-branca e pulgões são empregadas também para reduzir populações de tripes, tais como eliminação de restos culturais e o uso de barreiras ou linhas de cultivo como quebra-ventos.

Não existem inseticidas químicos registrados para F. schultzei no pepineiro, porém, para o controle biológico o fungo Metarhizium anisopliae tem registro. Para T. tabaci, os inseticidas químicos registrados têm como ingrediente ativo o cloridato de cartape e para controle biológico tem-se o fungo B. bassiana.

No caso de T. palmi, os produtos registrados têm como ingredientes ativos piriproxifen, espinetoram e imidacloprido, além de azadiractina.

Apesar de não existirem registros de insetos predadores para controle de tripes, o controle natural ocorre no campo por meio de larvas de crisopídeos, joaninhas, tripes predadores, percevejos predadores (como Orius insidiosus) e larvas de sirfídeos.

Para isso, é fundamental manter áreas com vegetação diversificada próximas ao cultivo de pepino que propiciem a permanência desses inimigos naturais no campo. O uso de inseticidas seletivos também é essencial para mantê-los nas áreas agrícolas.

Ácaro-rajado

O ácaro-rajado ocorre durante todo o ano, porém, é favorecido por épocas quentes e secas. É encontrado na face abaxial das folhas, em geral na região mediana da planta, e tece teias que o recobrem e onde os ovos são depositados. As teias também servem de proteção contra os ácaros predadores, fixação das formas quiescentes e para auxiliá-los na dispersão entre as plantas.

As ninfas e os adultos escarificam o tecido vegetal para se alimentar, rompendo as células da epiderme e provocando extravasamento de seu conteúdo. Com isso, ocorre amarelecimento de folhas, as folhas velhas ficam ressecadas, provocando desfolha e redução de área fotossintética. Em cultivos protegidos, seu ataque é ainda mais severo.

Já o ácaro-branco permanece na face abaxial das folhas, porém, não produz teia. O ataque ocorre inicialmente em reboleiras e principalmente nos ponteiros da planta. Folhas com a presença do ácaro ficam curvadas, ressecadas e com aspecto de bronzeamento, ocorrendo desfolha e redução de área fotossintética.

Não há registro de acaricidas químicos para controle de P. latus no pepineiro, enquanto para T. urticae tem-se os grupos químicos avermectinas e pirazois. A utilização de inseticidas/acaricidas deve levar em consideração os problemas decorrentes do uso indevido, como a resistência de ácaros aos ingredientes ativos usados, além dos casos de surtos populacionais, quando utilizados produtos pouco seletivos aos inimigos naturais, principalmente aos ácaros predadores.

Além da ocorrência natural dos ácaros predadores no campo, estes também podem ser introduzidos, já que existem espécies registradas para liberação no campo, como é o caso de Neoseiulus barkeri (Acari: Phytoseiidae), que é registrado para controle de P. latus, e os ácaros Phytoseiulus macropilis (Acari: Phytoseiidae) e N. californicus (Acari: Phytoseiidae), que tem indicação para T. urticae.

Os entomopatógenos registrados são os fungos B. bassiana, M. anisopliae e Hirsutella thompsonii para controle de T. urticae.

SEM COMENTÁRIO