Valéria Lima da Silva
Engenheira agrônoma, mestre em Desenvolvimento Rural e Sustentável e professora – Faculdade Anhanguera de Anápolis e Faculdade Metropolitana de Anápolis
valeriaagro2009@gmail.com
A mandioca é uma cultura de grande relevância para a agricultura brasileira, sendo fonte de alimento, matéria-prima para a indústria e ração animal. Recentemente, a Embrapa lançou variedades como BRS 399, BRS 400 e BRS 1668, que se destacam por sua alta produtividade, resistência a práticas e doenças, além de boa adaptabilidade em diferentes regiões do Brasil.
Características de produtividade e resistência
As variedades de mandioca desenvolvidas pela Embrapa oferecem vantagens competitivas aos produtores, tanto em termos de rendimento quanto de resiliência a adversidades.
BRS 399: esta variedade apresenta alta produtividade, quando cultivada em condições adequadas, sendo moderadamente resistente a pragas como o bicho-folha, o que a torna uma boa opção para regiões com menor pressão de doenças.
BRS 400: com elevada produtividade, especialmente em solos bem gerenciados, a BRS 400 é uma das variedades mais promissoras. Além disso, tem boa resistência a doenças, como a mancha da folha, uma vantagem importante para áreas com histórico fitossanitário problemático.
BRS 1668: embora sua produtividade seja um pouco inferior em comparação com as outras duas variedades, a BRS 1668 compensa com alta resistência a pragas e doenças, como a antracnose, característica que a torna atrativa para áreas com alta infestação de pragas.
Adaptabilidade e ciclo de produção
As três variedades possuem bom desempenho em diferentes tipos de solo e clima, permitindo uma grande flexibilidade de plantio.
BRS 399: adaptável a diversos tipos de solo, essa variedade tem um ciclo médio de 10 a 12 meses. Isso oferece ao produtor uma janela de colheita que pode ser ajustada conforme as necessidades da propriedade.
BRS 400: a BRS 400 é muito adaptável, com preferência por solos férteis e manejo adequado. Seu ciclo também é de 10 a 12 meses, o que, aliado à sua alta produtividade, torna uma excelente escolha para produtores de várias regiões.
BRS 1668: essa variedade tem boa adaptabilidade e um ciclo de 09 a 11 meses, ligeiramente mais curto, permitindo um retorno mais rápido. Ela é ideal para áreas com menor disponibilidade de recursos hídricos, pois suporta melhor os climas secos.
Resistência a pragas e doenças
A resistência às pragas e doenças é um fator crucial na escolha da variedade, especialmente em regiões onde os desafios fitossanitários são constantes.
BRS 399: moderadamente resistente a severas, essa variedade pode ser sensível a algumas doenças , exigindo monitoramento.
BRS 400: com alta resistência a pragas e doenças, a BRS 400 é ideal para áreas com histórico de problemas fitossanitários, como a mancha da folha e o bicho-folha.
BRS 1668: possui boa resistência a pragas e destaca-se na defesa contra doenças como a antracnose, comum em regiões úmidas.
Tolerância à seca
Entre as três variedades, a BRS 400 é a que se sobressai em termos de tolerância à seca, sendo a mais adequada para regiões com baixa disponibilidade de água. Essa característica é vital para áreas que enfrentam estiagens prolongadas.
Aplicações e usos
Cada variedade possui um perfil de uso específico, o que possibilita sua exploração em diferentes segmentos do mercado.
BRS 399: indicada tanto para o consumo humano quanto para ração animal, essa variedade é versátil e atende a demandas diversas.
BRS 400: extremamente versátil, pode ser utilizada tanto para consumo humano quanto para a indústria, devido à sua alta qualidade e rendimento.
BRS 1668: recomendada para ração animal e consumo humano, com ênfase em áreas onde há maior necessidade de resistência a pragas e doenças.
Recomendações de plantio por região
As variedades foram desenvolvidas para atender a diferentes regiões do país, adaptando-se às condições climáticas e de solo específico.
BRS 399: recomendação forte para o nordeste, devido à sua adaptabilidade e boa resposta em solos diversos.
BRS 400: indicada para o centro-oeste e sul, regiões onde o solo fértil e o manejo intensivo são comuns, o que maximiza seu potencial produtivo.
BRS 1668: aconselhada para áreas do norte e nordeste, onde as condições de solo mais secas e a necessidade de resistência a doenças são preponderantes.
Resposta a práticas de manejo
As três variedades respondem positivamente às boas práticas de manejo, o que pode maximizar a produtividade.
BRS 399: mostra bom desempenho com supervisão e fertilização adequada.
BRS 400: beneficiada por manejo intensivo, especialmente em climas úmidos, sua resposta é excelente em ambientes com maior controle hídrico.
BRS 1668: embora seja mais resiliente em climas secos, essa variedade também se beneficia de práticas de manejo adequadas, como adubação e controle de regras.
Portanto, a escolha da variedade ideal de mandioca dependerá das características regionais e dos objetivos de cada produtor, levando em consideração fatores como produtividade, resistência e adaptabilidade.
As variedades BRS oferecem soluções versáteis e de alto rendimento, contribuindo significativamente para o crescimento sustentável da cultura da mandioca no Brasil.