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terça-feira, julho 5, 2022
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Mulheres mostram força na cafeicultura brasileira

Divulgação

Não é incomum ver mulheres nas lavouras de café, mais especificamente, trabalhando na colheita, muito menos na gestão de todo processo. Mas, de alguns anos para cá, elas têm conquistado espaço e voz nesse ambiente considerado masculino, assumindo o protagonismo da produção e dos negócios, desde o plantio até a venda do produto.

A contribuição das mulheres ao longo da história tem sido fundamental tanto na produção quanto na pesquisa, na gestão, comercialização e em todos os outros setores desse sistema agroindustrial. Sendo assim, um dos pontos altos da Fenicafé – Feira Nacional de Irrigação em Cafeicultura foi um painel especial voltado para as lideranças femininas no setor.

No painel foi compartilhado além de experiência muitas histórias de vida. Participaram Maria Gabriela Baracat – Fazenda Dois Irmãos, Patrocínio – MG, Lucimar Silva – Guima Café, Varjão de Minas, MG, Poliana Fukuda – Fazenda Baú, Patos de Minas, Evanete Peres – Fazenda Paraíso, Araguari, MG, Linda Moreno – Fazenda Líder, Araguari, MG, Juliana Rezende Mello – Fazenda Santa Bárbara, Monte Carmelo, MG e Polliana Dias Ferreira Soares – Federação dos Cafeicultores do Cerrado, tendo como mediador: Leonardo Vieira de Carvalho – Engenheiro Agrônomo, Café além da Xícara.

Ao fazer a abertura do painel, o engenheiro agrônomo, Leonardo Vieira de Carvalho, do Café além da Xícara, reforça a força feminina na cafeicultura do país. “As mulheres na cafeicultura brasileira eram expectativas, hoje elas são uma realidade muito marcante. Cada uma dessas sete mulheres que estão aqui hoje tem uma história de vida diferente. Sem dúvida, são histórias que inspiram e que também elevam o setor cafeeiro a um outro patamar”.   

Polliana Dias Ferreira Soares, da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, foi quem realizou a abertura. “Há muito tempo as mulheres deixaram de ser coadjuvantes para serem protagonistas na cafeicultura brasileira. Essa crescente aconteceu não só nas propriedades como também nas cooperativas e associações”. Polliana explica que já percorremos um longo caminho, mas temos muito a melhorar. “É muito bom ver mulheres exercendo um  papel tão marcante na cafeicultura, atuando com suas habilidades, sem perder a sensibilidade”.

Considerada um dos ícones da cafeicultura do Cerrado, a produtora Evanete Peres, largou as grandes empresas do Rio e São Paulo para assumir o desafio de gerir a propriedade da sua família no cerrado mineiro. “Foi um sem dúvida meu maior desafio. São anos de dedicação; aprendizado. Até hoje eu aprendo e sofro muito. Tentei até falar com as plantas, mas descobri que elas não falavam comigo”, detalha, dizendo que assim teve que atuar ao lado de parceiros e especialistas em plantio, colheita e solo.

Evanet foi a primeira conselheira da Federação dos Cafeicultores do Cerrado e também membro da Cocacer – Cooperativa de Cafeicultores na Região do Cerrado Mineiro. “Comecei a ficar conhecida por conta da Fenicafé. “Ser a pioneira tem suas vantagens e também suas responsabilidades.  Fico feliz de ser inspiração. Ao longo do tempo, descobri que são os desafios que nos movem, não as facilidades”.

Já Lucimar Silva, CEO do Guima Café, de Patos de Minas, emocionou a todos com sua história de vida na cafeicultura, mostrando que nada na vida é impossível para quem tem vontade e disposição. Lucimar gerencia o Guima Café  – uma propriedade rural de 1,6 mil hectares, sendo 900 hectares de café plantado. “Quero contar minha história de superação e ascensão profissional dentro da cafeicultura. Comecei muito cedo, não sou herdeira e muito menos esposa de produtor de café. Sou filha de uma colhedora de café. Eu comecei a trabalhar nesta mesma fazenda na qual eu gerencio na colheita e no plantio, ou seja, em todo processo produtivo. Tenho um orgulho imenso de contar isso, as histórias de superação podem motivar outros sonhos, fazer com que cada um de nós acredite que o impossível é só questão de determinação”.

Para Lucimar, o conhecimento é que quebra padrões. “Temos que buscar por aprendizado incansavelmente.Foi isso que eu fiz. Eu estudei. mostrei minha capacidade, com capacitação e muitas horas de pesquisas. Não foi fácil, mas todos os obstáculos fizeram de mim uma mulher mais forte”.

A CEO Poliana Fukuda assumiu um grande desafio ao largar o mercado financeiro para gerir a fazenda Baú, em Patos de Minas, no Alto Paranaíba. Ela destacou a importância das pessoas no processo produtivo de uma fazenda. “Permiti que a cafeicultura entrasse em minha vida. Vários foram os desafios apresentados. Mas descobri que a valorização das pessoas, mostrando os resultados e sua importância na participação do processo produtivo, é fundamental. São as pessoas que trazem os resultados, a planta sozinha não produz. Existe todo um processo e ferramentas capazes de facilitar a gestão de uma propriedade. Contra fatos não há argumentos”, garante.

Gabriela Baracat, da Fazenda Dois Irmãos, em Patrocínio, Minas Gerais, é a quarta geração de uma família de cafeicultores. “Uma de nossas linhas de ascensão foi o processo organizacional da fazenda. Implantamos o 5S (SEIRI (Separação), SEITON (Ordenação), SEISO (Limpeza), SEIKETSU (Padronização) e SHITSUKE (Disciplina)), a certificações, mapeando todo processo produtivo e sócio ambiental da propriedade. Isso agregou valor à venda do nosso produto, mas ainda éramos uma commodity”. Mas na sua visão de negócio ainda era pouco. Foi quando veio a ideia de se adequar aos programas de qualidade. “Nossa propriedade foi segmentada em talhões e, neste processo de transformação, tive a oportunidade de me profissionalizar no ramo de cafés especiais, participando inclusive de concursos de qualidade de café pelo Brasil.  Hoje vendemos nosso produto em micro-lotes. Toda fazenda é separada, melhorando o processo com um todo”.

A cafeicultora premiada, Linda Moreno, da Fazenda Líder, de Indianópolis, uma cidade vizinha de Araguari, levantou a bandeira da equidade. “Não queremos ser melhores do que os homens, queremos caminhar juntos. Nosso sucesso se dá pela parceria. Em nossa fazenda nós buscamos a melhoria de uma forma sustentável, foi então que resolvemos certificar nossa propriedade”.  Para Linda, todo café é especial, porque a qualidade é um dever de cada produtor. “Mas quando falamos de especialidade estamos criando um propósito, levando muito mais que um produto para a mesa do consumidor e, sim, uma nova experiência”.

“Voltei tanto a olhar para dentro, quanto para fora da porteira da minha fazenda”, garante Juliana Rezende Mello, da Fazenda Santa Bárbara, Monte Carmelo. Foi então que investiu pesado em profissionalização, não só na questão da gestão, como também da equipe operacional, que está no dia a dia da lavoura. “A consistência também era um desafio. E, para manter essa consistência, busquei conhecer o processo com um todo. Através de muito estudo, fizemos uma seleção de insumos usados na produção do café, aderindo aos que não interferiam na qualidade final do produto. Nosso principal propósito era entregar um produto de qualidade com segurança alimentar”, explica a cafeicultora que também é farmacêutica Juliana levou para dentro da sua propriedade conhecimento adquiridos em sua formação. 

“Quando comecei a conversar com cada uma dessas mulheres para a preparação deste painel, tive uma certa preocupação com relação a sustentabilidade econômica do nosso negócio. A cafeicultura é um setor de muitas ideologias, mas no final quem paga a conta é o café. E todas essas mulheres têm essa consciência econômica do produto e sua produção. Independente de qual produto iremos oferecer, devemos produzir café. Seja ele um produto especial, certificado ou ambientalmente sustentável. Com certeza, a irrigação nos proporciona isso de uma maneira muito eficiênte”, finaliza Leonardo Carvalho.  

A Fenicafé se divide em três partes: o 25º Encontro Nacional de Irrigação da Cafeicultura do Cerrado, 22º Simpósio Brasileiro de Pesquisa em Cafeicultura

A Fenicafé é promovida pela Associação dos Cafeicultores de Araguari (ACA) e a Federação dos Cafeicultores do Cerrado com apoio da Embrapa Café.

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