Nova aposta: Gengibre para exportação

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Autores

Veridiana Zocoler de MendonçaEngenheira agrônoma e doutora em Agronomia/Energia na Agricultura – UNESP/FCAveridianazm@yahoo.com.br

Aline Mendes de Sousa GouveiaEngenheira agrônoma, doutora em Agronomia/Horticultura – UNESP/FCA e professora – Centro Universitário das Faculdades Integradas de Ourinhos (UNIFIO) – aline.gouveia@unifio.edu.br

Gengibre – Créditos: Shutterstock

O Espírito Santo apresentou um crescimento de 253% nas exportações de gengibre, atingindo 9.067 toneladas. A receita dobrou, para US$ 10,2 milhões e o Estado respondeu por 59% das exportações do País

O gengibre (Zingiber officinale Roscoe) pertence à família botânica Zingiberaceae e tem como origem a Ásia, principalmente a região entre a Índia e a China. No Brasil, acredita-se que a introdução do gengibre ocorreu durante a invasão holandesa, na permuta de plantas econômicas existentes entre os dois países naquela época.

É considerado uma das especiarias mais importantes e valorizadas ao redor do mundo, utilizada há mais de dois mil anos. O rizoma é muito utilizado no emprego alimentar e industrial, especialmente como matéria-prima para fabricação de bebidas, perfumes, essências e produtos de confeitaria, como pães, bolos, biscoitos e geleias.

Além disso, é muito conhecido popularmente pelo uso medicinal para aliviar sintomas como inflamação, doenças reumáticas, desconfortos gastrointestinais e ser um alimento termogênico (capaz de acelerar o metabolismo).

No entanto, outros produtos, além do rizoma in natura, podem ser ofertados ao mercado consumidor. Do rizoma imaturo, tenro e menos pungente, colhido em torno de seis meses, prepara-se a conserva e o gengibre cristalizado.

Subprodutos

Do rizoma colhido depois de completado o estádio de maturação é preparado o gengibre seco. O gengibre seco, obtido por desidratação do rizoma, com ou sem remoção prévia das cascas, é comercializado internacionalmente sob a forma de peças com tamanho, cor e forma variáveis, ou ainda, sob forma laminada ou em pó.

O gengibre é também comercializado sob a forma de produtos derivados, como óleo essencial e oleoresina, produtos de alto custo. O óleo essencial contém componentes voláteis responsáveis pelo aroma, enquanto a oleoresina contém além dos constituintes voláteis aromáticos, os componentes não voláteis, responsáveis pela pungência característica do gengibre.

O gengibre é uma planta herbácea de porte ereto, de 30 a 150 cm de altura, com rizomas robustos que se desenvolvem junto à superfície do solo. O rizoma, parte normalmente utilizada, é de coloração interna branco amarelada e coberto por escamas.

É propagado por meio de pedaços do rizoma de 2,0 a 5,0 cm e que apresentem de uma a duas gemas vigorosas. Requer solos férteis, bem drenados e preparados, sendo uma planta exigente em nutrientes. O amarelecimento das folhas é um indicativo da maturação e do ponto de colheita que pode ocorrer entre o sétimo e o décimo mês após o plantio.

Na colheita, elimina-se a parte aérea, e então arrancam-se os rizomas com cuidado para evitar injúrias. Para antecipar a colheita pode-se fazer a poda das folhas rente ao solo, em torno de 20 dias antes da colheita, momento em que o rizoma se encontra em estádio de maturação.

Regiões produtoras

No Brasil, este vegetal é cultivado na faixa litorânea de Santa Catarina e do Paraná, no Sul do Estado de São Paulo e também no Espírito Santo, que é responsável por metade da produção nacional. A boa produtividade nesses Estados brasileiros se dá em razão das condições de clima favorável e de solo (fértil, rico em matéria orgânica e de boa drenagem).

A produtividade média fica em torno de 20 a 25 t ha-1, porém, com manejo adequado e uso de tecnologias, como por exemplo, na irrigação a produtividade pode chegar a 40 t ha-1.

Segundo a Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural – DF), dois terços dos custos da implantação da cultura se dão em insumos, principalmente adubo, agrotóxicos e mudas. No entanto, outra aposta que vem associada à produção de gengibre é o cultivo orgânico, uma vez que é utilizado pelas indústrias farmacêutica e cosmética, além da alimentícia, podendo ser uma forma de agregar valor ao produto final e reduzir custos com defensivos agrícolas que representa grande fatia do preço de produção.

Por ainda ser uma cultura pouco expressiva no Brasil, há carência de informações no que se refere à evolução da produção brasileira. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresenta dados do ano base 2006, sendo a produção de 11,13 mil toneladas (IBGE, 2020).

Pelo mundo afora

No âmbito mundial, a FAO (Food and Agriculture Organization) nos dados mais recentes (ano de 2018) aponta como Índia e China os países com maiores produções, 893 mil t e 510 mil t, respectivamente, seguidas por Nigéria, Nepal e Indonésia. No mundo são 373 mil ha com a cultura, a Ásia representa 81,7% da produção mundial de gengibre, enquanto as Américas apenas 0,8% (FAOSTAT, 2020).

Comparativamente com outros países, o Brasil se inclui entre os pequenos produtores de gengibre, cuja produção é orientada para exportação. A produção brasileira é, geralmente, comercializada no Estado in natura e se destina essencialmente à exportação, de 70 a 80%, principalmente para Estados Unidos, Reino Unido, Holanda e Canadá.

O restante da produção normalmente não atinge a qualidade para exportação e é destinada ao mercado regional. Em 31/08/2020 o preço médio do quilo de gengibre comercializado na Ceagesp, segundo informações no site, foi de R$ 7,22.

Contudo, a presença de mercado consumidor e o número reduzido de produtores no Brasil, inclusive nas regiões de clima e solo favoráveis, tornam o gengibre como opção viável de produto destinado à exportação, em que preços mais rentáveis podem ser viabilizados aos produtores.

Mercado se abre para o gengibre

Maria Idaline Pessoa Cavalcanti Engenheira agrônoma e doutoranda em Ciência do Solo – Universidade Federal da Paraíba (UFPB)idalinepessoa@hotmail.com

Gengibre – Créditos: Shutterstock

O gengibre é uma planta herbácea perene e o rizoma é a parte comercializada. Apresenta uma multiplicidade na utilização na alimentação e na indústria, como matéria-prima para fabricação de bebidas, perfumes, produtos de confeitaria ou medicamento, principalmente na medicina popular.

Existem várias espécies comestíveis de gengibre que diferem pelo aspecto fenotípico, aroma, rendimento, conteúdo de fibras e óleos. E essa cultura, por sua vez, vem se tornando uma boa oportunidade de cultivo para os produtores de todo o País.

A busca por produtos naturais e seus benefícios aumentou o consumo interno e exportações estão colaborando para o crescimento da área plantada e rentabilidade da cultura no Brasil. Todavia, a escassez de informações técnicas tem levado o agricultor ao manejo inadequado e ao baixo rendimento da cultura na região sul do País e no Estado do Espírito Santo, que é o maior produtor atualmente.

Com a cultura em expansão no Brasil, que apresenta uma heterogeneidade nos solos, clima, distribuição de água e outros fatores, há necessidade de informações tecnológicas como melhoria na nutrição, manejo das pragas e patógenos, melhoria no sistema de produção e manejo pós-colheita, visando obter o padrão de qualidade de rizomas que atenda às expectativas dos mercados e agregue valor à produção.

Manejo

O gengibre é uma cultura que se adapta a climas quentes e úmidos, tropical e subtropical, temperaturas variando de 25°C a 30°C e precipitação anual em torno de 1.500 mm. Devido a essas condições, no Espírito Santo, a cultura é implantada de agosto a outubro, sendo setembro o mais recomendado.

Plantios antecipados aumentam o custo de produção e os tardios reduzem o rendimento da cultura. A planta alcança a maturidade em junho-julho, independente da época de plantio. No Estado do Paraná, o plantio se concentra de agosto a outubro e no Ceará, de outubro a dezembro.

Variedades e condução

As variedades de gengibre mais cultivadas no Brasil são Gigante Chinesa (Blue green ginger) e Japonesa (Yellow ginger). Na região sul são utilizadas as variedades Havaiana, Jamaicana, Takahashi e IAC. No Estado do Espírito Santo, a variedade mais cultivada é a Gigante, pela produtividade, aspecto comercial dos rizomas e aceitação no mercado internacional

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